Naturalmente este fato não podia deixar de fortalecer o espírito de
resistência dos kulaks contra a política do governo soviético. E, com efeito,
os kulaks começaram a oferecer uma resistência cada vez mais severa. Começaram
a se negar em massa a vender ao Estado Soviético a sobra de trigo, que se
acumulava em grandes quantidades nos seus celeiros. Começaram a empregar o
terror contra os kolkhosianos e contra os ativistas do Partido e dos Soviets na
aldeia, começaram a tocar fogo nos kolkhoses e nos centros de aprovisionamento
de cereais do Estado.
O Partido via claramente que, enquanto não se esmagasse a
resistência dos kulaks, enquanto estes não fossem derrotados em campo aberto
à vista dos camponeses, a classe operária e o Exército Vermelho não teriam pão
em quantidade suficiente, e o movimento kolkhosiano não adquiriria um caráter
de massa.
Seguindo as normas traçadas pelo 15º Congresso, o Partido
passou à ofensiva franca contra os kulaks. Nesta ofensiva, o Partido punha em
prática a palavra de ordem de lutar decididamente contra os kulaks, apoiando-se
firmemente nos camponeses pobres e reforçando a aliança com os camponeses médios.
Como resposta à negativa dos kulaks em vender ao Estado a sobra do trigo pelo
preço da tabela, o Partido e o governo aplicaram uma série de medidas
extraordinárias contra os kulaks e puseram em prática no artigo 107 do Código
Penal, no qual se estabelecia o confisco judicial da sobra do trigo aos kulaks e
especuladores que se negassem a vendê-la ao Estado pelo preço da tabela, e
concederam aos camponeses pobres uma série de franquias, em virtude das quais
se punha à sua disposição 25 por cento do trigo confiscado aos kulaks.
Estas medidas extraordinárias surtiram seu efeito: os
camponeses pobres e médios se engajaram na luta aberta contra os kulaks, estes
ficaram isolados, e a resistência dos kulaks especuladores foi esmagada. Em
fins de 1928, o Estado Soviético dispunha já de reservas suficientes de trigo
e o movimento kolkhosiano avançava com mais firmeza.
Neste mesmo ano, se descobriu uma grande organização de
sabotagem formada por técnicos burgueses, no setor de Shajti, na bacia do
Donetz. Estes sabotadores mantinham estreitas relações com os antigos proprietários
das empresas – capitalistas russos e de outros países – e com a espionagem
militar estrangeira. Tinham-se proposto como objetivo fazer fracassar o
desenvolvimento da indústria socialista e facilitar a restauração do
capitalismo na URSS. Dirigiam mal os trabalhos de exploração nas minas, com o
objetivo de diminuir a extração de hulha. Destroçavam as máquinas e os
aparelhos de ventilação, provocavam desmoronamentos, destruíam e incendiavam
as minas, as fábricas e as centrais elétricas. Ao mesmo tempo dificultavam o
melhoramento da situação material dos operários e infringiam as leis soviéticas
sobre a proteção do trabalho.
Estes sabotadores foram levados ante os Tribunais, onde
receberam o que mereciam.
O Comitê Central chamou a atenção de todas as organizações
do Partido para o processo dos sabotadores e as convidou a deduzir os
ensinamentos que encerrava. O camarada Stalin assinalou que os bolcheviques que
trabalhavam no setor da economia deviam familiarizar-se pessoalmente com a técnica
da produção, para que daí por diante nenhum sabotador saído das fileiras dos
técnicos burgueses pudesse enganá-los, e destacou que era necessário acelerar
a preparação de novos quadros técnicos saídos da classe operária.
Por resolução do Comitê Central, aperfeiçoou-se a
preparação de novos especialistas nas escolas técnicas superiores: milhares
de homens filiados ao Partido e às Juventudes Comunistas, e homens sem partido,
fiéis à causa da classe operária, foram mobilizados para cursar estas
escolas.
Antes que o Partido passasse à ofensiva contra os kulaks,
enquanto estava ocupado na liquidação do bloco trotskista-zinovievista, o
grupo de Bukharin-Rykov se manteve relativamente tranqüilo, permanecendo à
margem como reserva das forças contrárias ao Partido, sem se decidir a apoiar
abertamente os trotskistas, e às vezes chegando inclusive a intervir contra
eles em união com o Partido. Porém, logo que este passou à ofensiva contra os
kulaks e tomou as medidas extraordinárias contra eles, o grupo Bukharin-Rykov
tirou a máscara e começou a atuar abertamente contra a política do Partido. A
alma de kulak dos componentes deste grupo não pôde agüentar mais, e estes
começaram a intervir, abertamente, em defesa dos kulaks. Exigiam que fossem
abolidas as medidas extraordinárias, assustando os bobos com a ameaça de que,
em caso contrário, sobreviria uma “regressão” da agricultura e afirmando
que esta regressão já havia começado. Não percebendo o desenvolvimento dos
kolkhoses e dos sovkhoses, isto é, das formas mais elevadas da agricultura,
vendo o retrocesso das fazendas dos kulaks, apresentavam tendenciosamente a
regressão destas fazendas como a regressão da agricultura. Com o fim de reforçar
suas posições teoricamente, arranjaram a divertida “teoria da extensão da
luta de classes”, afirmando, baseados nesta teoria, que quanto mais êxito
lograsse o socialismo em sua luta contra os elementos capitalistas, mais se iria
enfraquecendo a luta de classes, que esta não tardaria a se extinguir
totalmente e o inimigo de classe entregaria todas as suas posições sem luta,
razão pela qual não havia porque empreender a ofensiva contra os kulaks. Com
isso, ressuscitavam sua desacreditada teoria burguesa sobre a incorporação pacífica
dos kulaks ao socialismo e achincalhavam a conhecida tese leninista, segundo a
qual a resistência do inimigo de classe revestirá formas tanto mais agudas,
quanto mais sentir o terreno vacilar sob meus pés, quanto maiores êxitos
obtiver o socialismo, por cuja razão a luta de classes só poderá
“extinguir-se” quando o inimigo de classe for aniquilado.
Não era difícil compreender que o Partido tinha diante de
si, no grupo Bukharin-Rykov, um grupo oportunista de direita, que só se
diferenciava do bloco trotskista-zinovievista pela forma: os trotskistas e
zinovievistas contavam com certas possibilidades para disfarçar seu fundo
capitulador com frases esquerdistas, com frases retumbantemente revolucionárias
sobre a “revolução permanente”, enquanto que o grupo Bukharin-Rykov, que
se tinha levantado contra o Partido ao passar este à ofensiva contra os kulaks,
já não tinha a possibilidade de cobrir com uma máscara sua face capituladora
e se via obrigado a defender as forças reacionárias do país soviético e,
sobretudo, os kulaks, abertamente, sem retóricas nem disfarces.
O Partido compreendeu que mais tarde ou mais cedo, o grupo
Bukharin-Rykov acabaria estendendo a mão aos restos do bloco
trotskista-zinovievista, para lutar conjuntamente contra o Partido.
Ao mesmo tempo em que atuavam politicamente, o grupo
Bukharin-Rykov “trabalhava” no terreno da organização para reunir seus
adeptos. Através de Bukharin, ia se agrupando a juventude burguesa. Indivíduos
do tipo de Slepkov, Marietki, Aijenwald, Goldenberg e outros; através de
Tomski, os dirigentes burocratizados dos sindicatos (Melnichanski, Dogadov,
etc.); através de Rykov, um punhado de dirigentes degenerados dos Soviets (A.
Smirnov, Eismont, V. Schmidt, etc). Juntavam-se a este grupo, de boa vontade, os
elementos politicamente degenerados e que não escondiam suas idéias
capituladoras.
Naquele tempo, o grupo Bukharin-Rykov viu-se reforçado por
um punhado de dirigentes da organização do Partido em Moscou (Uglanov, Kotov,
Ujanov, Riutin, Yagoda, Polonski e outros). É preciso advertir que uma parte
dos elementos direitistas se mantinha resguardada, sem atuar abertamente contra
a linha do Partido. Nas colunas da imprensa do Partido e nas reuniões do
Partido, pregavam a necessidade de fazer concessões aos kulaks, a conveniência
de não os sobrecarregar de impostos, expunham a carga esgotadora que a
industrialização trazia para o povo e o caráter prematuro da organização de
uma indústria pesada. Uglanov se manifestou contra construção da central elétrica
do Dnieper, exigindo que os recursos destinados à indústria pesada se
investissem na indústria leve. Este e outros capituladores de direita afirmavam
que Moscou era e continuaria sendo a Moscou das fábricas de percal, que não
havia necessidade de lá construir fábricas de construção de maquinaria.
A organização do Partido em Moscou desmascarou Uglanov e
seus adeptos, ameaçou-os pela última vez e cerrou ainda mais as fileiras em
torno do Comitê Central do Partido. No Pleno do Comitê de Moscou do PC (b) da
URSS, celebrado em 1928, o camarada Stalin assinalou a necessidade de lutar em
duas frentes, concentrando o fogo contra o desvio direitista. Os direitistas são,
disse o camarada Stalin, os agentes dos kulaks dentro Partido.
“O triunfo do desvio direitista dentro de nosso Partido
libertaria as forças do capitalismo, solaparia as posições revolucionárias
do proletariado e aumentaria as possibilidades de restauração do capitalismo
em nosso país” – disse o camarada Stalin (“Questões do leninismo”, ed.
russa, pág. 234).
No começo de 1929, se tornou claro que Bukharin, por
mandato do grupo dos capituladores de direita havia estabelecido ligação com
os trotskistas, através de Kamenev, e preparava um acordo com eles para lutar
conjuntamente contra o Partido. O Comitê Central desmascarou esta situação
criminosa dos capituladores de direita e os advertiu de que o assunto podia
terminar mal para Bukharin, Rykov, Tomski, etc. Porém os capituladores de
direita não cederam. Levantaram-se dentro do Comitê Central com uma nova
plataforma anti-bolchevique, com uma declaração que foi condenada pelo Comitê
Central. Este lhes fez uma nova advertência, lembrando-lhes a sorte que teve o
bloco trotskista-zinovievista. Apesar disso, o grupo Bukharin-Rykov, prosseguiu
no seu trabalho contra o Partido. Rykov, Tomski e Bukharin apresentaram ao Comitê
Central a demissão de seus cargos, acreditando que com isto assustariam o
Partido. O Comitê Central condenou esta política de sabotagem dos demissionários.
Por fim, o Pleno celebrado em novembro de 1929 pelo Comitê Central declarou que
a propaganda das idéias dos oportunistas de direita era incompatível com a
permanência no Partido e dispôs que Bukharin, paladino dirigente dos
capituladores de direita, fosse destituído de seu posto no Bureau Político do
Comitê Central, e que se chamasse seriamente à atenção de Rykov, Tomski e
demais adeptos desta oposição.
Os corifeus dos capituladores de direita, vendo que a coisa
tomava mau aspecto, subscreveram uma declaração reconhecendo seus erros e a
justeza da linha política do Partido.
Os capituladores de direita tinham decidido recuar
provisoriamente, para evitar que seus quadros fossem esmagados.
Assim terminou a primeira etapa da luta do Partido contra
os capituladores de direita.
As novas discrepâncias existentes dentro do Partido não
passaram desapercebidas para os inimigos exteriores da URSS Interpretando as
“novas discórdias” produzidas dentro do Partido como um sinal de
enfraquecimento deste, fizeram uma nova tentativa para arrastar a URSS para a
guerra e fazer fracassar a obra da industrialização do país que não estava
consolidada. No verão de 1929, os imperialistas provocaram o conflito da China
contra a URSS, a ocupação pelos militaristas chineses da Estrada de Ferro do
Leste da China (que pertencia à URSS) e a agressão das tropas brancas chinesas
contra as fronteiras da Pátria Soviética no Extremo-Oriente. Porém o assalto
dos militaristas chineses foi liquidado rapidamente; os militaristas se
retiraram, derrotados pelo Exército Vermelho, e o conflito terminou mediante um
convênio de paz com as autoridades da Manchúria.
A política de paz da URSS triunfava uma vez mais, apesar
de tudo, apesar dos manejos dos inimigos exteriores e das “discórdias”
intestinas do Partido.
Não tardaram em se reatar as relações comerciais e
diplomáticas da URSS com a Inglaterra, que haviam sido rompidas pelos
conservadores ingleses.
Ao mesmo tempo em que rechaçava com êxito os ataques dos
inimigos exteriores e interiores, o Partido desenvolveu um grande trabalho
destinado a acelerar a edificação da indústria pesada, organizar a emulação
socialista, organizar sovkhoses e kolkhoses e, finalmente, preparar as condições
necessárias para aprovar e pôr em prática o primeiro, Plano qüinqüenal da
Economia nacional soviética.
Em Abril de 1929, se reuniu a 16ª Conferência do Partido.
O problema principal examinado foi o do primeiro Plano Qüinqüenal. A Conferência
rechaçou a variante “mínima” do Plano Qüinqüenal, que os capituladores
de direita defendiam, e aprovou como obrigatória, sob quaisquer condições, a
variante “máxima”.
Foi aprovado, pois, pelo Partido, o célebre primeiro Plano
Qüinqüenal de edificação do socialismo.
Segundo o plano, o volume das inversões de capital na
economia nacional durante os anos de 1928 a 1933, seria de 64 bilhões de
rublos. Destes, 19 bilhões se investiriam na indústria, incluindo a eletrificação,
10 bilhões nos transportes e 23 bilhões na agricultura.
Era um plano grandioso, destinado a equipar a indústria e
a agricultura da URSS com a técnica moderna.
“A missão fundamental do Plano Qüinqüenal –
assinalava o camarada Stalin – consistia em criar em nosso país uma indústria,
capaz de equipar de novo e reorganizar, não só a indústria em sua totalidade,
mas também os transportes e a agricultura, na base do socialismo”. (Stalin,
“Questões do Leninismo”, pág. 485, ed. russa).
Apesar da grandiosidade, este Plano não era, para os
bolcheviques, nada inesperado nem surpreendente. Era o que vinha preparando toda
a marcha do desenvolvimento da industrialização e da coletivização. Vinha-o
preparando aquele entusiasmo do trabalho que se apoderou dos operários e
camponeses antes mesmo do Plano Qüinqüenal e que encontrou a sua expressão na
emulação socialista.
A 16ª Conferência do Partido aprovou um apelo a todos os
trabalhadores sobre o desenvolvimento da emulação socialista.
A emulação socialista revelou exemplos maravilhosos de
trabalho e da nova atitude ante ele. Em muitas empresas e nos kolkhoses e
sovkhoses, os operários e kolkhosianos apresentaram contra-planos. Realizaram
maravilhas de heroísmo no trabalho. Não só executavam, mas ultrapassavam os
planos de edificação socialista, traçados pelo Partido e pelo governo.
Mudaram as idéias do homem a respeito do trabalho. O trabalho deixou de ser uma
carga forçada e esgotadora, como era sob o capitalismo, para se converter
“numa questão de honra, de glória, de valentia e de heroísmo” (Stalin).
Por todo o país se desenvolvia a nova e gigantesca edificação
industrial. Empreendeu-se a construção da Central elétrica do Dnieper (o
“Dnieprogués”). Na bacia do Donetz se empreendeu a construção das fábricas
de Kramatorsk e Gorlovka e a reconstrução da fábrica de locomotivas e
Lugansk. Surgiram novas minas e altos fornos. Nos Urais, se construíram a fábrica
de maquinaria do Ural e os combinados químicos de Berenski e Solikanisk. Começou-se
a construção da fábrica metalúrgica de Magnitogorsk. Empreendeu-se a construção
de grandes fábricas de automóveis em Moscou e Gorki. Construíram-se
gigantescas fábricas de tratores, de ceifadoras-trilhadoras, e em Rostov-sôbre-o-Don
se levantou uma fábrica formidável de maquinaria agrícola. Desenvolveu-se a
segunda base carbonífera da União Soviética: a bacia do Kuznietsk. Em 11
meses se levantou na estepe, em Stalingrado, uma formidável fábrica de
tratores. Na construção da Central elétrica do Dnieper e da fábrica de
tratores de Stalingrado, os operários bateram os recordes mundiais da
produtividade do trabalho.
A história não tinha conhecido jamais uma nova edificação
industrial de tão gigantesca envergadura, um entusiasmo tal pela nova edificação,
tanto heroísmo no trabalho das massas de milhões de homens da classe operária.
Era uma verdadeira onda de entusiasmo de trabalho da classe
operária, desenvolvida na base da emulação socialista.
Esta vez, os camponeses não ficaram atrás em relação
aos operários. Também no campo começou a se desenvolver o entusiasmo de
trabalho das massas camponesas, na organização dos kolkhoses. As massas
camponesas começaram a marchar resolutamente pelo caminho kolkhosiano. Para
isto contribuíram consideravelmente os sovkhoses e as estações de máquinas e
tratores dotadas de tratores e de outras máquinas agrícolas. As massas
camponesas fluíam aos sovkhoses e às estações de máquinas e tratores, viam
como trabalhavam estes e as máquinas agrícolas, manifestavam seu entusiasmo e
decidiam ali mesmo ingressar nos kolkhoses”. Os camponeses, espalhados em
pequenas e diminutas explorações individuais, carentes de apetrechos e de força
de tração mais ou menos regulares, privados da possibilidade de arar as
grandes terras baldias, em uma perspectiva de melhoramento de suas explorações,
mergulhados na miséria e no isolamento, entregues as suas próprias forças,
encontraram por fim uma saída, o caminho para uma vida melhor: com a agrupação
de suas pequenas explorações em kolkhoses, com os tratores, capazes de arar
todas as terras, por “duras” que fossem, todos os terrenos baldios; com a
ajuda do Estado em forma de maquinaria, de dinheiro, de homens e de conselhos;
com a possibilidade de se livrar das garras dos kulaks, aos quais o Governo Soviético
tinha feito morder o pó recentemente, fazendo-os curvar a cabeça para satisfação
das massas de milhões de camponeses.
Eis a base sobre a qual começou e se desenvolveu depois o
movimento kolkhosiano de massas, movimento que se intensificou especialmente em
fins de 1929, imprimindo aos kolkhoses um ritmo de desenvolvimento sem
precedente nem mesmo na própria indústria socialista.
Em 1928, a superfície semeada dos kolkhoses era de
1.390.000 hectares; em 1929, tinha passado a ser de 4.262.000 hectares, e em
1930, os kolkhoses contavam já com a possibilidade de planificar o cultivo de
15 milhões de hectares.
“É preciso reconhecer – dizia o camarada Stalin em seu
artigo intitulado “O ano da grande transformação” (1929), referindo-se ao
ritmo de desenvolvimento dos kolkhoses – que este ritmo impetuoso de
desenvolvimento não tem precedente nem mesmo em nossa indústria socialista,
cujo ritmo de desenvolvimento se caracteriza por sua grande envergadura”.
Era uma virada no desenvolvimento do movimento kolkhosiano.
Era o começo do movimento kolkhosiano de massas.
“Que é que há de novo no atual movimento
kolkhosiano?” perguntava o camarada Stalin em seu citado artigo. E respondia:
“O que há de novo e decisivo no atual movimento
kolkhosiano é que agora os camponeses não ingressam nos kolkhoses por grupos
isolados, como ocorria antes, senão por aldeias inteiras, por municípios, por
distritos e até por departamentos. Que significa isto? Significa que aos
kolkhoses começaram a afluir em massa os camponeses médios. Tal é a base
sobre a qual repousa essa transformação radical no desenvolvimento da
agricultura, que constitui a conquista mais importante do poder soviético...”
Isto significava que a tarefa de liquidação dos kulaks
como base da coletivização total, ia amadurecendo ou já estava madura.
A situação internacional durante os anos de 1930 a 1934
– A crise econômica nos países capitalistas – Ocupação da Manchúria
pelo Japão – A subida dos fascistas ao poder na Alemanha
Enquanto a URSS conseguia êxitos importantes na
industrialização socialista do país e desenvolvia num ritmo rápido sua indústria,
desencadeava-se nos países capitalistas, em fins de 1929, recrudescendo nos três
anos seguintes, uma crise econômica mundial sem precedentes por sua força
destruidora. A crise industrial entrelaçava-se com a crise da agricultura, com
a crise agrária, piorando ainda mais a situação dos países capitalistas.
Enquanto a indústria da URSS., durante os três anos de
crise (1930-1933), cresceu de mais do dobro, atingindo em 1933 a 201% em relação
ao seu nível de 1929, a indústria dos Estados Unidos decresceu, em fins de
1933, 65% em relação ao nível de 1929, a da Inglaterra 86%, a da Alemanha 66%
e a da França 77%.
Esta circunstância vinha demonstrar mais uma vez a
superioridade do sistema da economia socialista. Evidenciava que o país do
socialismo é o único país do mundo que está livre de crises econômicas.
Como resultado da crise econômica mundial, foram lançados
à fome, à miséria e ao suplício, 24 milhões de operários desempregados. A
crise agrária condenava ao sofrimento, dezenas de milhões de camponeses.
A crise econômica mundial veio agravar ainda mais as
contradições entre os Estados imperialistas, entre os países vencedores e os
países vencidos, entre os Estados imperialistas e os países coloniais e
dependentes, entre os operários e os capitalistas, entre os camponeses e os
latifundiários.
No informe prestado perante o 16º Congresso do Partido o
camarada Stalin assinalou que a burguesia procuraria a solução para a crise
econômica, de um lado na repressão contra a classe operária, mediante a
instauração da ditadura dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas,
mais imperialistas do capitalismo, e de outro lado, no desencadeamento da guerra
pela partilha das colônias e das zonas de influência à custa dos interesses
dos países mal defendidos.
E, com efeito, assim sucedeu.
Em 1932 recrudesceu o perigo de guerra por parte do Japão.
Os imperialistas japoneses, vendo que as potências européias e os Estados
Unidos estavam completamente absorvidos pelos problemas internos de seus países,
criados pela crise econômica, decidiram aproveitar essa ocasião para tentar
lançar-se sobre o território chinês, mal defendido, submeter esse país ao
seu império e converter-se ali em donos da situação. Sem declarar guerra à
China e aproveitando-se de forma canalha dos “incidentes locais” por eles
mesmos provocados, os imperialistas japoneses introduziram furtivamente suas
tropas na Manchúria. As tropas japonesas apoderaram-se completamente da Manchúria,
assegurando posições favoráveis para a anexação do Norte da China e para o
ataque à URSS Para ter as mãos livres, o Japão retirou-se da Sociedade das Nações
e começou a armar-se intensamente.
Essa circunstância levou os Estados Unidos, a Inglaterra e
a França ao reforço de seus armamentos navais no Extremo Oriente. O Japão
vinha perseguindo, claramente, o objetivo de submeter a China ao seu império e
eliminar dali as potências imperialistas européias e norte-americana. Estas
responderam ao golpe reforçando seus armamentos.
Mas o Japão tinha em vista, além disso, outra finalidade:
apoderar-se do Extremo-Oriente Soviético. Como é lógico, a URSS não podia
passar por cima de semelhante perigo e começou a reforçar intensamente a
capacidade defensiva da região do Extremo Oriente.
Graças, portanto, aos imperialistas japoneses
fascistizados foi que se criou no Extremo Oriente o primeiro foco de guerra.
A crise econômica não acentuou as contradições do
capitalismo somente no Extremo Oriente. Acentuou-as também na Europa. A
pertinaz crise agrária e industrial, o enorme desemprego forçado e a situação
cada vez mais precária das classes pobres contribuíram, para aumentar o
descontentamento dos operários e camponeses. O descontentamento foi crescendo
até converter-se num estado de indignação revolucionária da classe operária.
Esse descontentamento acentuou-se especialmente na Alemanha, país economicamente esgotado pela
guerra, pelas contribuições que lhe tinham sido impostas em proveito dos
vencedores anglo-franceses e pela crise econômica, e onde a classe operária
vivia oprimida sob o jugo de sua própria burguesia e da burguesia estrangeira,
anglo-francesa. Testemunho eloqüente disso eram os seis milhões de votos
obtidos pelo Partido Comunista da Alemanha nas últimas eleições para o
Reichstag, realizadas antes da subida dos fascistas ao poder.