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CPI: sindicalistas dizem que falha foi dos aparelhos mas FAB e PF mostram que eles funcionavam

Depois do depoimento prestado pelo delegado da Polícia Federal, Renato Sayão, à CPI do setor aéreo na Câmara, em que foi mostrada a gravação do diálogo dos pilotos do Legacy comprovando que o transponder estava desligado no momento do choque, o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, admitiu que pode ter havido falha dos controladores no episódio.

Apesar disso, Jorge Botelho insistiu que houve falha nos equipamentos ao contrário do que demonstra a FAB. Segundo o sindicalista, haveria as chamadas “zonas cegas” na região. Ele disse que situações de falha de comunicação entre torre e pilotos se repetiram diversas vezes após a acidente. Só não se sabe porquê o sindicalista não informou nada sobre a existência desses mesmos problemas no período anterior ao acidente. Já a Aeronáutica, por outro lado, nega a existência dos defeitos. Ela divulgou, na semana passada, um filme que contesta as afirmações de Botelho e mostra a funcionamento adequado dos equipamentos no momento do acidente. Segundo o porta-voz das Forças Armadas, várias outras aeronaves estavam na mesma área naquela data e todas tinham a comunicação funcionando perfeitamente. Inquérito da Polícia Federal também mostra que os equipamentos funcionavam na momento da batida do Legacy contra o avião da Gol.

O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, também negou, em seu depoimento à CPI, a existência de qualquer ponto não coberto por radares no espaço aéreo brasileiro. “Não existem pontos cegos no Brasil. Não é do conhecimento do Comando da Aeronáutica a existência de pontos cegos no território nacional”, disse.

A conversa divulgada pela PF mostra os pilotos norte-americanos admitindo que o equipamento de comunicação estava desligado. “Seu vôo estava nivelado”, questiona o comandante. “Nivelado em 370 (37 mil pés), responde o piloto em inglês. “O TCAS estava ligado?”. “Não”, diz o piloto. “Não?!”, espanta-se o comandante. “TCAS in off (desligado)”, responde novamente o piloto. Surge então uma terceira voz e o piloto muda a sua versão. “TCAS is on (ligado)”, diz o piloto. O delegado Sayão concluiu que os pilotos descumpriram o plano de vôo e erraram nos procedimentos ao detectarem falhas na comunicação com as torres de controle.

O presidente da Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo, sargento Wellington Rodrigues, que também prestou depoimento na terça-feira à CPI, levantou a hipótese de que o erro de rota dos pilotos pode não ter sido detectado pela torre por problemas nos software utilizados no controle dos vôos. Quando o Legacy sobrevoou Brasília ele deveria passar de 37 mil pés para a altitude de 36 mil pés. Os pilotos não seguiram a norma e permaneceram na mesma altitude.

Enquanto segue o debate no legislativo, inclusive no Senado, que por insistência de pefelistas e tucanos instalou também uma CPI sobre o mesmo assunto, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) concedeu liminar na segunda-feira tornando indisponíveis os bens da companhia aérea ExcelAire, proprietária do jato Legacy.
 

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25/05/2007
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