Deputados da oligarquia tentavam sabotar ampliação da
democracia no país
Equador nomeia suplentes
para substituir os deputados golpistas
“Esses 57 senhores foram
cassados pelo STE por tentarem obstruir o processo eleitoral com a convocação
da consulta popular”, afirmou o presidente do Equador, Rafael Correa ao
denunciar sabotagem à Assembléia Constituinte
O Supremo Tribunal Eleitoral do Equador convocou os deputados suplentes para ocupar o lugar dos 57 deputados
destituídos por ele após a tentativa de golpe contra o referendo popular que
decidirá pela convocação da Assembléia Constituinte em 15 de abril.
“Esses 57 senhores que estão acostumados a tirar
presidentes, foram cassados pelo STE por intencionar a obstrução do processo
eleitoral iniciado em 1° de março[data em que o Tribunal Eleitoral emitiu as
normas e estabeleceu a data para o referendo] com a convocação da consulta
popular”, destacou o presidente.
“Não podemos permitir como
governo que, pelo capricho de 57 ex-deputados que se acham donos do país, o
país prossiga sem um parlamento”, complementou.
A desesperada investida
dos deputados que representam a oligarquia contra a consulta popular (apoiada
por 75% da população) é porque a Assembléia Constituinte no Equador, assim
como a que elaborou a nova Carta Magna da Venezuela, vai ampliar a democracia,
a participação popular que os interesses exclusivistas e mesquinhos dessa
oligarquia - sustentada sobre a pobreza do povo do Equador e pelas migalhas
obtidas com a entrega das riquezas do país – tentaram inutilmente suprimir.
“Os deputados destituídos
tentaram bloquear a consulta popular ou seja o direito do povo equatoriano ao
sufrágio”, denunciou o presidente Rafael Correa, ao falar para milhares de
equatorianos que acorreram à frente do palácio presidencial para aclamá-lo.
Correa descartou qualquer
interesse do governo de controlar o Congresso, ressaltando também que: “o
Congresso deve respeitar a Constituição e o direito sagrado ao voto do povo
equatoriano”.
MANIPULAÇÕES
Ele prosseguiu: “se pelas
manipulações de sempre não se conseguir reunir o Congresso, não excluimos a
possibilidade de convocar, com as atribuições que confere a Constituição, um
Congresso Extraordinário”.
“É necessário que tomem
posse os deputados suplentes para que o Congresso siga funcionando”.
Correa recordou que a
oposição parlamentar atropelou a Constituição em diversas ocasiões. Citou a
expulsão de dois deputados do Congresso realizada, afirmou, “da forma mais
ilegal e sem respeitar o devido processo”.
“O bloco majoritário quis
designar um Fiscal Geral de maneira inconstitucional e por último se tentou
destituir o presidente do STE, Jorge Acosta”, referindo-se à manobra utilizada
pelos deputados golpistas para bloquear a Constituinte.
“Esta última ação,
acrescentou, foi decidida pelo simples fato de que o eleitorado decidiu
convocar uma consulta, aprovada anteriormente por esse mesmo Legislativo”.
“O único que tentou
quebrar a ordem constitucional foi o Congresso”, enfatizou, “já que o STE como
diz a lei orgânica de eleições é a máxima autoridade num processo eleitoral em
curso, e tem permissão para julgar aos que tentem obstruir este processo”.
O chefe de estado admitiu
que um funcionário do governo se reuniu com um grupo de legisladores suplentes
e destacou que muitos deles se manifestaram preocupados, pois haviam sido
ameaçados de morte.
Os deputados cassados
entraram com recurso no Tribunal Constitucional (instância judicial máxima do
Equador). Mas ao mesmo tempo tentaram entrar no Congresso, sendo proibidos
pela polícia.
LEGALIDADE
A decisão do TC foi
anunciada no mesmo dia, declarando a legalidade da posição do STE, o Tribunal
Constitucional determinou que não deveria julgar a ação. Anunciada pelo
presidente do tribunal, Santiago Velásquez, a decisão foi tomada sob o
argumento de que houve falhas processuais na estruturação do recurso, enviado
pelos deputados cassados.
Após saberem que haviam
perdido o recurso até no Tribunal Constitucional os deputados tentaram mais
uma vez forçar a entrada no Congresso. O mais afoito e desesperado foi o
deputado Edison Chávez que se jogou sobre os policiais tentando, como relatou
um jornalista local, “por duas horas e meia colocar pelo menos um pé nas
instalações mantendo permanentes encon-trões com os policiais e chão, em meio
a uma chuva de gás lacrimogênio”.
“Ao final, Chávez terminou
com seu olho esquerdo tamponado”, acrescentou o periodista
equatoriano.
Diante da posição do
Tribunal Constituinte, o Supremo Tribunal Eleitoral do Equador certificou os
57 suplentes para a substituição dos parlamentares destituídos no dia 07 de
março. A certificação foi enviada ao Congresso Nacional, que acatou a decisão
por meio de Vicente Taiano, secretário do Legislativo.
Os deputados Ramses Torres,
do partido Pachacuchik e Silvia Salgado, do Partido Socialista, afirmaram
a decisão STE como a melhor saída para o funcionamento do Congresso, “Uma vez
destituídos os 57 deputados, que os suplentes tomem posse como diz a lei”
afirmou Silvia.
O vice-presidente do STE,
René Maugé, afirmou que “Em nenhum momento esse Tribunal quis ir contra um dos
poderes do Estado e isso foi confirmado pelo Tribunal Constitucional, já que
nossa resolução foi legítima”.
NATHANIEL BRAIA