Chinaglia: “financiamento
público limita abuso do poder econômico”
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
afirmou que o financiamento público é a melhor forma de colocar os partidos
políticos em patamar de igualdade dentro do sistema eleitoral e defendeu que
as doações privadas de campanha devem ser proibidas. “O financiamento público
interfere no resultado exatamente porque limita ou limitaria a força do poder
econômico no processo eleitoral, que é muito grande”.
A declaração de Chinaglia foi feita na abertura da sessão
plenária do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em
Brasília, que, em sua reunião mensal, discute temas da agenda nacional
considerados prioritários pela OAB. O petista participou da reunião a convite
de Cezar Britto, presidente nacional, feito no último dia 2, quando o
dirigente da OAB lhe entregou a proposta de reforma elaborada pela entidade.
Chinaglia ressaltou a importância da contribuição de
entidades como a OAB no processo legislativo e disse que as críticas justas ao
trabalho parlamentar são bem-vindas. Mas condenou avaliações genéricas que,
para ele, “são difíceis de assimilar”.
Na reunião, também foram abordadas por Chinaglia as
medidas de combate à violência em análise na Câmara. Ele registrou suas
“restrições à redução da maioridade penal” e lembrou que mudanças na
legislação penal e processual penal estão em discussão mesmo antes da morte do
menino João Hélio, no Rio de Janeiro. O presidente da Câmara criticou ainda
proposições na pauta utilizando-se de casos de comoção nacional, visando
aprovar medidas atrasadas, que não resolvem o problema da violência, mas
assinalou que não pode haver tema proibido para o Congresso.
Os líderes partidários fecharam acordo para que até o
final de maio seja votada a reforma política na Câmara dos Deputados, podendo
já estar em vigor a partir de 2008. Para que seja acelerada a votação do texto
será apresentado requerimento de urgência na Câmara quando a matéria estiver
pronta para entrar em pauta.