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Gorki Caderno 2: 1 2-3  4-5  6-7 8
 

Sessões de 8 de março de 1938 dos Processos de Moscou, na íntegra

O assassinato de Máximo Gorki (II)

Após ser proferida a sentença no processo do “bloco direitista-trotskista”, a 13 de março de 1938, o embaixador dos EUA em Moscou, Joseph E. Davies, que havia assistido a todas as sessões do julgamento, enviou ao secretário de Estado, Cordel Hull, o cabograma cifrado nº 1.039. Davies, um milionário americano, advogado e empresário, carregado de preconceitos anti-soviéticos, como se pode perceber por suas palavras, relatava suas conclusões: “...Não obstante a reserva que emana das declarações diante de um sistema judicial que não oferece praticamente nenhuma proteção para o acusado, através da observação diária das testemunhas, da sua maneira de testemunhar, das confirmações inconscientes que se desenvolvem e dos demais fatores em curso no processo, juntamente a outros que podiam merecer a observação judicial, é minha opinião que foram provadas suficientemente infrações às leis soviéticas por parte dos acusados, o que justifica plenamente o veredicto de culpabilidade por traição e a aplicação das penas estabelecidas pelo Código Criminal Russo. A opinião dos diplomatas que acompanharam mais regularmente o processo foi, em geral, que se havia estabelecido a existência de um complô extremamente sério, que explicava muitos dos até então incompreensíveis acontecimentos dos últimos meses na União Soviética”.

Da mesma forma, o enviado do “The New York Times”, Walter Duranty, expressava em suas matérias a mesma conclusão. O minucioso interrogatório público dos réus, suas negaças, as tentativas de eludir seus atos, e, depois de confrontados com as provas, sua admissão de culpa acompanhada da tentativa de minimizar sua participação nos crimes cometidos, tinham a eloquência inconfundível da verdade. O assassinato de Máximo Gorki e os atos de terrorismo, planejados e perpetrados, eram parte integrante desse complô.

Apesar de seus esforços verdadeiramente desesperados - numa inundação de artigos publicados na imprensa anti-comunista - para desvincular-se de seus cúmplices, L. Trotsky, um ano antes, na edição de 26 de janeiro de 1937 do “New York Evening Journal”, na época a principal publicação da rede de jornais de W. R. Hearst, não pôde deixar de admiti-lo, com o inimitável pedantismo que lhe era peculiar: “Dentro do Partido, Stalin colocou-se acima de toda a crítica e do Estado. É impossível removê-lo, a não ser pelo assassinato. Todo oposicionista torna-se, ipso facto, um terrorista”. (CL)

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