Briga de quadrilhas durante
a discussão da ‘lei’ de assalto ao petróleo dos iraquianos
A briga entre quadrilhas de
“deputados” do parlamento fantoche criado pela ocupação ianque no Iraque
atrapalhou a aprovação da “legalização” do assalto ao petróleo do povo
iraquiano. O bando dos curdos quer que as migalhas do butim norte-americano na
região de Kirkuk fiquem exclusivamente para os chefetes locais que apóiam a
ocupação. Sunitas acham que as mesmas migalhas devem ser distribuídas entre
todos os lacaios de plantão.
O governo fantoche do Iraque
enviou ao “parlamento” o projeto de lei que concede às empresas
norte-americanas o controle da indústria de petróleo do país. A lei, levada
aos deputados marionetes, pretende dar cunho legal para a entrega do setor
petrolífero aos estrangeiros. Isso 35 anos depois da nacionalização que levou
o Iraque a ser o país com os melhores índices sociais do Oriente Médio antes
da primeira guerra de Bush pai, em 1990. A nacionalização, realizada em 1972,
reverteu a maior riqueza do Iraque para o desenvolvimento do país, ao invés de
encher os bolsos dos donos das multinacionais Standard Oil e Shell.
“Essa lei foi feita para
beneficiar as companhias petrolíferas norte-americanas”, afirmou Raamzy Salman,
economista que trabalhou no Ministério do Petróleo durante 30 anos, em
entrevista a rede Al-Jazeera.
“Se aprovada levará o Iraque
de volta para 1972, antes da nacionalização”, acrescentou.
Porém, “essa situação será
revertida após conquistarmos nossa verdadeira soberania”, disse Salman.
Os 12,5% de lucros
garantidos pela nova lei transferirá às multinacionais ianques lucros enormes,
afirmam especialistas, já que a extração do petróleo no Iraque é a mais barata
do mundo.
“A extração de um barril de
petróleo no Iraque custa cerca de 50 centavos de dólar. A riqueza dos campos
de petróleo é evidente. Eles terão lucros máximos e sem risco algum”, declarou
o ex-ministro do petróleo, Isaam al-Chalabi.
“Esse tipo de contrato
geralmente é concedido em casos de risco, como no Sudão, Iêmen, e muitos
outros países, onde as companhias investem dinheiro com um grande risco de não
encontrar nada, ou encontram dificuldades para extrair o petróleo”,
acrescentou al-Chalabi.
“Nos anos 90, o governo
Sadam Hussein concedeu esses contratos à empresas petrolíferas chinesas e
russas como uma decisão política devido às sanções impostas ao país pelos
EUA”, disse o ex-ministro do petróleo ao lembrar o bloqueio econômico imposto
ao Iraque pelo governo norte-americano ao longo da década.
“Mas mesmo naquela época,
quando o barril custava 25 dólares e não os 60 dólares de hoje, a porcentagem
era menor que dez por cento”, afirmou al-Chalabi.