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“Depois da alfabetização, queremos estimular os estudos até o ingresso nas universidades”

“É um projeto-piloto onde o objetivo é alfabetizar 150 turmas por semestre, cada uma com 20 alunos”, explica Gilson Rodrigues, presidente da União dos Moradores de Paraisópolis sobre a Escola do Povo. E continua: “Depois dessa fase, as turmas alfabetizadas seguem para o ensino de 1ª a 4ª série, depois para o de 5ª a 8ª, e assim até o cursinho vestibular”.

Para estimular o ingresso nas universidades, ele conta que “temos aqui um cursinho em parceria com a Universidade Mackenzie, onde todos que passam no vestibular ganham bolsa de 100%”. Segundo Gilson, ao final do quarto semestre, serão 12 mil alunos em salas de aula.

Até agora, de acordo com um dos coordenadores do projeto, Joildo Barreto, a Escola já está com 40 turmas em processo de cadastramento e cerca de 400 alunos em fechamento de turma. Ele explica que o programa Escola do Povo tem como objetivo não só a alfabetização, mas “é um projeto profissionalizante para que as pessoas, após alfabetizadas, terminem seus estudos e possam ter oportunidade de um emprego melhor”.

Joildo conta que “o que mais impressiona é a determinação de aprender dos alunos. Eles estão demonstrando muita vontade de superar as dificuldades e seguir em frente”, ressalta. O coordenador contou também como a comunidade local está apoiando de diversas formas a Escola. “Tivemos casos muito interessantes de solidariedade, como o dono de um estabelecimento comercial chamado Bom Preço, onde fomos pedir o orçamento de quites escolares, e ele fez questão de não cobrar nada”. “Outro caso foi uma alfabetizadora que se atrasou para o treinamento, e teve que pegar um táxi de um conhecido aqui de Paraisópolis, e quando disse que estava indo para o treinamento da Escola do Povo, o taxista parou o taxímetro”.

Para Gabriel Cruz, também coordenador do projeto, “os alunos aqui enfrentam todas as dificuldades do dia a dia, e muitas vezes pensam em desistir. Mas a gente procura mostrar o contrário, que através do aprendizado de ler e escrever ele pode se inserir na sociedade e ter melhores condições de vida”.

Gabriel explica ainda que serão realizadas oficinas culturais, além da criação de um escola da samba, onde a idéia é resgatar o histórico da construção dessa comunidade que é principalmente formada por nordestinos, além de atividades esportivas e atendimento médico.

J.C 

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16/03/2007
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