Corte Suprema absolve Lino Oviedo da farsa sobre golpe
O general
da reserva Lino Oviedo foi absolvido pela Corte Suprema do Paraguai de sua
condenação a 10 anos de prisão pela acusação de tentativa de golpe de Estado
em 1996. Com o voto de 7 dos 9 magistrados, a Corte anulou a sentença que
tinha sido tomada pelo Tribunal Militar Especial, em 9 de março de 1998,
declarando “a absolvição de culpa e pena”, informou José Guastella, advogado
de defesa, na quarta-feira, dia 31. Oviedo estava em liberdade condicional
desde julho deste ano.
O ministro da Corte, Sindulfo Blanco, afirmou que as acusações dos militares
em que tinha se baseado o Tribunal “carecem de valor de prova e como tais
transmitem o germe da nulidade àquela sentença condenatória”. Os juízes
ouviram a declaração, na sexta-feira, dia 26, de sete militares, na época em
postos de comando, que garantiram que não houve nenhuma tentativa de golpe
na ocasião.
O senador Enrique González Quintana, presidente da União Nacional de
Cidadãos Éticos, UNACE, assinalou que “com essa decisão da Corte se comprova
que o episódio de 1996 foi uma farsa orquestrada pelo então presidente Juan
Carlos Wasmosy para evitar que Oviedo concorresse às eleições. A Justiça
demora, mas chega”.
Logo que recebeu a notícia de sua absolvição, Lino Oviedo se dirigiu à
Justiça Eleitoral para se reinscrever no Registro Cívico Permanente, ficando
habilitado para concorrer à presidência nas eleições de 2008.
O processo julgado era a última acusação que pesava sobre o líder paraguaio.
Oviedo tinha sido favorecido, na última semana do mês de julho passado, por
uma decisão unânime da Corte Suprema de Justiça que derrubou a acusação dele
ter sido autor intelectual do assassinato do ex-vice-presidente Luis María
Argaña, em março de 1999. A seguir, a mesma Corte ordenou a libertação do
general também no processo em que era acusado de ser mentor do assassinato
de sete manifestantes, durante protestos depois da morte de Argaña.
A inocência de Oviedo havia sido antecipada pela Hora do Povo já na sua
edição de 11 de janeiro de 2000, na capa. “General Oviedo denuncia: Argaña
já estava morto antes do atentado-farsa”. A ampla documentação fotográfica
sobre estes fatos esta disponível a todos no site www.oviedolinocesar.com. O
golpe que não houve também foi denunciado pelo HP.