Defesa da
Contribuição sindical amplia apoios entre senadores
Lideranças da base aliada e da oposição manifestaram aos trabalhadores que
lotaram o plenário do Senado seu compromisso com a manutenção da
contribuição sindical
Comandadas pela CUT, Força, CGTB, NCST, UGT e CTB, mil
lideranças sindicais de todo Brasil lotaram o auditório Petrônio Portela, no
Senado Federal, dia 1º de outubro, e deram um importante passo para derrotar
as emendas da Câmara ao Projeto de Lei 1990/07 - de reconhecimento das
centrais. As emendas seqüestram a contribuição sindical - tornada
facultativa - inviabilizando e fragilizando as entidades.
Além da unidade em torno da manutenção do texto original,
fruto de um acordo construído em anos de debate entre trabalhadores e
governo, as centrais receberam o apoio de senadores dos mais diversos
partidos - da base e da oposição - de votar com urgência a matéria na forma
em que foi concebida.
O autor do requerimento para a realização da audiência
pública, senador Paulo Paim (PT/RS), um dos relatores da matéria, defendeu a
legalização e afirmou que o PL deverá ser votado ainda esta semana nas
Comissões de Assuntos Sociais (CAS), de Assuntos Econômicos (CAE) e de
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), sendo que até o dia 15 deverá ser
apreciada pelo plenário do Senado.
Paim frisou que “99,9% dos cerca de mil participantes do
evento entendem que é chegado o momento de regulamentarmos, de uma vez por
todas, a questão das centrais sindicais e a contribuição hoje existente”.
O PL encaminhado pelo governo tramitou em duas comissões na
Câmara dos Deputados e foi amplamente debatido pelo conjunto dos partidos.
Após ser aprovado sem modificações, partiu para o plenário da Casa, onde
estava sendo ratificado sem maiores problemas até que o deputado Augusto
Carvalho (PPS/DF), na calada da noite, com o plenário esvaziado e em meio a
um jogo da Seleção Brasileira, apresentou uma emenda feita literalmente “nas
coxas”, tornando o desconto da contribuição sindical facultativo. A emenda
não só inviabiliza a independência financeira e política do movimento
sindical, como principalmente decreta o fechamento de milhares de sindicatos
no país inteiro.
UNANIMIDADE
Durante a audiência no Senado, todas as centrais fizeram
uso da palavra e defenderam junto aos senadores a manutenção da lei
original. O senador Waldir Raupp, líder do PMDB, destacou que o seu partido,
que possui a maior bancada da Casa, está do lado dos trabalhadores e que se
empenhará na defesa do acordo. No mesmo sentido, os senadores Aloísio
Mercadante (PT/SP), Marcelo Crivella (PR/RJ), Renato Casagrande (PSB/ES),
Cristovam Buarque (PDT/DF), Marco Maciel (DEM/PE), Lúcia Vânia (PSDB/GO) e
Francisco Dornelles (PP/RJ). Os dois últimos também relatores da matéria, se
comprometeram em derrubar as emendas aprovadas na Câmara.
A líder do governo no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC),
garantiu que o acordo firmado entre as centrais e o governo, que gerou a
proposta apresentada pelo Executivo, será respeitado. Ideli frisou que a
liderança do governo se reunirá com todos os líderes da Casa para que seja
aprovada a posição das centrais.
O senador Francisco Dornelles condenou as emendas da
Câmara: “é um absurdo que em novembro, a 45 dias do fim do ano, se mudem
todas as regras acordadas, afetando o movimento sindical brasileiro. Poderia
ser mudado, mas com ampla discussão e análise das conseqüências aos
trabalhadores”.
Para haver democracia numa sociedade, argumentou o senador
Cristovam Buarque (PDT-DF), são necessários os poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, que são financiados pelos impostos que as pessoas
pagam de forma não voluntária, bem como os partidos políticos e sindicatos.
Os partidos, explicou, são financiados pelo Estado, enquanto que os
sindicatos não possuem nenhuma fonte de recursos estatais e necessitam de
financiamento para continuarem existindo.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da
Silva (Paulinho) – que vem cumprindo um papel importante de articulação no
Congresso -, defendeu junto a senadores do PSDB que é de interesse do país
ter um sindicalismo forte. “Vocês sabem que as centrais têm gente de todos
os partidos. Se a contribuição cair, isso destrói todos os sindicatos rurais
e as confederações. Se isso acontecer, quebra a espinha dorsal do movimento
sindical”, sublinhou Paulinho.
A audiência de quinta-feira foi precedida por um grande
corpo-a-corpo realizado pelas lideranças sindicais no Senado. Uma comissão
de sindicalistas conversou com grande parte dos senadores e pediu o apoio à
regulamentação das centrais. Senadores como o ex-presidente José Sarney
(PMDB/AP), Jefferson Perez (PDT/AM), Sérgio Guerra (PSDB/PE) e Papaléo Paes
(PSDB/RR).
ENCRENCA
Apenas o senador Flexa Ribeiro (PSDB) não se comprometeu
com os trabalhadores e disse ainda que vai ingressar com uma emenda para
acabar também com a contribuição das entidades empresariais. Paulinho
ironizou a brilhante iniciativa do tucano: “a emenda do Flexa vai arrumar
mais encrenca ainda. Vai unir trabalhadores e empresários contra ele. Se
acabarem as federações e confederações patronais, quem vai defender os
interesses do setor produtivo aqui no Congresso? Quem vai defender a
empresinha? Vamos derrubar as duas emendas da Câmara e impedir que a do
Flexa seja aceita”.