Abert apóia Rede Pública de
TV
“Apoiamos a iniciativa do
governo porque ela não traz antagonismos com o setor privado e atende o
princípio da complementaridade”, declarou o presidente da Associação
Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slaviero, em
apoio à iniciativa do ministro das Comunicações, Hélio Costa, em criar a Rede
Nacional de Televisão Pública.
Segundo Slaviero, a proposta
já foi amplamente debatida na Abert, uma vez que faz parte do decreto que
estabeleceu as normas para a TV digital. O decreto prevê a criação de quatro
canais públicos: do Executivo, da Cultura, da Educação e da Cidadania.
A Abert tem entre suas
emissoras integrantes a Globo, a Record, o SBT, o Grupo Paulo Pimentel, do
Paraná, a Rádio Itatiaia de Belo Horizonte (MG), a Rádio Tupi (RJ), a Rádio
Panamericana de São Paulo..
Ao mesmo tempo, um grupo
caracteristicamente tucano, cuja proposta – se é que se pode chamar assim - é
evidente pelo monopólio das teles criado com a privatização que fizeram, e que
ameaça assaltar a TV brasileira (v. matéria nesta página), mostrou-se
inconformado com a proposta. Um deles afirmou que “a proposta atropela a
discussão do Ministério da Cultura”, ou seja, a atividade lobista em favor das
teles do atual ministro desta pasta. No Congresso, houve uma breve exumação da
antiga ala golpista – Artur Virgílio, Agripino, Aleluia e satélites como o
notório deputado Gabeira – estiveram próximos à gritaria. O que talvez seja o
melhor sinal de que a proposta é boa. Somou-se a eles o presidente da
Radiobrás, Eugenio Bucci, que exibiu a sua contrariedade (“não fui
consultado”), e expôs o seu parecer de que o governo já tem um canal, a NBR,
“uma TV que não faz culto à personalidade”. Realmente, a especialidade da área
de Bucci tem sido a do culto à mediocridade. O que significa, entre outras
coisas, a bajulação da oposição e a repetição de suas agressões à custa do
dinheiro público.
“O presidente achou
interessante o esboço que apresentei e pediu para fazer um projeto
definitivo”, afirmou o ministro Hélio Costa. “O presidente está muito
empenhado em disponibilizar os recursos que vêm com a TV digital para
alavancar uma rede nacional de TV pública”, disse.
O ministro das Comunicações
informou que seriam gastos R$ 250 milhões. No primeiro ano seriam destinados
R$ 100 milhões para compra de equipamentos e nos três anos seguintes mais R$
150 milhões para a expansão da rede.