O Estado dispunha de todas estas fontes de renda. Delas
podiam sair centenas e milhares de milhões de rublos para construir a indústria
pesada. A única coisa que faltava era abordar o problema de um modo rendoso e
implantar um severíssimo regime de economia em matéria de despesas,
racionalizar a produção, reduzir os preços de custo desta, acabar com os
gastos improdutivos, etc.
E assim foi, com efeito, como procedeu o poder soviético.
Graças ao regime de economia que se seguiu, a cada ano
eram mais consideráveis os recursos que se acumulavam para investir em obras básicas.
E assim, foi possível atacar a construção de empresas tão gigantescas como a
central elétrica do Dnieper, a estrada de ferro do Turquestão à Sibéria, a fábrica
de tratores de Stalingrado, as fábricas de automóveis “AMO” (hoje fábrica
Stalin), etc. Em 1926-1927, se investiram na indústria cerca de mil milhões de
rublos; três anos depois, se puderam investir nelas já uns 5.000 milhões.
A obra da industrialização continuava avançando.
Os países capitalistas viam no fortalecimento da economia
socialista da URSS uma ameaça para a existência do sistema capitalista. Em
vista disto, os governos imperialistas tomaram todas as medidas imagináveis
para exercer uma nova pressão sobre a URSS, para impedir, frustrar, ou pelo
menos, enfraquecer, a marcha da industrialização na União Soviética.
Em maio de 1927, os conservadores ingleses, os reacionários
que estavam no poder, organizaram um assalto de provocação contra a Sociedade
Soviética para o Comércio com a Inglaterra (“Arkos”). Em maio de 1927, o
governo conservador inglês rompeu as relações diplomáticas e comerciais com
a URSS
Em 7 de julho de 1927, um guarda branco russo, súdito
polaco, assassinou em Varsóvia o embaixador da URSS, camarada Voikov.
Ao mesmo tempo, os espiões e agentes ingleses emboscados
no território da URSS lançaram várias bombas contra um clube do Partido em
Leningrado, ferindo 30 pessoas, várias delas gravemente.
No verão de 1927, produziram-se quase simultaneamente
assaltos contra as embaixadas e delegações comerciais da URSS em Berlim,
Pequim, Xangai e Tientsin.
Veio isto aumentar as dificuldades com que tinha que lutar
o poder soviético.
A URSS porém não se rendeu à pressão e rechaçou
facilmente os assaltos provocadores dos imperialistas e dos seus agentes.
Não foram menores as dificuldades que originaram ao
Partido e ao Estado Soviético os trotskistas e demais elementos da oposição,
com seu trabalho de sapa. Não em vão, dizia o camarada Stalin, naquele tempo,
que contra o poder soviético “se formava uma espécie de frente única, que
ia desde Chamberlain até Trotsky”. Apesar das resoluções do 15º Congresso
do Partido e das promessas de lealdade feitas pela oposição, seus sequazes não
depunham as armas. Longe disso, intensificavam cada vez mais seu trabalho
divisionista e de sapa.
No verão de 1926, os trotskistas e os zinovievistas se
uniram num bloco anti-bolchevique, agruparam em torno deste bloco os restos de
todos os grupos da oposição derrotados e assentaram as bases para um partido
clandestino anti-leninista, infringindo deste modo gravemente os estatutos do
Partido e as resoluções dos seus Congressos, que proibiam a formação de toda
a classe de frações. O Comitê Central do Partido advertiu que se este bloco
anti-bolchevique, formado à imagem e semelhança do célebre bloco menchevique
de agosto, não fosse dissolvido, os seus componentes podiam acabar mal. Os
elementos que formavam o bloco não cederam, porém.
No outono do mesmo ano, nas vésperas da 15º Conferência
do Partido, procuraram uma saída nas assembléias organizadas nas fábricas de
Moscou, Leningrado e outras cidades, tentando impor ao Partido uma nova discussão.
Ao mesmo tempo, submeteram à apreciação dos filiados uma plataforma que não
era mais que uma cópia da conhecida plataforma trotskista-menchevique,
anti-leninista. Os filiados do Partido combateram energicamente os elementos da
oposição e em alguns lugares os expulsaram das assembléias, sem rodeios. O
Comitê Central advertiu novamente aos componentes do bloco que o Partido não
podia continuar tolerando seu trabalho de sapa.
Os elementos da oposição apresentaram ao Comitê Central
uma declaração subscrita por Trotsky, Zinoviev, Kamenev, Sokolnikov, na qual
condenavam seu trabalho divisionista e prometiam manter daí por diante uma
atitude leal para com o Partido. Não obstante, o bloco continuou existindo de
fato e os seus componentes não cessaram sua atuação clandestina contra o
Partido. Continuaram juntando os pedaços de seu partido anti-leninista,
montaram uma imprensa clandestina, angariavam quotas entre seus sequazes e
difundiam sua plataforma.
Em relação a esta conduta dos trotskistas e
zinovievistas, a 15ª Conferência do Partido (novembro de 1926) e o pleno
ampliado do Comitê Executivo da Internacional Comunista (dezembro de 1926)
puseram em discussão as questões do bloco trotskista-zinovievista e nas suas
resoluções estigmatizaram os componentes deste bloco, como elementos
divisionistas que em sua plataforma desceram até às posições mencheviques.
Os componentes do bloco, porém, não aproveitaram esta lição.
Em 1927, no momento em que os conservadores ingleses rompiam as relações
diplomáticas e comerciais com a URSS, aqueles elementos voltaram a intensificar
seus ataques contra o Partido. Arranjaram uma nova plataforma anti-leninista, a
chamada “plataforma dos 83”, e começaram a difundi-la entre os filiados do
Partido, exigindo que o Comitê Central se prestasse a abrir uma nova discussão
com caráter geral. Esta plataforma era, talvez, a mais hipócrita e farisaica
de todas as plataformas apresentadas pela oposição.
De palavra, isto é, na sua plataforma, os trotskistas e
zinovievistas não faziam nenhuma restrição à observância das resoluções
do Partido e se pronunciavam a favor da lealdade a este, porém de fato
infringiram da forma mais grave as resoluções do Partido, zombando de tudo o
que significasse lealdade a ele e ao Comitê Central.
De palavra, isto é, na sua plataforma, não opunha a menor
restrição à unidade do Partido, e se pronunciavam contrários à divisão,
porém, de fato, infringiram da forma mais grave a linha do Partido, seguiam uma
linha divisionista, e contavam já com seu próprio partido clandestino,
anti-leninista, maduro para se converter em um partido anti-soviético,
contra-revolucionário.
De palavra, isto é, na sua plataforma se pronunciavam a
favor da política da industrialização e chegavam inclusive a acusar o Comitê
Central de dirigi-la com um ritmo que não era suficientemente rápido, porém
de fato denegriam a resolução do Partido sobre o triunfo do socialismo na
URSS, zombavam da política da industrialização socialista, exigiam que se
entregassem aos estrangeiros, a titulo de concessões, toda uma série de fábricas
e empresas industriais e depositavam suas principais esperanças nas concessões
capitalistas estrangeiras na URSS.
De palavra, isto é, na sua plataforma, se manifestavam a
favor do movimento kolkhosiano, chegavam inclusive a acusar o Comitê Central de
dirigir a coletivização com um ritmo que não era suficientemente rápido, porém
de fato zombavam da política de incorporação dos camponeses à edificação
socialista, pregavam que surgiriam inevitavelmente “conflitos insolúveis”
entre a classe operária e os camponeses e depositavam suas esperanças nos
“arrendatários civilizados” no campo, isto é, nas explorações dos
kulaks.
Era esta a plataforma mais hipócrita de todas as
plataformas hipócritas da oposição. A sua única finalidade era enganar o
Partido.
O Comitê Central se negou a abrir imediatamente a discussão,
declarando aos sequazes da oposição que essa só podia abrir-se como
preceituavam os estatutos do Partido, isto é, com dois meses de antecedência a
um Congresso.
Em outubro de 1927, dois meses antes de se celebrar o 15º
Congresso, o Comitê Central declarou aberta a discussão geral. Começou a
batalha. Os resultados da discussão foram desastrosos para o bloco trotskista e
zinovievista. Votaram a favor da política do Comitê Central 724.000 filiados e
a favor do bloco trotskista e zinovievista 4.000, isto é, menos de um por
cento. O bloco anti-bolchevique sofreu uma acachapante derrota. O Partido,
animado por um só espírito, rechaçou por esmagadora maioria a plataforma do
bloco.
O Partido, para cuja opinião os componentes do bloco
tinham apelado por iniciativa própria, expressava assim sua vontade de modo
inequívoco.
Os componentes do bloco, porém, não aproveitaram esta lição.
Em vez de se submeterem à vontade do Partido, decidiram miná-la. Antes mesmo
de terminar a discussão, vendo-se inevitável e ignominiosamente fracassados,
resolveram recorrer a formas mais agudas de luta. Decidiram organizar uma
manifestação aberta de protesto em Moscou e em Leningrado. Escolheram para
isto a data de 7 de Novembro, aniversário da Revolução de Outubro, em que os
trabalhadores da URSS desfilam em manifestações revolucionárias com todo o
povo. Os trotskistas e os zinovievistas se propunham, portanto, a organizar uma
manifestação paralela a esta. Como era de esperar, os sequazes do bloco só
conseguiram congregar na rua um punhado ridículo de comparsas que foram
varridos e repelidos com seus corifeus, pela manifestação de todo o povo.
Agora, já não se podia duvidar que os trotskistas e os
zinovievistas tinham se afundado no
charco anti-soviético. Se na discussão geral do Partido apelavam para este
contra o Comitê Central, agora, ao organizarem sua lamentável manifestação,
lançavam-se pelo caminho de apelar para as classes inimigas contra o Partido e
o Estado Soviético. Ao traçarem como objetivo a destruição do Partido
bolchevique, tinham inevitavelmente que descer até o caminho da luta contra o
Estado Soviético, pois no país dos Soviets, o Partido bolchevique e o Estado são
inseparáveis. Com isso, os corifeus do bloco trotskista-zinovievista se
colocavam fora do Partido, pois era impossível continuar tolerando nas fileiras
do Partido bolchevique pessoas que tinham rolado até o charco anti-soviético.
Em 14 de novembro de 1927, em uma reunião conjunta do
Comitê Central e da Comissão Central de Controle, Trotsky e Zinoviev foram
expulsos do Partido.
Êxitos da industrialização socialista – Atraso da
agricultura – O 15º Congresso do Partido – Esmagamento do bloco
trotskista-zinovievista – A política de duas caras
Em fins de 1927, começaram a se destacar êxitos decisivos
na política da industrialização socialista. A industrialização, dentro das
condições da NEP, realizou importantes avanços em pouco tempo. A indústria e
a agricultura em conjunto (incluindo a exploração florestal e a pesca), não só
alcançaram o nível de produção global de antes da guerra, senão que o
ultrapassaram. O peso especifico da indústria dentro da economia nacional
aumentou até 42 por cento, alcançando o nível proporcional de antes da
guerra.
O setor socialista da indústria crescia rapidamente a
expensas do setor privado, aumentando de 81 por cento em 1924-1925, até 86 por
cento em 1926-1927, ao mesmo tempo em que o peso específico do setor privado
decrescia, durante este período, de 19 a 14 por cento.
Isto significava que a industrialização na URSS tinha um
caráter socialista que se ia acentuando rapidamente, que a indústria da URSS
se desenvolvia pela via do triunfo do sistema socialista de produção, que no
terreno da indústria o problema de “Quem vencerá?” estava já resolvido a
favor do socialismo.
Com a mesma rapidez os comerciantes privados iam sendo
desalojados do comércio; sua participação no comércio varejista decresceu de
42 por cento, em 1924-1925, a 32 por cento em 1926-1927, e não falemos no comércio
atacadista, onde a participação dos particulares desceu, nesse mesmo período,
de 9 a 5 por cento.
Era, porém, mais rápido ainda o ritmo com que se
desenvolvia a grande indústria socialista, que em 1927, isto é, no primeiro
ano depois do período de restauração da Economia, viu aumentar sua produção
em 18 por cento, em comparação com a do ano precedente. Era este um recorde de
desenvolvimento da produção, inesquecível até para a grande indústria dos
países capitalistas mais adiantados.
A agricultura, principalmente a cultura de cereais,
apresentava, ao contrário, um quadro muito diverso. Ainda que, em conjunto, a
agricultura houvesse ultrapassado o nível de antes da guerra, a produção
global de seu ramo mais importante, o de cultivo de cereais, só produzia 91 por
cento do nível de antes da guerra, e a parte mercantil da produção de
cereais, a parte que se destinava a ser vendida para o aprovisionamento das
cidades representava apenas 37 por cento do nível de antes da guerra; além
disso todos os indícios anunciavam o perigo de que a produção de trigo para o
mercado continuaria decrescendo.
Isto significava que a divisão das grandes fazendas
produtoras de mercadorias no campo em pequenas explorações e destas em outras
ainda menores, processo que começou em 1918, prosseguia sempre; que as pequenas
e diminutas explorações camponesas se convertiam em economias de tipo
semi-natural, capazes de produzir somente uma quantidade mínima de trigo para o
mercado, que o cultivo de cereais em 1927, apesar de ser somente a produção um
pouco menor que a de antes da guerra, só deixava margem para vender para as
cidades um pouco mais da terça parte da quantidade de trigo que os cultivadores
de cereais podiam vender antes da guerra.
Não havia dúvida de que, se não acabasse com tal estado
de coisas no cultivo de cereais, o exército e as cidades da URSS seriam levados
a uma situação de fome crônica. Tratava-se de uma crise do cultivo de
cereais, à qual seguiria necessariamente uma crise da pecuária.
Para sair dessa situação, era necessário passar, na
agricultura, ao sistema da grande produção, capaz de utilizar os serviços de
tratores e máquinas agrícolas e de multiplicar o rendimento do cultivo de
cereais para o mercado. Duas possibilidades se abriam ante o país: passar à
grande produção de tipo capitalista, o que equivalia a arruinar as massas
camponesas, romper a aliança, entre a classe operária e os camponeses,
fortalecer os kulaks e acabar com o socialismo no campo, ou marchar pelo caminho
da agrupação das pequenas explorações camponesas em grandes explorações de
tipo socialista, em kolkhoses, capazes de utilizar tratores e outras máquinas
agrícolas modernas para desenvolver rapidamente o cultivo de cereais e sua
produção para o mercado.
É evidente que o Partido bolchevique e o Estado Soviético
só podiam marchar pelo segundo caminho, pelo caminho kolkhosiano de
desenvolvimento da agricultura.
Para isso o Partido se baseava nas seguintes indicações
de Lênin a respeito da necessidade de passar das pequenas explorações
camponesas às grandes explorações agrícolas coletivas, de artel:
a) “Com a pequena exploração não se pode sair da miséria”
(Lênin, t. XXIV pág. 540, ed. russa).
b) “Se continuarmos aferrados rotineiramente às pequenas
explorações, ainda que sejamos cidadãos livres sobre a terra livre, nos ameaçará,
apesar de tudo, o desmoronamento inevitável” (t. XX pág. 417, ed. russa).
c) “Se a economia camponesa tem de continuar
desenvolvendo-se, é necessário assegurar também solidamente a sua evolução
ulterior, e esta evolução ulterior consistirá, inevitavelmente, em que,
unificando-se gradualmente, as pequenas explorações camponesas isoladas, as
menos proveitosas e as mais atrasadas, organizem conjuntamente a exploração
agrícola coletiva em grande escala” (t. XXVI, pág. 299, ed. russa).
d) “Só mostrando praticamente aos camponeses as
vantagens do cultivo agrícola social, coletivo, em forma de cooperativas, de
artéis; só auxiliando o camponês, com a ajuda do regime cooperativo, do
artel, poderá a classe operária, que tem em suas mãos o poder do Estado,
demonstrar realmente ao camponês sua justeza, atraindo firmemente para seu lado
a massa de milhões e milhões de camponeses” (t. XXIV, pág. 579 ed. russa).
Tal era a situação nas vésperas do 15º Congresso do
Partido.
O 15º Congresso foi aberto em 2 de dezembro de 1927.
Tomaram parte nele 898 delegados com palavra e voto e 771 com palavra somente,
representando 887.233 filiados e 348.957 aspirantes.
Assinalando no seu informe os êxitos da industrialização
e o rápido desenvolvimento da indústria socialista, o camarada Stalin
apresentava ao Partido esta tarefa:
“Desenvolver e fortalecer nossos postos de comando
socialistas em todos os ramos da economia, tanto na cidade como no campo, com o
fim de liquidar os elementos capitalistas na economia nacional”.
Fazendo um paralelo entre a agricultura e a indústria e
assinalando o atraso daquela, principalmente no cultivo de cereais, atraso que
se explicava pelo desmembramento da agricultura, incompatível com a aplicação
da técnica moderna, o camarada Stalin destacava que este estado pouco satisfatório
da agricultura representava um perigo para toda a economia nacional.
“Onde está a solução?” – perguntava o camarada
Stalin.
“A solução – respondia – está na passagem das
pequenas explorações camponesas espalhadas para as grandes explorações
unificadas na base do cultivo em comum da terra, na passagem ao cultivo coletivo
da terra na base de uma nova e mais elevada técnica. A solução está em que
as pequenas e diminutas explorações camponesas se agrupem paulatina, porém
infalivelmente, não por meio da coação, mas por meio do exemplo e da persuasão,
em grandes explorações, sobre a base do cultivo em comum, do cultivo
cooperativo, coletivo da terra, mediante o emprego de maquinaria agrícola e de
tratores e a aplicação de métodos científicos destinados a intensificar a
agricultura. Não há outra solução”.
O 15º Congresso tomou a resolução de desenvolver por
todos os meios a obra de coletivização da agricultura. Traçou um plano para
desenvolver e consolidar uma rede de kolkhoses e sovkhoses e deu instruções
claras e precisas sobre os métodos de luta em prol da coletivização da
agricultura. Ao mesmo tempo, o Congresso traçou a norma de:
“continuar desenvolvendo a ofensiva contra os kulaks e
tomar um série de medidas novas que restringiam o desenvolvimento do
capitalismo no campo e encaminhem a Economia camponesa para socialismo”.
(Resoluções do PC (b) da URSS, parte II pág. 260).
Finalmente, partindo do fortalecimento do princípio da
planificação na economia nacional e visando a organização, segundo um plano,
da ofensiva do socialismo contra os elementos capitalistas em toda a frente da
economia nacional, o Congresso deu aos organismos competentes a norma de
estabelecer o primeiro Plano qüinqüenal da economia nacional soviética.
Depois de examinar os problemas da edificação do
socialismo, o 15º Congresso passou ao problema da liquidação do Bloco
trotskista-zinovievista.
O Congresso reconheceu que “a oposição rompeu
ideologicamente com o leninismo, degenerou em um grupo menchevique, abraçou o
caminho da capitulação ante as forças da burguesia internacional e interior e
se converteu, objetivamente, numa arma da terceira força contra o regime da
ditadura proletária” (“Resoluções do PC (b) da URSS” parte II. Pág.
232).
O Congresso comprovou que as discrepâncias existentes
entre o Partido e a oposição tinham-se agravado, convertendo-se em divergências
de caráter programático, e que a oposição trotskista marchava pelo caminho
da luta anti-soviética. Por isso o 15º Congresso declarou que pertencer à
oposição trotskista e propagar suas idéias era incompatível com a permanência
dentro das fileiras do Partido bolchevique.
O Congresso referendou a resolução de expulsão do
Partido de Trotsky e Zinoviev tomada na reunião conjunta do Comitê Central e
da Comissão de Controle, e resolveu expulsar todos os elementos ativos do bloco
trotskista-zinovievista, tais como Radek, Preobrazhenski, Rakovski, Piatakov,
Serebriakov, I. Smirnov, Kamenev, Sarkis, Safarov, Lifshitz, Mdivani, Smilga e
de todo o grupo dos “centralistas democráticos” (Sapronov, V. Smirnov,
Boguslavski, Drokhnis e outros).
Os sequazes do bloco trotskista-zinovievista, derrotados
ideologicamente e desmantelados no terreno da organização, perderam os últimos
vestígios de sua influência no povo.
Algum tempo depois do 15º Congresso, os anti-leninistas,
expulsos do Partido, começaram a formular declarações de ruptura com o
trotskismo, implorando sua readmissão. Naturalmente, o Partido não podia saber
ainda, naquela época, que Trotsky, Rakovski, Radek, Kretinski, Sokolnikov e
outros eram, há muito tempo, inimigos do povo e espiões arrolados nos serviços
de espionagem estrangeira; que Kamenev, Zinoviev, Piatakov e outros já
mantinham contato com os inimigos da URSS nos países capitalistas para
“colaborar” com eles contra o povo Soviético. Estava, porém bastante
adestrado pela experiência para esperar todas as vilanias imagináveis destes
indivíduos, que se tinham levantado repetidas vezes contra Lênin e o Partido
leninista nos momentos mais difíceis. Por isso, o Partido recebeu com
desconfiança as declarações dos expulsos, e como primeira prova da
sinceridade dos assinantes daquelas declarações submeteu a sua readmissão às
seguintes condições:
a) Condenação aberta do trotskismo, como ideologia
anti-bolchevique e anti-soviética.
b) Reconhecimento aberto da política do Partido, como a única
política certa.
c) Submissão incondicional às resoluções do Partido e
de seus órgãos.
d) Fixação de um prazo de prova, durante o qual o Partido
observaria a conduta dos assinantes das declarações e a cuja terminação, em
vista dos resultados da prova, examinaria a conveniência de readmitir ou não
em separado cada um dos indivíduos expulsos.
Ao proceder assim, o Partido entendia que o reconhecimento
aberto destes pontos pelos indivíduos expulsos seria, em todo caso, favorável
para o Partido, já que romperia a unidade das fileiras
trotskista-zinovievistas, levando a elas a discórdia, ressaltaria uma vez mais
a justeza e a pujança do Partido e daria a este no caso de que as declarações
assinadas fossem sinceras, a possibilidade de readmitir em seu seio os antigos
militantes, e no caso de que fossem falsas, a de desmascará-los aos olhos de
todos, não já como pessoas equivocadas, porém como arrivistas sem princípios,
como mistificadores da classe operária e falsários intransigentes.
A maioria dos expulsos aceitou as condições impostas pelo
Partido para seu reingresso e publicou na imprensa as correspondentes declarações.
O Partido, com pena deles e não querendo privá-los da
possibilidade de voltar a militar nas suas fileiras restituiu-lhes o direito de
filiados.
Entretanto, com o correr do tempo, se tornou evidente que
as declarações assinadas pelos “militantes ativos” do bloco
trotskista-zinovievista eram, salvo poucas exceções, mentirosas e falsas, dos
pés à cabeça.
Comprovou-se que, mesmo antes de formular suas declarações,
estes cavalheiros tinham deixado de representar uma corrente política capaz de
defender suas idéias perante o povo, para se converterem numa camarilha de
arrivistas sem princípios, capazes de espezinhar publicamente o que lhes
restava de suas idéias, capazes de elogiar publicamente as idéias do Partido,
estranhas a eles, capazes de adotar, como os camaleões, qualquer cor, contanto
que se mantivessem dentro do Partido, dentro da classe operária, para poder
enlamear a ambos.
Os “militantes ativos” trotskista-zinovievistas não
eram mais que chantagistas políticos, falsários políticos.
Os falsários políticos costumam começar pela fraude,
visando com seus manejos tenebrosos mistificar o povo, a classe operária e seu
Partido. Porém não se deve considerá-los como simples mistificadores. Os falsários
políticos são uma camarilha de ativistas políticos sem princípios que, tendo
perdido há muito tempo a confiança do povo, se esforçam em conquistá-la de
novo mediante a fraude, mediante métodos camaleônicos, mediante a chantagem
por qualquer procedimento que seja, contanto que não percam o título de
militantes políticos. Os falsários políticos são uma camarilha de arrivistas
sem princípios, capazes de se apoiarem em qualquer coisa, ainda que seja em
delinqüentes, ainda que seja nos rebotalhos da sociedade, ainda que seja nos
inimigos mais tenebrosos do povo, contanto que possam aparecer novamente no cenário
político no “momento oportuno” e se lançar ao pescoço do povo como seus
“governantes”.
A esta espécie de falsários políticos pertenciam, como
se demonstrou, os “militantes ativos” trotskistas-zinovievistas.
A ofensiva contra os kulaks – O grupo de Bukharin-Rykov
contra o Partido – O primeiro Plano Qüinqüenal – A emulação socialista
– Começa o movimento kolkhosiano de massa
A agitação do bloco trotskista-zinovievista contra a política
do Partido, contra a edificação do socialismo, e contra a coletivização,
assim como a dos bukharinistas, sustentando que os kolkhoses fracassariam, que não
se devia tocar nos kulaks, que eles mesmos “se incorporariam” ao socialismo,
e que o enriquecimento da burguesia não representava nenhum perigo para o
regime socialista: toda esta agitação repercutia consideravelmente entre os elementos capitalistas
do país e, principalmente, entre os kulaks. Estes sabiam agora, pelo que
transparecia através da imprensa, que não estavam sós, que contavam com
defensores e advogados como Trotsky, Zinoviev, Kamenev, Bukharin, Rykov e
outros.