Caderno Especial 1- A construção do socialismo na URSS: 1 2-3  4-5  6-7 8

Caderno Especial 2- A construção do socialismo na URSS: 1 2-3  4-5  6-7 8
 

O Estado dispunha de todas estas fontes de renda. Delas podiam sair centenas e milhares de milhões de rublos para construir a indústria pesada. A única coisa que faltava era abordar o problema de um modo rendoso e implantar um severíssimo regime de economia em matéria de despesas, racionalizar a produção, reduzir os preços de custo desta, acabar com os gastos improdutivos, etc.

E assim foi, com efeito, como procedeu o poder soviético.

Graças ao regime de economia que se seguiu, a cada ano eram mais consideráveis os recursos que se acumulavam para investir em obras básicas. E assim, foi possível atacar a construção de empresas tão gigantescas como a central elétrica do Dnieper, a estrada de ferro do Turquestão à Sibéria, a fábrica de tratores de Stalingrado, as fábricas de automóveis “AMO” (hoje fábrica Stalin), etc. Em 1926-1927, se investiram na indústria cerca de mil milhões de rublos; três anos depois, se puderam investir nelas já uns 5.000 milhões.

A obra da industrialização continuava avançando.

Os países capitalistas viam no fortalecimento da economia socialista da URSS uma ameaça para a existência do sistema capitalista. Em vista disto, os governos imperialistas tomaram todas as medidas imagináveis para exercer uma nova pressão sobre a URSS, para impedir, frustrar, ou pelo menos, enfraquecer, a marcha da industrialização na União Soviética.

Em maio de 1927, os conservadores ingleses, os reacionários que estavam no poder, organizaram um assalto de provocação contra a Sociedade Soviética para o Comércio com a Inglaterra (“Arkos”). Em maio de 1927, o governo conservador inglês rompeu as relações diplomáticas e comerciais com a URSS

Em 7 de julho de 1927, um guarda branco russo, súdito polaco, assassinou em Varsóvia o embaixador da URSS, camarada Voikov.

Ao mesmo tempo, os espiões e agentes ingleses emboscados no território da URSS lançaram várias bombas contra um clube do Partido em Leningrado, ferindo 30 pessoas, várias delas gravemente.

No verão de 1927, produziram-se quase simultaneamente assaltos contra as embaixadas e delegações comerciais da URSS em Berlim, Pequim, Xangai e Tientsin.

Veio isto aumentar as dificuldades com que tinha que lutar o poder soviético.

A URSS porém não se rendeu à pressão e rechaçou facilmente os assaltos provocadores dos imperialistas e dos seus agentes.

Não foram menores as dificuldades que originaram ao Partido e ao Estado Soviético os trotskistas e demais elementos da oposição, com seu trabalho de sapa. Não em vão, dizia o camarada Stalin, naquele tempo, que contra o poder soviético “se formava uma espécie de frente única, que ia desde Chamberlain até Trotsky”. Apesar das resoluções do 15º Congresso do Partido e das promessas de lealdade feitas pela oposição, seus sequazes não depunham as armas. Longe disso, intensificavam cada vez mais seu trabalho divisionista e de sapa.

No verão de 1926, os trotskistas e os zinovievistas se uniram num bloco anti-bolchevique, agruparam em torno deste bloco os restos de todos os grupos da oposição derrotados e assentaram as bases para um partido clandestino anti-leninista, infringindo deste modo gravemente os estatutos do Partido e as resoluções dos seus Congressos, que proibiam a formação de toda a classe de frações. O Comitê Central do Partido advertiu que se este bloco anti-bolchevique, formado à imagem e semelhança do célebre bloco menchevique de agosto, não fosse dissolvido, os seus componentes podiam acabar mal. Os elementos que formavam o bloco não cederam, porém.

No outono do mesmo ano, nas vésperas da 15º Conferência do Partido, procuraram uma saída nas assembléias organizadas nas fábricas de Moscou, Leningrado e outras cidades, tentando impor ao Partido uma nova discussão. Ao mesmo tempo, submeteram à apreciação dos filiados uma plataforma que não era mais que uma cópia da conhecida plataforma trotskista-menchevique, anti-leninista. Os filiados do Partido combateram energicamente os elementos da oposição e em alguns lugares os expulsaram das assembléias, sem rodeios. O Comitê Central advertiu novamente aos componentes do bloco que o Partido não podia continuar tolerando seu trabalho de sapa.

Os elementos da oposição apresentaram ao Comitê Central uma declaração subscrita por Trotsky, Zinoviev, Kamenev, Sokolnikov, na qual condenavam seu trabalho divisionista e prometiam manter daí por diante uma atitude leal para com o Partido. Não obstante, o bloco continuou existindo de fato e os seus componentes não cessaram sua atuação clandestina contra o Partido. Continuaram juntando os pedaços de seu partido anti-leninista, montaram uma imprensa clandestina, angariavam quotas entre seus sequazes e difundiam sua plataforma.

Em relação a esta conduta dos trotskistas e zinovievistas, a 15ª Conferência do Partido (novembro de 1926) e o pleno ampliado do Comitê Executivo da Internacional Comunista (dezembro de 1926) puseram em discussão as questões do bloco trotskista-zinovievista e nas suas resoluções estigmatizaram os componentes deste bloco, como elementos divisionistas que em sua plataforma desceram até às posições mencheviques.

Os componentes do bloco, porém, não aproveitaram esta lição. Em 1927, no momento em que os conservadores ingleses rompiam as relações diplomáticas e comerciais com a URSS, aqueles elementos voltaram a intensificar seus ataques contra o Partido. Arranjaram uma nova plataforma anti-leninista, a chamada “plataforma dos 83”, e começaram a difundi-la entre os filiados do Partido, exigindo que o Comitê Central se prestasse a abrir uma nova discussão com caráter geral. Esta plataforma era, talvez, a mais hipócrita e farisaica de todas as plataformas apresentadas pela oposição.

De palavra, isto é, na sua plataforma, os trotskistas e zinovievistas não faziam nenhuma restrição à observância das resoluções do Partido e se pronunciavam a favor da lealdade a este, porém de fato infringiram da forma mais grave as resoluções do Partido, zombando de tudo o que significasse lealdade a ele e ao Comitê Central.

De palavra, isto é, na sua plataforma, não opunha a menor restrição à unidade do Partido, e se pronunciavam contrários à divisão, porém, de fato, infringiram da forma mais grave a linha do Partido, seguiam uma linha divisionista, e contavam já com seu próprio partido clandestino, anti-leninista, maduro para se converter em um partido anti-soviético, contra-revolucionário.

De palavra, isto é, na sua plataforma se pronunciavam a favor da política da industrialização e chegavam inclusive a acusar o Comitê Central de dirigi-la com um ritmo que não era suficientemente rápido, porém de fato denegriam a resolução do Partido sobre o triunfo do socialismo na URSS, zombavam da política da industrialização socialista, exigiam que se entregassem aos estrangeiros, a titulo de concessões, toda uma série de fábricas e empresas industriais e depositavam suas principais esperanças nas concessões capitalistas estrangeiras na URSS.

De palavra, isto é, na sua plataforma, se manifestavam a favor do movimento kolkhosiano, chegavam inclusive a acusar o Comitê Central de dirigir a coletivização com um ritmo que não era suficientemente rápido, porém de fato zombavam da política de incorporação dos camponeses à edificação socialista, pregavam que surgiriam inevitavelmente “conflitos insolúveis” entre a classe operária e os camponeses e depositavam suas esperanças nos “arrendatários civilizados” no campo, isto é, nas explorações dos kulaks.

Era esta a plataforma mais hipócrita de todas as plataformas hipócritas da oposição. A sua única finalidade era enganar o Partido.

O Comitê Central se negou a abrir imediatamente a discussão, declarando aos sequazes da oposição que essa só podia abrir-se como preceituavam os estatutos do Partido, isto é, com dois meses de antecedência a um Congresso.

Em outubro de 1927, dois meses antes de se celebrar o 15º Congresso, o Comitê Central declarou aberta a discussão geral. Começou a batalha. Os resultados da discussão foram desastrosos para o bloco trotskista e zinovievista. Votaram a favor da política do Comitê Central 724.000 filiados e a favor do bloco trotskista e zinovievista 4.000, isto é, menos de um por cento. O bloco anti-bolchevique sofreu uma acachapante derrota. O Partido, animado por um só espírito, rechaçou por esmagadora maioria a plataforma do bloco.

O Partido, para cuja opinião os componentes do bloco tinham apelado por iniciativa própria, expressava assim sua vontade de modo inequívoco.

Os componentes do bloco, porém, não aproveitaram esta lição. Em vez de se submeterem à vontade do Partido, decidiram miná-la. Antes mesmo de terminar a discussão, vendo-se inevitável e ignominiosamente fracassados, resolveram recorrer a formas mais agudas de luta. Decidiram organizar uma manifestação aberta de protesto em Moscou e em Leningrado. Escolheram para isto a data de 7 de Novembro, aniversário da Revolução de Outubro, em que os trabalhadores da URSS desfilam em manifestações revolucionárias com todo o povo. Os trotskistas e os zinovievistas se propunham, portanto, a organizar uma manifestação paralela a esta. Como era de esperar, os sequazes do bloco só conseguiram congregar na rua um punhado ridículo de comparsas que foram varridos e repelidos com seus corifeus, pela manifestação de todo o povo.

Agora, já não se podia duvidar que os trotskistas e os zinovievistas  tinham se afundado no charco anti-soviético. Se na discussão geral do Partido apelavam para este contra o Comitê Central, agora, ao organizarem sua lamentável manifestação, lançavam-se pelo caminho de apelar para as classes inimigas contra o Partido e o Estado Soviético. Ao traçarem como objetivo a destruição do Partido bolchevique, tinham inevitavelmente que descer até o caminho da luta contra o Estado Soviético, pois no país dos Soviets, o Partido bolchevique e o Estado são inseparáveis. Com isso, os corifeus do bloco trotskista-zinovievista se colocavam fora do Partido, pois era impossível continuar tolerando nas fileiras do Partido bolchevique pessoas que tinham rolado até o charco anti-soviético.

Em 14 de novembro de 1927, em uma reunião conjunta do Comitê Central e da Comissão Central de Controle, Trotsky e Zinoviev foram expulsos do Partido. 

Êxitos da industrialização socialista – Atraso da agricultura – O 15º Congresso do Partido – Esmagamento do bloco trotskista-zinovievista – A política de duas caras

Em fins de 1927, começaram a se destacar êxitos decisivos na política da industrialização socialista. A industrialização, dentro das condições da NEP, realizou importantes avanços em pouco tempo. A indústria e a agricultura em conjunto (incluindo a exploração florestal e a pesca), não só alcançaram o nível de produção global de antes da guerra, senão que o ultrapassaram. O peso especifico da indústria dentro da economia nacional aumentou até 42 por cento, alcançando o nível proporcional de antes da guerra.

O setor socialista da indústria crescia rapidamente a expensas do setor privado, aumentando de 81 por cento em 1924-1925, até 86 por cento em 1926-1927, ao mesmo tempo em que o peso específico do setor privado decrescia, durante este período, de 19 a 14 por cento.

Isto significava que a industrialização na URSS tinha um caráter socialista que se ia acentuando rapidamente, que a indústria da URSS se desenvolvia pela via do triunfo do sistema socialista de produção, que no terreno da indústria o problema de “Quem vencerá?” estava já resolvido a favor do socialismo.

Com a mesma rapidez os comerciantes privados iam sendo desalojados do comércio; sua participação no comércio varejista decresceu de 42 por cento, em 1924-1925, a 32 por cento em 1926-1927, e não falemos no comércio atacadista, onde a participação dos particulares desceu, nesse mesmo período, de 9 a 5 por cento.

Era, porém, mais rápido ainda o ritmo com que se desenvolvia a grande indústria socialista, que em 1927, isto é, no primeiro ano depois do período de restauração da Economia, viu aumentar sua produção em 18 por cento, em comparação com a do ano precedente. Era este um recorde de desenvolvimento da produção, inesquecível até para a grande indústria dos países capitalistas mais adiantados.

A agricultura, principalmente a cultura de cereais, apresentava, ao contrário, um quadro muito diverso. Ainda que, em conjunto, a agricultura houvesse ultrapassado o nível de antes da guerra, a produção global de seu ramo mais importante, o de cultivo de cereais, só produzia 91 por cento do nível de antes da guerra, e a parte mercantil da produção de cereais, a parte que se destinava a ser vendida para o aprovisionamento das cidades representava apenas 37 por cento do nível de antes da guerra; além disso todos os indícios anunciavam o perigo de que a produção de trigo para o mercado continuaria decrescendo.

Isto significava que a divisão das grandes fazendas produtoras de mercadorias no campo em pequenas explorações e destas em outras ainda menores, processo que começou em 1918, prosseguia sempre; que as pequenas e diminutas explorações camponesas se convertiam em economias de tipo semi-natural, capazes de produzir somente uma quantidade mínima de trigo para o mercado, que o cultivo de cereais em 1927, apesar de ser somente a produção um pouco menor que a de antes da guerra, só deixava margem para vender para as cidades um pouco mais da terça parte da quantidade de trigo que os cultivadores de cereais podiam vender antes da guerra.

Não havia dúvida de que, se não acabasse com tal estado de coisas no cultivo de cereais, o exército e as cidades da URSS seriam levados a uma situação de fome crônica. Tratava-se de uma crise do cultivo de cereais, à qual seguiria necessariamente uma crise da pecuária.

Para sair dessa situação, era necessário passar, na agricultura, ao sistema da grande produção, capaz de utilizar os serviços de tratores e máquinas agrícolas e de multiplicar o rendimento do cultivo de cereais para o mercado. Duas possibilidades se abriam ante o país: passar à grande produção de tipo capitalista, o que equivalia a arruinar as massas camponesas, romper a aliança, entre a classe operária e os camponeses, fortalecer os kulaks e acabar com o socialismo no campo, ou marchar pelo caminho da agrupação das pequenas explorações camponesas em grandes explorações de tipo socialista, em kolkhoses, capazes de utilizar tratores e outras máquinas agrícolas modernas para desenvolver rapidamente o cultivo de cereais e sua produção para o mercado.

É evidente que o Partido bolchevique e o Estado Soviético só podiam marchar pelo segundo caminho, pelo caminho kolkhosiano de desenvolvimento da agricultura.

Para isso o Partido se baseava nas seguintes indicações de Lênin a respeito da necessidade de passar das pequenas explorações camponesas às grandes explorações agrícolas coletivas, de artel:

a) “Com a pequena exploração não se pode sair da miséria” (Lênin, t. XXIV pág. 540, ed. russa).

b) “Se continuarmos aferrados rotineiramente às pequenas explorações, ainda que sejamos cidadãos livres sobre a terra livre, nos ameaçará, apesar de tudo, o desmoronamento inevitável” (t. XX pág. 417, ed. russa).

c) “Se a economia camponesa tem de continuar desenvolvendo-se, é necessário assegurar também solidamente a sua evolução ulterior, e esta evolução ulterior consistirá, inevitavelmente, em que, unificando-se gradualmente, as pequenas explorações camponesas isoladas, as menos proveitosas e as mais atrasadas, organizem conjuntamente a exploração agrícola coletiva em grande escala” (t. XXVI, pág. 299, ed. russa).

d) “Só mostrando praticamente aos camponeses as vantagens do cultivo agrícola social, coletivo, em forma de cooperativas, de artéis; só auxiliando o camponês, com a ajuda do regime cooperativo, do artel, poderá a classe operária, que tem em suas mãos o poder do Estado, demonstrar realmente ao camponês sua justeza, atraindo firmemente para seu lado a massa de milhões e milhões de camponeses” (t. XXIV, pág. 579 ed. russa).

Tal era a situação nas vésperas do 15º Congresso do Partido.

O 15º Congresso foi aberto em 2 de dezembro de 1927. Tomaram parte nele 898 delegados com palavra e voto e 771 com palavra somente, representando 887.233 filiados e 348.957 aspirantes.

Assinalando no seu informe os êxitos da industrialização e o rápido desenvolvimento da indústria socialista, o camarada Stalin apresentava ao Partido esta tarefa:

“Desenvolver e fortalecer nossos postos de comando socialistas em todos os ramos da economia, tanto na cidade como no campo, com o fim de liquidar os elementos capitalistas na economia nacional”.

Fazendo um paralelo entre a agricultura e a indústria e assinalando o atraso daquela, principalmente no cultivo de cereais, atraso que se explicava pelo desmembramento da agricultura, incompatível com a aplicação da técnica moderna, o camarada Stalin destacava que este estado pouco satisfatório da agricultura representava um perigo para toda a economia nacional.

“Onde está a solução?” – perguntava o camarada Stalin.

“A solução – respondia – está na passagem das pequenas explorações camponesas espalhadas para as grandes explorações unificadas na base do cultivo em comum da terra, na passagem ao cultivo coletivo da terra na base de uma nova e mais elevada técnica. A solução está em que as pequenas e diminutas explorações camponesas se agrupem paulatina, porém infalivelmente, não por meio da coação, mas por meio do exemplo e da persuasão, em grandes explorações, sobre a base do cultivo em comum, do cultivo cooperativo, coletivo da terra, mediante o emprego de maquinaria agrícola e de tratores e a aplicação de métodos científicos destinados a intensificar a agricultura. Não há outra solução”.

O 15º Congresso tomou a resolução de desenvolver por todos os meios a obra de coletivização da agricultura. Traçou um plano para desenvolver e consolidar uma rede de kolkhoses e sovkhoses e deu instruções claras e precisas sobre os métodos de luta em prol da coletivização da agricultura. Ao mesmo tempo, o Congresso traçou a norma de:

“continuar desenvolvendo a ofensiva contra os kulaks e tomar um série de medidas novas que restringiam o desenvolvimento do capitalismo no campo e encaminhem a Economia camponesa para socialismo”. (Resoluções do PC (b) da URSS, parte II pág. 260).

Finalmente, partindo do fortalecimento do princípio da planificação na economia nacional e visando a organização, segundo um plano, da ofensiva do socialismo contra os elementos capitalistas em toda a frente da economia nacional, o Congresso deu aos organismos competentes a norma de estabelecer o primeiro Plano qüinqüenal da economia nacional soviética.

Depois de examinar os problemas da edificação do socialismo, o 15º Congresso passou ao problema da liquidação do Bloco trotskista-zinovievista.

O Congresso reconheceu que “a oposição rompeu ideologicamente com o leninismo, degenerou em um grupo menchevique, abraçou o caminho da capitulação ante as forças da burguesia internacional e interior e se converteu, objetivamente, numa arma da terceira força contra o regime da ditadura proletária” (“Resoluções do PC (b) da URSS” parte II. Pág. 232).

O Congresso comprovou que as discrepâncias existentes entre o Partido e a oposição tinham-se agravado, convertendo-se em divergências de caráter programático, e que a oposição trotskista marchava pelo caminho da luta anti-soviética. Por isso o 15º Congresso declarou que pertencer à oposição trotskista e propagar suas idéias era incompatível com a permanência dentro das fileiras do Partido bolchevique.

O Congresso referendou a resolução de expulsão do Partido de Trotsky e Zinoviev tomada na reunião conjunta do Comitê Central e da Comissão de Controle, e resolveu expulsar todos os elementos ativos do bloco trotskista-zinovievista, tais como Radek, Preobrazhenski, Rakovski, Piatakov, Serebriakov, I. Smirnov, Kamenev, Sarkis, Safarov, Lifshitz, Mdivani, Smilga e de todo o grupo dos “centralistas democráticos” (Sapronov, V. Smirnov, Boguslavski, Drokhnis e outros). 

Os sequazes do bloco trotskista-zinovievista, derrotados ideologicamente e desmantelados no terreno da organização, perderam os últimos vestígios de sua influência no povo.

Algum tempo depois do 15º Congresso, os anti-leninistas, expulsos do Partido, começaram a formular declarações de ruptura com o trotskismo, implorando sua readmissão. Naturalmente, o Partido não podia saber ainda, naquela época, que Trotsky, Rakovski, Radek, Kretinski, Sokolnikov e outros eram, há muito tempo, inimigos do povo e espiões arrolados nos serviços de espionagem estrangeira; que Kamenev, Zinoviev, Piatakov e outros já mantinham contato com os inimigos da URSS nos países capitalistas para “colaborar” com eles contra o povo Soviético. Estava, porém bastante adestrado pela experiência para esperar todas as vilanias imagináveis destes indivíduos, que se tinham levantado repetidas vezes contra Lênin e o Partido leninista nos momentos mais difíceis. Por isso, o Partido recebeu com desconfiança as declarações dos expulsos, e como primeira prova da sinceridade dos assinantes daquelas declarações submeteu a sua readmissão às seguintes condições:

a) Condenação aberta do trotskismo, como ideologia anti-bolchevique e anti-soviética.

b) Reconhecimento aberto da política do Partido, como a única política certa.

c) Submissão incondicional às resoluções do Partido e de seus órgãos.

d) Fixação de um prazo de prova, durante o qual o Partido observaria a conduta dos assinantes das declarações e a cuja terminação, em vista dos resultados da prova, examinaria a conveniência de readmitir ou não em separado cada um dos indivíduos expulsos.

Ao proceder assim, o Partido entendia que o reconhecimento aberto destes pontos pelos indivíduos expulsos seria, em todo caso, favorável para o Partido, já que romperia a unidade das fileiras trotskista-zinovievistas, levando a elas a discórdia, ressaltaria uma vez mais a justeza e a pujança do Partido e daria a este no caso de que as declarações assinadas fossem sinceras, a possibilidade de readmitir em seu seio os antigos militantes, e no caso de que fossem falsas, a de desmascará-los aos olhos de todos, não já como pessoas equivocadas, porém como arrivistas sem princípios, como mistificadores da classe operária e falsários intransigentes.

A maioria dos expulsos aceitou as condições impostas pelo Partido para seu reingresso e publicou na imprensa as correspondentes declarações.

O Partido, com pena deles e não querendo privá-los da possibilidade de voltar a militar nas suas fileiras restituiu-lhes o direito de filiados.

Entretanto, com o correr do tempo, se tornou evidente que as declarações assinadas pelos “militantes ativos” do bloco trotskista-zinovievista eram, salvo poucas exceções, mentirosas e falsas, dos pés à cabeça.

Comprovou-se que, mesmo antes de formular suas declarações, estes cavalheiros tinham deixado de representar uma corrente política capaz de defender suas idéias perante o povo, para se converterem numa camarilha de arrivistas sem princípios, capazes de espezinhar publicamente o que lhes restava de suas idéias, capazes de elogiar publicamente as idéias do Partido, estranhas a eles, capazes de adotar, como os camaleões, qualquer cor, contanto que se mantivessem dentro do Partido, dentro da classe operária, para poder enlamear a ambos.

Os “militantes ativos” trotskista-zinovievistas não eram mais que chantagistas políticos, falsários políticos.

Os falsários políticos costumam começar pela fraude, visando com seus manejos tenebrosos mistificar o povo, a classe operária e seu Partido. Porém não se deve considerá-los como simples mistificadores. Os falsários políticos são uma camarilha de ativistas políticos sem princípios que, tendo perdido há muito tempo a confiança do povo, se esforçam em conquistá-la de novo mediante a fraude, mediante métodos camaleônicos, mediante a chantagem por qualquer procedimento que seja, contanto que não percam o título de militantes políticos. Os falsários políticos são uma camarilha de arrivistas sem princípios, capazes de se apoiarem em qualquer coisa, ainda que seja em delinqüentes, ainda que seja nos rebotalhos da sociedade, ainda que seja nos inimigos mais tenebrosos do povo, contanto que possam aparecer novamente no cenário político no “momento oportuno” e se lançar ao pescoço do povo como seus “governantes”.

A esta espécie de falsários políticos pertenciam, como se demonstrou, os “militantes ativos” trotskistas-zinovievistas.           

A ofensiva contra os kulaks – O grupo de Bukharin-Rykov contra o Partido – O primeiro Plano Qüinqüenal – A emulação socialista – Começa o movimento kolkhosiano de massa 

A agitação do bloco trotskista-zinovievista contra a política do Partido, contra a edificação do socialismo, e contra a coletivização, assim como a dos bukharinistas, sustentando que os kolkhoses fracassariam, que não se devia tocar nos kulaks, que eles mesmos “se incorporariam” ao socialismo, e que o enriquecimento da burguesia não representava nenhum perigo para o regime socialista: toda esta agitação repercutia consideravelmente entre os elementos capitalistas do país e, principalmente, entre os kulaks. Estes sabiam agora, pelo que transparecia através da imprensa, que não estavam sós, que contavam com defensores e advogados como Trotsky, Zinoviev, Kamenev, Bukharin, Rykov e outros.

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