A construção do socialismo na URSS (II)
Neste caderno, colocamos à disposição dos leitores a segunda
parte dos capítulos da “História do Partido Comunista (bolchevique) da URSS”
que tratam da construção do socialismo. Naturalmente, esta obra, por ter sido
publicada em 1938, não abarca toda a construção do socialismo na URSS. Porém,
contém o essencial, uma vez que apenas dois anos depois os soviéticos tiveram
que enfrentar e vencer a invasão nazista. Foi exatamente a estupenda realização
dos soviéticos durante os anos aqui relatados que permitiu com que a URSS vencesse
o nazismo, liderando os povos do mundo no combate mais decisivo em que até então
haviam se empenhado. Da mesma forma, foram esses alicerces que fizeram com que o
país conseguisse, após a guerra, e apesar das imensas perdas humanas e materiais,
reconstruir-se em apenas cinco anos.
Na parte que hoje apresentamos, é impressionante a luta
travada pelo povo soviético, liderado por Stalin, para superar as dificuldades
materiais e a acirrada e cada vez mais criminosa - porque cada vez mais
desesperada - resistência dos inimigos da edificação do socialismo. A
industrialização do país, os planos quinquenais, a coletivização da
agricultura, a preparação do país para a guerra iminente, todos esses episódios
vitoriosos que distinguiram toda uma era na história da Humanidade, só puderam
ser alcançados devido à luta tenaz do partido, em especial de seu principal
dirigente, à frente do povo. Exatamente por isso, esse período - e seus
protagonistas - tornou-se o mais difamado por todos os parasitas, exploradores e
sequazes. O que somente demonstra a imensa grandeza desta obra.
CARLOS
LOPES
A luta pela industrialização
socialista – Formação do bloco
trotskista-zinovievista – Atuação anti-soviética deste bloco
Depois do 15º Congresso, o
Partido desenvolveu a luta para pôr em prática a linha geral a
respeito da industrialização socialista do país.
No período de restauração da economia, o problema
consistia em tirar da sua prostração, antes de tudo, a agricultura, em obter
desta matérias primas e artigos alimentícios e pôr em movimento e restaurar a
indústria, as fábricas e empresas industriais existentes.
O poder soviético resolveu com relativa facilidade estes
problemas.
O período de restauração da economia apresentava três
grandes limitações.
Em primeiro lugar, só existiam as velhas fábricas e
empresas industriais, com sua técnica velha e atrasada, que podiam ficar
imprestáveis dentro de pouco tempo. Apresentava-se o problema de equipar de
novo estas fábricas e empresas industriais nos moldes da técnica moderna.
Em segundo lugar, o período de restauração da economia
se encontrou com uma indústria cuja base era muito reduzida, pois entre as fábricas
e empresas industriais existentes faziam falta dezenas e centenas de fábricas
de construção de maquinaria, absolutamente necessárias para o país, fábricas
que não existiam então e que era indispensável construir, já que sem elas não
pode existir uma verdadeira indústria. Apresentava-se, portanto, o problema de
criar estas fábricas e de equipá-las com uma técnica nova.
Em terceiro lugar, o período de restauração da economia
se preocupava, principalmente, com a indústria leve que desenvolveu e pôs a
funcionar. Porém este desenvolvimento da indústria leve continuava se apoiando
numa indústria pesada pobre, além de outras exigências do país reclamarem
também, para sua satisfação, uma indústria pesada progressista.
Apresentava-se, pois, o problema do passar para o primeiro plano, de agora por
diante, a indústria pesada.
Todos estes novos problemas eram os que a política da
industrialização socialista tinha que resolver.
Era necessário construir toda uma série de ramos
industriais, desconhecidos da Rússia czarista: máquinas e equipamentos, automóveis,
produtos químicos, metalúrgicas; organizar uma produção própria de motores
e de material para a instalação de centrais elétricas; incrementar a extração
de metais e de carvão, pois assim o exigia a causa do triunfo do socialismo na
URSS.
Era necessário criar uma nova indústria de guerra,
construir novas fábricas de artilharia, de munições, de aviação, de tanques
e de metralhadoras, pois assim o exigiam os interesses da defesa da URSS, sob as
condições de cerco capitalista.
Era necessário construir fábricas de tratores, fábricas
de maquinaria agrícola moderna, abastecendo com elas a agricultura, para dar
aos milhões de pequenos camponeses individuais a possibilidade de passar para a
grande produção kolkhosiana, pois assim o exigiam os interesses do triunfo do
socialismo no campo.
Tudo isto era o que a política da industrialização tinha
que resolver, pois nisso consistia, precisamente, a industrialização
socialista do país.
É fora de dúvida que a construção de obras básicas tão
gigantescas não se podia realizar sem uma inversão de milhares de milhões.
Para isto não se podia contar com empréstimos estrangeiros, pois os países
capitalistas se negavam a concedê-los. Era necessário realizar esta empresa
com os próprios recursos do país, sem a ajuda de fora. O país soviético não
era ainda, então, uma nação rica.
Nisto consistia uma das principais dificuldades deste período.
Os países capitalistas costumavam criar sua indústria
pesada às expensas dos recursos que afluíam para eles de fora: à custa do
saque das colônias, das contribuições impostas aos povos vencidos e dos empréstimos
estrangeiros. O país dos Soviets não podia recorrer, por princípio, para
financiar a industrialização, a essas sujas fontes de renda que o saque dos
povos coloniais ou dos povos vencidos proporciona. Quanto aos empréstimos
estrangeiros, a negativa dos países capitalistas em concedê-los fechava à
URSS este caminho. Era preciso encontrar os recursos necessários dentro do país.
E na URSS se encontraram estes recursos. A URSS descobriu
fontes de acumulação desconhecidas em todos os Estados capitalistas. O Estado
Soviético dispunha de todas as fábricas e empresas industriais, de todas as
terras, confiscadas pela Revolução Socialista de Outubro aos capitalistas e
latifundiários, dos transportes, dos bancos, do comércio exterior e interior.
Os lucros obtidos pelas fábricas e empresas industriais do Estado, pelos
transportes, pelo comércio, pelos bancos já não eram consumidos pela classe
parasitária dos capitalistas, porém eram investidos para continuar
desenvolvendo a indústria.
O poder soviético tinha anulado as dívidas czaristas,
pelas quais o povo tinha que pagar todos os anos centenas de milhões de rublos ouro, somente no que se refere a juros. Ao abolir a
propriedade dos latifundiários sobre a terra, o poder soviético libertou os
camponeses da obrigação de pagar todos os anos aos latifundiários cerca de
500 milhões de rublos ouro, a que montavam as rendas da terra. Os camponeses,
livres desta carga, podiam ajudar o Estado a construir uma nova e poderosa indústria.
Para isto, estavam vitalmente interessados em dispor de tratores e de maquinaria
agrícola.