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Rússia comemora passagem dos 90 anos da Revolução Soviética

No centro de Moscou, 50 mil pessoas foram à Praça Vermelha e centenas de manifestações e atos por toda a Rússia, de Leningrado a Vladivostok homenagearam a data. Desfile militar reconstituiu a histórica parada de 7 de novembro 1941, com Stalin

O povo russo comemorou os 90 anos da Revolução Socialista com uma grande manifestação no centro de Moscou, que reuniu 50 mil pessoas junto à Praça Vermelha, e também os 66 anos da vitória na Batalha de Moscou. Ocorreram, ainda, centenas de manifestações e atos por toda a Rússia, de Leningrado a Vladivostok, no extremo leste, assim como nos Urais. A data também foi homenageada em Minsk, capital da Bielorrússia, e na capital da Ucrânia, Kiev. Abrindo a manifestação, uma grande bandeira vermelha soviética. No desfile militar organizado pela prefeitura de Moscou, com os participantes trajados com os uniformes do exército vermelho dos anos 40 e a presença de veteranos de guerra, foi feita a reconstituição da parada militar de 7 de Novembro de 1941, da qual as tropas, após se apresentarem perante Stalin, marcharam dali, sob suas ordens, diretamente para combater – e derrotar - as tropas nazistas às portas de Moscou.

Os manifestantes desceram da praça Pushkin pela avenida Tverskaia. No percurso, foram acolhidos com calorosas saudações e aplausos. Encabeçando a manifestação, o presidente do Partido Comunista da Federação Russa, Guenadi Ziuganov, ladeado por líderes de seu partido e de organizações progressistas aliadas, por lideranças camponesas, operárias e juvenis, por personalidades da intelectualidade e militares, e por delegados dos 83 partidos que participaram na vizinha Bielorrússia de um encontro em homenagem aos 90 anos da revolução.

NOVA ERA

Ao chegarem à praça, teve início o ato dos 90 anos da Revolução de Outubro – que ficou assim conhecida porque ocorreu nesse mês em 1917, de acordo com o calendário então em vigor na Rússia, o gregoriano, que tinha dias de diferença em relação ao usado no resto do mundo. “Viva Lênin!”, “Viva Stalin!”, bradava a multidão, em reconhecimento aos dois líderes máximos do processo que tirou a Rússia das trevas feudais, e abriu o caminho de toda a Humanidade para uma nova era, para o socialismo.

 No seu discurso, Ziuga-nov assinalou as imensas conquistas da revolução, a construção da União Soviética, a nacionalização das empresas em mãos de especuladores estrangeiros, o soerguimento de uma poderosa indústria e de uma base material capaz de  atender às necessidades de todo o povo. Com o novo século, acrescentou, “os ideais de Outubro persistem nas aspirações revolucionárias dos povos e não temos dúvida de que estas triunfarão”. Ele também se disse convicto de que o socialismo retornará à Rússia.

JUVENTUDE

A manifestação contou com uma grande presença de jovens, e coube a uma dirigente do Konsomol (Juventude Comunista), de 20 anos, encerrar a homenagem, com a leitura de uma declaração sobre a contribuição da Revolução Russa para o país e para a Humanidade. Esse forte comparecimento da juventude acabou tendo de ser admitido pelo correspondente da BBC, James Rodgers, que ali esteve para pinçar fotos e declarações de idosos, com o costumeiro objetivo de induzir que só os “aposentados” russos são a favor do socialismo. Após entrevistar uma senhora de 68 anos, Lyubov Shesto-pavlovna, os manifestantes próximos disseram na cara dele que ele só estava ali porque “queria dizer que todos os comunistas são idosos”. Acabou tendo de entrevistar Arseny Svidersky, de dezoito anos, que retrucou: “tem gente que acha que o comunismo é coisa que ficou para trás, do passado. Nós achamos que é a idéia do futuro”.

No desfile militar na Praça Vermelha, o prefeito Iuri Lujkov rememorou as circunstâncias da Batalha de Moscou de 7 de novembro de 1941. “Hitler planejava uma parada das tropas fascistas na Praça Vermelha no dia 7 de novembro de 1941. Moscou estava sitiada (...) o mundo observava o desenrolar da batalha perto da cidade”, afirmou, considerando como “a primeira e a mais importante vitória para nós”. Efetivamente, naquele momento, diante de uma ofensiva que se pretendia invencível, e com as tropas nazistas já fechando o passo até Moscou, Stalin determinou que fosse realizada a parada na Praça Vermelha em comemoração do 24º aniversário da Revolução, e que dali as tropas marchassem diretamente para o front.

EXÉRCITO VERMELHO

Alguns mais apressados emitiram a curiosa opinião de que o desfile foi realizado “para atrapalhar” a manifestação. Com Bush intentando impor à Rússia seus mísseis “antimísseis” na fronteira, a minutos de alcance dos centros vitais russos, não parece ser o caso. A propósito, a Duma russa aprovou no dia 7 a saída da Rússia do tratado de limitação de tropas no teatro europeu - que só ela cumpria, enquanto a Otan segue em expansão batida até suas fronteiras. No desfile, participaram cerca de mil militares com os uniformes e bandeiras do exército vermelho da II Guerra Mundial, mais nove mil estudantes de escolas militares e membros de círculos patrióticos. Quanto aos sentimentos divididos de numerosos setores do partido de Putin, sobre a Revolução Russa, eis a consideração feita pelo vice-presidente da Duma, membro do “Rússia Unida”, Oleg Morozov: que “talvez só possa ser comparada na história da humanidade à emergência do cristianismo”. Em Minsk, o presidente bielo-russo Alexander Lukachenko, em mensagem ao seu povo, afirmou que a “Revolução de Outubro não só mudou o destino de uma grande nação, mas fundamentalmente definiu o caminho de desenvolvimento do ser humano. Ela atraiu milhões de pessoas no processo de construção de uma nova sociedade, uma sociedade sem exploração, sem opressão, sem desigualdades”.

ANTONIO PIMENTA

                                                  

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