Kirchner reestatiza linhas férreas Roca e Belgrano na grande Buenos Aires
O presidente Néstor Kirchner
cancelou a concessão das linhas ferroviárias Roca e Belgrano Sul, que operam
na grande Buenos Aires, por “descumprimentos graves e reiterados” de suas
obrigações, e reestatizou o serviço, na terça-feira, dia 22, depois de
incidentes ocorridos na semana passada quando usuários revoltados pelos
atrasos dos trens queimaram a bilheteria da estação de Constituição, uma das
principais da capital.
No ato de entrega de
moradias populares em Quilmes, Kirchner assinalou que essa concessão tinha
sido realizada “na época de Menem, em 1994, quando começou a se implementar a
política que dizia: ramal que pára, é ramal que fecha, e assim, não fazendo
nenhum tipo de manutenção, só deixando sucatear as máquinas, foram
desarticulando toda a estrutura de nossos trens, que foi um dos principais e
mais eficientes meios de transporte do país”.
METROPOLITANO
Kirchner defende desde o
inicio de seu governo que o Estado assuma as ferrovias. Em 2004 anulou a
concessão dessa mesma empresa, a Metropolitano, da linha San Martín, que
também serve o conglomerado urbano que circunda o distrito federal de Buenos
Aires. “É inaceitável o abuso que se comete contra a população, principalmente
se considerarmos que o governo pagava um subsídio de, em média, 2 milhões de
dólares por mês ao Belgrano e de 4 milhões ao Roca, para tentar garantir um
serviço decente”, revelou o presidente.
Provisoriamente as linhas
serão operadas pela empresa estatal UGOFE, formada pelo governo durante as
estatizações anteriores no setor.
A Argentina foi vítima,
desde a ditadura que durou de 1976 a 1983, e, principalmente, durante a década
dos 90 sob Carlos Menem, de um processo selvagem de privatizações. Durante o
governo de Nestor Kirchner, algumas das mais nefastas foram revertidas. Está
sendo renegociado, por exemplo, o contrato que entregou, no governo de Menem,
o Aeroporto de Buenos Aires, ao amigo do capacho, Eduardo Eurne-kian, um
trânsfuga que já teve que fugir da Argentina, condenado por sonegação de
impostos.
Em maio de 2003, Kirchner
criou a estatal Linhas Aéreas Federais, que absorveu os ex-funcionários das
empresas de aviação LAPA e Dinar, fechadas também por Menem, e a Empresa
Nacional de Energia, Enarsa, com um capital inicial de 50 milhões de dólares e
a concessão de áreas petroleiras no litoral marítimo do país, para recortar o
monopólio da multinacional Repsol que se apoderou da principal empresa do
país, a ex-estatal YPF.
SANEAMENTO
Em novembro de 2003,
Kirchner rescindiu o contrato dos Correios, e em 2006, após 13 anos, o Estado
acabou com a concessão de Águas Argentinas (que estava nas mãos da francesa
Suez), que por falta de tratamento, mantinha elevadíssimos níveis de nitratos
nas águas, provocando doenças na população. Criou a estatal Água e Saneamento
Argentinos, AySA.
S.S.