Tareq Aziz enfrenta ‘corte’ do invasor e homenageia Sadam
“Tive a honra de trabalhar com o herói Sadam, responsável
pela unidade e soberania do Iraque”, afirmou Tareq com altivez na corte-farsa
montada por Bush para funcionar no QG ianque da Zona Verde
Em plena corte-farsa de Bush, no interior do QG da invasão em Bagdá, o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, prestou
nessa segunda-feira dia 5 sua homenagem ao “herói Sadam”e afirmou ainda que
foi o Irã, “com gás cianeto”, que “matou milhares de curdos em Halabja, e não
o Iraque”. “O governo do qual fiz parte não cometeu genocídio contra o povo
curdo”, reiterou o líder iraquiano, que compareceu como testemunha do
ex-ministro da Defesa Sultan Hachim, no assim-chamado, pelo invasor, ‘caso
Anfal’.
“Tive a honra de trabalhar
com o herói Sadam, responsável pela unidade e soberania do Iraque”, afirmou
Tareq com altivez, apesar de seu conhecido estado precário de saúde e ao qual
o invasor se nega a dar cuidados. Tais declarações levaram o fantoche Mohamed
Oreib Al Kalifa, que encena ser “juiz” chefe, a tentar silenciá-lo com
ameaças. Ao que Tareq reagiu com ironia: “já sou um prisioneiro. Que mais
pode me fazer?”. Depois de Sadam, é Tareq a face mais conhecida no mundo
inteiro da revolução iraquiana. Também de sua amplitude, um cristão,
companheiro de sunitas, xiitas, curdos, turcomentos – todos iraquianos.
ANFAL
O ‘caso Anfal’ não passa de
um apêndice da principal peça de propaganda do governo ianque contra a
revolução iraquiana, e de demonização de Sadam, a tragédia de Halabja, onde
cinco mil foram mortos por ataque com gás venenoso durante a guerra
Irã-Iraque. Tareq foi, pois, direto à questão. “As armas químicas usadas
naquele tempo que causaram a morte de milhares de pessoas [em Halabja] eram
feitas de gás cianeto e não de gás mustarda. Quem tinha esse gás era o Irã,
não o Iraque”, destacou.
“O ataque químico à aldeia
curda de Halabja foi cometido pelos iranianos em uma ofensiva contra a
população curda”, assinalou Tareq. Ele acrescentou que a ofensiva iraniana com
armas químicas em 1988 “é confirmada por documentos internacionais”. Isso
ficou estabelecido até mesmo através de relatórios do Pentágono, como um
“publicado em 1989 e disponível na internet”, lembrou. Também citou um artigo
de Milton Viorst na revista norte-americana “New Yorker”.
Tareq apontou outro indício
de que o governo iraquiano nada tinha a ver com Halabja. Nas conversações de
1991, entre os líderes iraquianos e uma delegação curda que incluía o atual
‘presidente’ Jalal Talabani, “sobre compensações para as vítimas curdas da
guerra”, Halabja não foi “sequer mencionada por qualquer das partes”,
registrou. Aliás, por todo o Oriente Médio, foi o Iraque, a revolução de Sadam,
que mais direitos concedeu aos curdos. Direito de ter sua língua, escolas,
assembléia. A única condição era a de que se reconhecessem como iraquianos e a
grande maioria dos curdos se integrou na revolução, inclusive de armas na mão,
contra os iranianos, na época – como testemunhou o correspondente de então do
“Guardian”, Patrick Cockburn. Que também considerou impossível que “182 mil
curdos” fossem mortos nessas imediações e isso não transpirasse imediatamente.
ANALISTA DA CIA
Provavelmente o relatório a
que Tareq se refere trata-se do estudo conduzido pelo analista sênior da CIA
sobre o Iraque no decorrer da guerra Irã-Iraque e professor da Escola de
Guerra dos EUA, Stephen Pelletiere, que concluiu que “foi gás iraniano que
matou os curdos, não iraquiano”. De acordo com sua investigação para o
Pentágono, “as condições dos corpos dos civis curdos indicaram que eles tinham
sido mortos por um agente sanguíneo – isto é, um gás à base de cianeto – que,
como se sabe, era usado pelo Irã’. Os iraquianos – que tinham gás mostarda,
que atua por princípio diferente – “não tinham agentes sanguíneos na época”.
O relatório a que Tareq
aludiu, desmonta, portanto, a fantasia reacionária do “exército de Sadam
jogando gás venenoso no seu próprio povo”. Não se trata de uma peça contra o
Irã, como alguns poderiam alegar, porque diz que “a tragédia de Halabja
ocorreu no decorrer de uma batalha entre iraquianos e iranianos – estes
últimos no controle da cidade – que definiria o estratégico controle da maior
represa do país, Darbanddikhan, e assim, das águas do Tigre e do Eufrates”.
Portanto, se deu no meio de uma batalha e não tendo civis curdos como alvo.
Como destacou Pelletiere, “os civis que foram mortos tiveram o infortúnio de
serem pegos no meio disso”.
Quanto ao ‘Anfal’, não passa
de uma projeção, sobre os líderes revolucionários iraquianos, dos crimes de
guerra de que são useiros e vezeiros os capos do império, como está aí o
próprio Iraque, Afeganistão, Vietnã, Coréia para serem exemplos. Se, como
alegam os invasores ianques, seus fantoches e mariposas, “foram mortos 182 mil
curdos”, passados quatro anos de ocupação no Iraque inteiro e 16 anos de
“autonomia da região” curda, todo dia devia ter alguém achando uma, duas covas
em massa, ainda mais com os invasores dispostos a premiar com verdinhas.
Também já deveria ter aparecido alguém, algum renegado, que teria participado
da matança, para dar “detalhes”. Mas não encontram nada porque não há nada.
ANTONIO PIMENTA