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Governo visa romper o controle estrangeiro na transmissão de dados militares e sigilosos

O governo brasileiro estuda medidas para recuperar o controle sobre a transmissão de dados militares e sigilosos, que é feita através de satélites entregues para estrangeiros por Fernando Henrique Cardoso, em 1998, através da privatização da Embratel.

Em 2004, quando o grupo mexicano Telmex (comandado por Carlos Slim) assumiu o controle da MCI e conseqüentemente da Embratel, o governo brasileiro pressionou a empresa para recuperar a participação no controle sobre a chamada “banda x”, que é utilizada para comunicações sigilosas. Em troca, a operação seria aprovada pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e pela Anatel. Pelo acordo, a empresa Star One, da Embratel, daria ao governo uma “golden share”, ação que permite a um sócio o poder de veto sobre as decisões do conselho administrativo da empresa, caso contrariem o interesse do país. Com isso, o governo teria poder para vetar decisões que pudessem comprometer o uso da “banda x”. O representante da Telmex no Brasil se comprometeu publicamente com o acordo e disse que apenas dependia da aprovação do conselho de acionistas da Telmex. A medida não foi aprovada até hoje.

Em audiência no Senado para tratar sobre a situação do sistema aéreo brasileiro, o ministro da Defesa, Waldir Pires, se pronunciou sobre o tema e afirmou que “acho que vamos ter que recuperar imediatamente alguma coisa absolutamente inexplicável (privatização da Embratel no governo de FHC)”. Além de estar a mercê da Telmex, o governo brasileiro ainda terá que pagar, a partir de 2008, para utilizar os serviços dos satélites da Star One.

No entanto não é só esta medida que está sendo tomada pelo governo federal, que desde 2004 vem estudando o desenvolvimento de um satélite com tecnologia nacional.

Para tanto, o Ministério da Defesa coordena um projeto para a implantação de satélites geoestacionários (que são colocados em uma órbita circular em torno da terra com mesma velocidade de rotação) no país, a fim de atender às demandas do novo Sistema de Controle de Tráfego Aéreo - o CNS/ATM. A intenção é que o serviço entre em operação em 2010. Além do controle aéreo, o sistema serviria para comunicações militares em banda X e serviços de meteorologia.

De acordo com o coronel engenheiro da Aeronáutica, Paulo Mourão Pietroluongo, gerente da Divisão de Projetos Especiais do Ministério da Defesa, os satélites podem ser desenvolvidos no país por meio de mecanismos de transferência de tecnologia. “Hoje, no mundo, existem poucas empresas que fabricam satélites geoestacionários e o Brasil nunca entrou nesse mercado, que é um negócio de alta tecnologia, alto preço e de pouca demanda”, revelou. Segundo o coronel, os seis satélites geoestacionários que operam no Brasil pertencem a empresas estrangeiras e “a autonomia do Estado Brasileiro em comunicações estratégicas e o desenvolvimento tecnológico são os maiores benefícios decorrentes da implantação desse projeto”.

Para o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira, Miguel Henze, o Brasil deve dominar esta tecnologia que é estratégica para “as comunicações militares e outras, como as que podem ser feitas pela Itamaraty”.

ALESSANDRO RODRIGUES

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09/05/2007
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