General inglês, Michael Rose, em entrevista concedida à
TV da BBC, afirma:
“Bush e Blair devem
reconhecer a derrota e se retirar do Iraque”
“Uma guerra sem esperanças” para os EUA e a Inglaterra
foi como o ex-comandante do Serviço Secreto da Aeronáutica (SAS) qualificou o
beco sem saída em que Bush e Blair se enfiaram
O general inglês, ex-comandante do serviço secreto da Aeronáutica inglesa (Special Air Service Regiment), Michael Rose,
declarou em entrevista ao programa ‘Newsnight’, da BBC, que “os EUA e a
Inglaterra deveriam admitir a derrota” e “se retirar dessa guerra”. A
entrevista foi feita no dia 5 de maio, quando o general da reserva classificou
a ocupação do Iraque como uma “guerra sem esperanças”.
OCUPAÇÃO
Questionado pelo entrevistador do programa se acreditava
que os combatentes iraquianos têm o direito de lutar contra as forças de
ocupação, Sir Rose afirmou: “Sim, eu acredito, pois como disse Lord Chatham
(político inglês que na metade do séc. XVIII defendeu a interrupção das
hostilidades aos colonos americanos), à época da colonização dos EUA, ‘se eu
fosse americano, como sou inglês, enquanto houvesse um inglês remanescente em
solo americano, eu nunca, nunca, nunca baixaria minhas armas’”.
“Os insurgentes iraquianos sentem-se da mesma forma. Eu
não os desculpo pelas terríveis coisas que estão fazendo, mas entendo porque
estão resistindo aos americanos”, acrescentou o general, que comandou as
tropas da ONU na Bósnia na década 90 e que foi ao programa de TV para divulgar
seu recém-lançado livro “Washington´s War” – A Guerra de Washington – em que
compara a luta dos insurgentes iraquianos com as táticas usadas pelo líder da
guerra de independência norte-americana, George Washington.
“São os soldados da linha de frente que estão me dizendo
que a guerra que estão lutando é sem esperança , que eles não podem vencê-la e
quanto mais cedo começarmos a discutir soluções políticas e não militares,
mais cedo eles virão para casa e suas vidas serão preservadas”, disse Michael
Rose.
Questionado se o que ele queria dizer era admitir a
derrota, o general da reserva disse: “é claro que deveríamos admitir a
derrota. Os ingleses admitiram a derrota na América do Norte e as catástrofes
que estavam previstas naquela época foram evitadas, assim como as catástrofes
que estavam previstas para ocorrer no Vietnã não aconteceram. A mesma coisa
irá acontecer depois que deixarmos o Iraque”, alertou Rose, poucos dias após o
final do pior mês de baixas para os soldados norte-americanos no Iraque –
abril de 2007.
No ano passado Michael Rose defendeu o impeachment do
primeiro-ministro inglês Tony Blair por ter enganado o Parlamento e o povo
sobre os reais motivos para ir à guerra.
IMPEACHMENT
“O impeachment iria prevenir que políticos tratem com
tanta negligência a questão de levar nosso país uma guerra inexplicável para
mim e para um enorme número de pessoas. Nunca vi este país ir a uma guerra –
pelo menos não em toda a minha vida – com uma visão tão obscura do que está
tentando fazer e ao mesmo tempo com tão pouco apoio do povo deste país”,
afirmou.
Durante o início da invasão, em março de 2003, o
ex-comandante questionou a viabilidade da ocupação baseada nas mentiras
propaladas por Bush e Blair para invadir o país árabe. “Tudo o que sei é que
se eu estivesse em minha posição militar anterior encontraria enormes
dificuldades para justificar aos soldados que me questionassem os motivos para
ir a guerra. Qual é a ameaça real? Qual é o interesse nacional? Acharia muito
difícil responder a essas questões. Os soldados que estão sendo convocados
para possivelmente doar sua vida por essa causa precisam de respostas”,
declarou.
RODRIGO CRUZ