“Veja” injuria qualquer um que não se curve ao seu
golpismo
Xingamentos
ou fraudes contra Ulysses, Che, Ibsen, Lula, Chávez, Kirchner e outros
evidenciam sua decomposição
Em duas páginas que parecem
escritas por alguém babando na gravata, ou, talvez, comendo a gravata, de tanto ódio impotente,
a “Veja”, em sua última edição, publicou algo com o título “Um perigo chamado
MR-8”. Esse movimento “cujo nome”, segundo a revista, “faz referência à data
da morte de um dos mais frios assassinos da história, o argentino Ernesto
‘Che’ Guevara”, é aquinhoado com os costumeiros xingamentos de troglodita que
na “Veja” são destinados aos democratas, chamem-se eles Lula ou Ulysses, Ibsen
ou Sarney, Itamar ou Quércia, Dirceu ou Dilma, Chávez ou Evo, Kirchner ou
Correa. Em suma, a todo e qualquer indivíduo que seja livre, que seja
democrata, que não se submeta à sua linha fascistóide, de subserviência
totalitária ao que existe de mais putrefato no mundo.
FRAUDE
Por essa razão, na mesma
edição, “Veja” se dedica a agredir o movimento sindical. Qual o problema que
ela vê nele? Ter conquistado um novo patamar de união em sua luta, sepultando
divisões anteriores, inclusive estabelecendo unidade em torno do presidente
Lula para fazer o país se desenvolver.
No caso do MR8, diz a
“Veja” que se trata de um “grupelho”, “terrorista”, que “vende seus serviços
sujos de atemorização a quem paga mais”, “já serviu de tropa de choque a
políticos de biografia conturbada”, “arruaceiros”, “uma centena de
foras-da-lei”, etc., etc., etc., e não se entende porque a revista dedicou a
segunda matéria da edição a grupo tão sem importância...
O pretexto para essa
ridícula descarga de impropérios furibundos - que nada têm a ver,
evidentemente, com jornalismo - é uma suposta ameaça de morte feita ao
destrambelhado Diego Mainardi, num editorial nosso, da “Hora do Povo”,
publicado na edição do último dia 27. A ameaça de morte (v. editorial na
primeira página desta edição) é falsa, como qualquer leitor pode comprová-lo
simplesmente lendo o texto. Mas não é por acaso que a “Veja” e seus lulus
amestrados recorreram a essa fraude.
Porém, antes de
prosseguir, deixemos claro uma questão: a “Hora do Povo” não pertence ao MR8.
Este Movimento muito se orgulha de ter participado da fundação do nosso
jornal, e de contribuir com ele, através de seu suor e de seu sangue. Mas a
“Hora do Povo” não é do MR8. Nossa casa não é a “Veja”, que pertence ao
Civita, também proprietário da alma de alguns de seus funcionários. Nós somos
um patrimônio do povo brasileiro e, como tal, da Humanidade. Não pertencemos a
ninguém. Mas é natural que o Civita e seus poodles não consigam entender tal
coisa. Como poderia um boletim fascistóide entender o que é a imprensa
democrática?
Essa histeria
verdadeiramente mussoliniana não é diferente da difamação contra Ulysses,
retratado como louco, das falsificações contra Ibsen Pinheiro, contra o qual a
“Veja” forjou uma prova para condenar um inocente, e das infâmias contra o
presidente Lula e sua família. Atendo-se ao último caso, porque é o mais
atual, a “Veja” é o único lugar onde um picareta como Mainardi pode escrever
coisas como: “Se [Lula] perder, tem de ser cassado. Se ele ganhar,
tem de ser cassado. (...) eu sou golpista”; “os cangaceiros
entraram para o imaginário nordestino. Por isso Lula foi reeleito. Mas um dia
tudo muda. Como eu sei? A marca de suor na camisa do porteiro mostrava uma
cabeça degolada”; “se Lula disse, uma certeza a gente pode ter: é
mentira”; “o lulismo realmente ganhou o mundo. Em sua forma mais
autêntica: o dinheiro sujo”; ou, escondendo-se atrás do escritor americano
Henry David Thoreau: “o eleitor é um cavalo. (...) o eleitor é um cachorro.
Eu repito, citando Thoreau: o eleitor é um cavalo, o eleitor é um cachorro, o
eleitor é um cavalo, o eleitor é um cachorro, o eleitor é um cavalo, o eleitor
é um cachorro. Insulte o eleitor”.
Certamente que isso é
totalmente incompatível com uma imprensa democrática e, de resto, com a
própria democracia. Assim como a campanha golpista empreendida por “Veja”
contra o governo Lula, ao longo de quase dois anos. É, portanto, algo pouco
surpreendente que “Veja” estrebuche porque não consegue apagar do mapa órgãos
da imprensa democrática, como a “Hora do Povo”. Não é uma novidade: o fascismo
sempre foi incompatível com a democracia.
No entanto, com o dinheiro
americano e dos racistas sul-africanos lhe enchendo as burras (v. matéria na
pág. 6), a “Veja” e seus donos deveriam estar contentes com a vida que levam.
No entanto, não estão. Por quê? Porque de nada vale a sua disposição de
prestar serviços a qualquer quadrilha estrangeira, se eles não surtem efeito.
Pois foi exatamente o que
aconteceu – e está acontecendo. Durante décadas as forças nacionais, os
setores vivos do país, lutaram por uma união que permitisse ao povo brasileiro
reconstruir a Nação. Ou seja, que permitisse fazer do Brasil uma grande nação,
desenvolvida, justa, independente. A “Veja” sempre foi a ponta de lança
raivosa da reação, a difamar as lideranças democráticas, a pregar o atraso e a
submissão sem limites e sem freios.
Esta é a razão pela qual
um dos “perigos” que ela enxerga no MR8 é ter ficado dentro do PMDB. Pois essa
foi a forma que o Movimento achou que era a melhor para lutar pela unidade de
todos os brasileiros por um país soberano.
Essa luta dos democratas e
patriotas brasileiros foi inteiramente vitoriosa. O que temos hoje, no governo
Lula, é um grau de unidade jamais conseguido em nossa História . Existem,
agora, todas as condições políticas para mudar o país.
Mas isso significa, por
outro lado, que o espaço para os acólitos do atraso e da submissão diminuiu
tremendamente. Daí o destempero da “Veja”, colocando para fora, como os
abcessos quando são espremidos, o pus acumulado em anos. Não todo ele, que
ainda há muito. Mas o que já saiu não é pouca porcaria. Convenhamos que chamar
Che Guevara de “um dos mais frios assassinos da história” e xingar os que
participaram da luta armada contra a ditadura de “terroristas”, ao modo do
falecido delegado Fleury, não é coisa só de fascista. É coisa de fascista
retardado.
Mesmo há 40 anos atrás
esse tipo de idiotice só era possível porque existia uma ditadura feroz.
Porém, mesmo a ditadura mudou, e, em seguida, desapareceu. A História já
resolveu, há muito, essas questões. Hoje, é a “Veja” que acusa os militares
pela ditadura, não os que participaram da luta armada. Nesse caso, não é
apenas cinismo. A bem da verdade, os militares foram responsáveis pelo que
houve de desenvolvimento e progresso durante a ditadura – e isso é tudo o que
a “Veja” mais odeia: que o Brasil tenha se desenvolvido e possa se
desenvolver.
Por essas razões, “Veja”
deixou de abrigar qualquer um que tenha um mínimo de respeitabilidade e passou
a ter de recorrer a alguns desclassificados. Porque é esse o espaço social que
lhe resta. Aquele dos marginais, dos ressentidos que se escondem nos esgotos
da sociedade, dos medíocres que não se conformam que outros não sejam
medíocres, das viúvas da Oban e do DOI-CODI, e, de resto, das prostitutas
sempre à disposição de qualquer bando reacionário estrangeiro, da CIA aos
gangsters do apartheid sul-africano.
DINHEIRO
Portanto, forjar uma
ameaça de morte para um sujeito que ninguém leva a sério – e no nome do qual
jamais teríamos tocado, se não tivesse abusado da memória de um herói, isto é,
da memória de Bacuri (v. matéria nesta página) -, serve apenas para que “Veja”
tente esconder seu adiantado estado de decomposição. O que, de todos os modos,
é inútil.
Mas é interessante que
“Veja” termine o seu vitupério pregando que a “Hora do Povo” não pode receber
publicidade do governo e, em suma, que só a imprensa antidemocrática possa
receber publicidade oficial. De nossa parte, não nos opomos a que o governo
coloque publicidade nos monopólios de mídia, inclusive na “Veja”, apesar de,
nesse último caso, isso só servir para financiar o golpismo contra quem paga a
publicidade. Do que não abrimos mão é de lutar para que a imprensa democrática
também receba a sua parte. Porém, talvez seja esse o objetivo de “Veja” com
esse furdunço: receber mais dinheiro do governo.
CARLOS LOPES