Globo advoga extinção de 11.354 sindicatos
Jornal usa seis casos
de supostas ilegalidades para criminalizar a totalidade das lideranças;
objetivo central é acabar com custeio do movimento e enfraquecer luta dos
trabalhadores
Existem algumas piadas, por
mais bisonhas que sejam, que podem até fazer rir. Ver a “Veja”, o jornal “O
Globo” e outros assemelhados se apresentarem como defensores dos
trabalhadores, da democracia nos sindicatos e da punição dos chamados
“pelegos” é mais que uma zombaria. Segundo “O Globo”, a contribuição
sindical (que financia a luta dos trabalhadores) serve unicamente para
sustentar “a mordomia de dirigentes sindicais”, “enquanto trabalhadores mal
remunerados (...) são obrigados a pagar um dia de salário por ano ao
sindicato”. Advoga ainda que a falta de democracia interna e de fiscalização
por parte das autoridades amplifica o desvio do dinheiro para sustentar
mordomias desses sindicalistas.
Para tanto, depois de muito
procurar, encontraram cinco ou seis casos – ainda que questionáveis – de
sindicalistas que não seriam corretos e generalizaram as suas acusações para
todos, na tentativa de criminalizar o conjunto do movimento sindical, ou
seja, os mais de 11.354 sindicatos existentes no Brasil.
Os exemplos citados (que na
essência tentam disseminar a idéia de que todo trabalhador ou seu
representante é ladrão, aproveitador e, portanto, não pode ter estruturas
para organizar a sua luta) servem como pano de fundo para patrocinar a tese
do fim da contribuição sindical. Sabem que sem custeio, tais trabalhadores
“mal remunerados” não terão recursos para manter a sede de seu sindicato,
fazer seu jornal, lutar por melhores condições de trabalho, melhores
salários, etc. Nesse mesmo sentido, centrais, confederações e federações
também não podem ter estrutura para defender os direitos trabalhistas, o
sistema previdenciário, a geração de empregos ou dar sustentação para um
presidente, que também foi líder sindical, implementar as mudanças
necessárias no país.
Houve um tempo, não muito
distante, que tais órgãos de mídia defenderam e ajudaram a implementar o
fechamento dos sindicatos através da prisão ou assassinato de seus
dirigentes. Quem defendia o país e a democracia era bandido ou subversivo.
Hoje, está mais difícil sustentar isso abertamente. Por isso, a campanha da
mídia se detém em cortar a comida, selar os sindicatos pela inanição.
Afinal, esses trabalhadores e seus direitos trabalhistas só criam problemas
para a atuação do monopólios.
Não existe dúvida, que a
grande maioria das lideranças sindicais dedicam suas vidas pela melhoria das
condições de trabalho de seus companheiros. Além disso, nem de perto passa
pela cabeça dos pseudos-defensores dos trabalhadores questionar o “luxo” dos
dirigentes dos sindicatos patronais. Muito menos, atentar contra taxas
cobradas por entidades de profissionais liberais, como a OAB, que são
obrigatórias e impedem que o trabalhar exerça a sua profissão caso não
pague. Enquanto eles estiverem assessorando a oposição ao governo, não serão
importunados.
O mesmo vale para os patrões,
que também recebem os recursos dos impostos sindicais, além de terem
estruturas que recolhem mais de R$ 12 bilhões por ano. Para a mídia, os
patrões devem se organizar, possuir mecanismos para se defender desses
trabalhadores folgados que querem ter férias e ter descanso semanal. Diriam
eles: “Já estão falando até em reduzir a jornada de trabalho para ficar mais
tempo com a família e criar mais empregos. Daqui a pouco vai ter mais
trabalhadores empregados, e querendo mordomias. Onde esse mundo vai parar?”
Fiscalizar a utilização dos
recursos repassados às entidades patronais pra quê? Afinal, rico não é
ladrão. Já no trabalhador, não dá para confiar. É só ver um dinheirinho que
ele logo quer luxo. Por isso o Tribunal de Contas, o Ministério Público e a
Polícia Federal devem fiscalizar, perseguir, fazer auditoria, pente-fino,
manter acuado o movimento sindical para que suas lideranças não desviem o
dinheiro que é repassado pelo trabalhador para a sua entidade, defensora de
seus direitos. Esta é a mentalidade dos antigos senhores de escravos, agora
servos de um sistema explorador, incrustado nas redações de alguns órgãos.
Não há nada mais justo e
democrático que todos os trabalhadores contribuam com o custeio de sua
principal arma de luta, o sindicato. Quando a luta sindical garante
conquistas, aumentos salariais, isso vale para todos. Não é a
compulsoriedade da contribuição que tem que acabar. É preciso por fim às
classes distintas de trabalhadores, a dos filiados e não filiados. Todos os
trabalhadores devem ser considerados filiados ao sindicato e possuir os
mesmos direitos. Da mesma forma, todos devem ser responsáveis pelo custeio e
estruturação de sua categoria.
Em alguns casos, até por
descuido, algumas lideranças acabam achando que é menos trabalhoso acabar
com os oportunistas, que existem em todos os setores, reduzindo a fonte de
seu interesse. Isso seria como matar a lombriga cortando o alimento da
criança. Não há dúvida que vai acabar com o parasita, mas antes vai matar o
inocente.
Portanto, acabar com a
contribuição consolidada há mais de 50 anos e achar que o inimigo virou
defensor de seus interesses é um grave erro.
ALESSANDRO RODRIGUES