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Carlão, presidente da Apeoesp

“Recuo de Serra no projeto de previdência foi uma vitória, mas ainda é insuficiente”

Mobilização fez governador enviar novo projeto à Assembléia, mas ainda não contempla reivindicações importantes da categoria. Estado de greve continua

Fizemos o governador José Serra (PSDB) recuar e conquistamos uma grande vitória após ampla mobilização no dia 25 de março, quando cerca de 20 mil professores da rede pública foram às ruas exigindo a retirada imediata do Projeto de Lei Complementar 30 – que cria a Spprev-São Paulo Previdência”, afirmou Carlos Ramiro de Castro (Carlão), presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), sobre o novo projeto de previdência dos servidores públicos enviado pelo governador à Assembléia Legislativa. “Foi uma vitória, mas ainda é insuficiente”, afirmou Carlão.

MOBILIZAÇÃO

A força demonstrada na assembléia, onde milhares de funcionários públicos mobilizados pela Apeoesp, a participação destacada dos servidores da saúde, docentes e funcionários da USP, Unesp, Unicamp e estudantes, forçou o governador Serra a recuar e enviar um outro projeto à Assembléia Legislativa no dia 27 de abril, que inclui na previdência os ACTs (Admitidos em Caráter Temporário) e os servidores estáveis, e reconhece a paridade igualitária entre os representantes do governo e do funcionalismo.

“O projeto anterior excluía a paridade entre os representantes dos servidores em relação ao governo, os Admitidos em Caráter Temporário (ACTs) e os estáveis e jogavam no INSS”, afirmou Carlão.

“Foi uma vitória, mas não contempla todas as nossas reivindicações e ainda tem vários pontos obscuros, como o fato de contemplar na Spprev somente os ACTs que foram contratados pela Lei 500/74 até a data de publicação da lei que cria o novo regime de previdência. Após a publicação, se aprovado no legislativo, os novos contratados pelo regime de ACTs passam a ser regidos pelo INSS, o que jamais aceitaremos” alertou Carlão. A direção de Apeoesp esclareceu ainda que, além do mais, “o governo não fala uma vírgula como vai ficar a dívida de cerca de R$ 64 bilhões que o Estado tem com o atual Instituto de Previdência do Estado de São Paulo (Ipesp), que passaria a ser regido pela Spprev”.

ESTADO DE GREVE

Dentro destes princípios, Carlão destaca que na assembléia do último dia 25 em frente a Alesp, os professores aprovaram por unanimidade o estado de greve porque “mesmo considerando uma grande vitória da categoria, exigimos a retirada da proposta por inteiro”.

Conforme o líder dos professores, “a luta continua firme não só pela retirada do PL 30, mas em defesa da abertura da negociação salarial e o cumprimento da data-base (1º de março) e de reivindicações da categoria como melhores condições de trabalho, fim da aprovação automática, reajuste salarial imediato, piso calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômico) de R$ 1.620,89 em março, incorporação das gratificações com extensão aos aposentados, garantia de emprego com estabilidade a todos os professores e máximo de 35 alunos por sala de aula”.

DESCASO

Indignados com a política tucana de 12 anos de desmonte do Estado, as lideranças da categoria alertaram também que a data-base dos servidores públicos venceu no dia 1º de março. A pauta foi entregue tanto ao governador como para a secretária de Educação no início do ano. Mas o descaso do desgoverno é tanto que, além de não receber a comissão de negociação eleita pela categoria, continua sem responder a pontos importantes reivindicados pelas entidades.

“É imprescindível que todos os professores, a população, pais e alunos vistam esta camisa e participem das ações em defesa da escola pública de qualidade e pelo imediato atendimento das reivindicações salariais e educacionais”, completou o presidente da Apeoesp. 

Durante a assembléia, os professores avaliaram que é preciso garantir a retirada do projeto para que seja estabelecido um amplo debate na formulação da previdência estadual que assegure os direitos de todos os servidores públicos. Portanto, se o governador não retirar o projeto para votação na Alesp, os professores vão entrar em greve. Assim, a assembléia aprovou ainda um calendário de mobilização. Entre os quais, reuniões de esclarecimento aos pais de alunos, no próximo dia 10, vigília na Assembléia Legislativa para não permitir a votação da Spprev e, no dia 23, assembléia geral dos professores e participação nas atividades convocadas pelas centrais contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores.

ADEMAR COQUEIRO

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09/05/2007
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