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CPI: peemedebista propõe convocação de pilotos do Legacy para apurar tragédia

O deputado Miro Teixeira (PDT/RJ) sugeriu que seja investigada na recém-criada CPI sobre o setor aéreo a transação com a Brasif, empresa que controlava os free shops em quase todos os aeroportos brasileiros com vôos internacionais, vendida para uma empresa suíça, após se beneficiar do monopólio e da isenção de impostos na exploração do setor, conseguidos através de antiga concessão governamental.

A negociação foi fechada em março de 2006 por 500 milhões de dólares. Ainda que procure negar a informação, o ex-senador e ex-presidente do PFL (atual DEM), Jorge Bornhausen, é apontado como membro  do conselho de administração e seu advogado. Ele foi vice-presidente da empresa em 1991 e 1992, conforme publicou a Fundação Getúlio Vargas. Além disso, o dono da Brasif, Jonas Barcellos, é “amigo fraternal há mais de 20 anos” de Bornhausen, como ele mesmo define.

A empresa foi uma das maiores doadoras de campanha do PFL quando Bornhausen presidia o partido, segundo o TSE. O único lugar onde ela não está é no aeroporto da Bahia, onde o senador Antonio Carlos Magalhães, adversário de Bornhausen, tem influência.

A CPI deverá começar os trabalhos pela investigação do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, em 29 de setembro de 2006, que matou 154 pessoas. Entre os requerimentos já apresentados, estão os pedidos de convocação dos pilotos norte-americanos do jatinho que se chocou contra o avião da Gol e do delegado da Polícia Federal em Cuiabá (MT), Renato Sayão Dias, responsável pelo inquérito sobre o caso.

Além de pedir a convocação dos pilotos do Legacy, o deputado Colbert Martins (PMDB/BA) sugeriu que também seja ouvido o repórter do jornal The New York Times que estava no vôo. Ele considerou estranho que o jornal norte-americano tenha publicado reportagem, às vésperas da instalação da CPI, levantando hipóteses sobre falhas mecânicas e humanas como causas do acidente.

Colbert Martins alertou que nos Estados Unidos pode haver o interesse de culpar a Embraer, fabricante do jatinho, pelo choque das aeronaves, apesar dos componentes do aparelho que identificam a aproximação de outros objetos serem fabricados fora do Brasil.

Os peemedebistas Marcelo Castro (PI) e Eduardo Cunha (RJ) ocuparão, respectivamente, a presidência e a 1ª vice-presidência. O deputado Marco Maia (PT/RS) foi indicado relator.

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09/05/2007
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