Procuradoria pede
30 anos de cadeia para o nipo-peruano Fujimori
A Procuradoria do Peru pediu formalmente na terça-feira,
dia 7, 30 anos de prisão para o ex-presidente do país, o nipo-peruano
Alberto Fujimori (1990-2000) pelas chacinas de Bairro Alto e da
Universidade de La Cantuta, nas quais foram assassinadas 25 pessoas;
pelo seqüestro de um jornalista e um empresário no caso conhecido como
“Porões da Espionagem”, em 1992.
O procurador geral, José Peláez, acusou o ex-presidente por
delito de homicídio qualificado, lesões graves e seqüestro e pediu, além
dos 30 anos de cadeia, o pagamento de uma indenização correspondente a
US$ 33 milhões em favor dos familiares dos 15 mortos em Bairro Alto e
dos 9 estudantes e um professor da Universidade La Cantuta.
O procurador pediu ainda o pagamento de US$ 99.300 de
indenização para o jornalista Gustavo Gorriti e para o empresário Samuel
Dyer que foram seqüestrados nos porões do serviço de espionagem do
exército.
O procurador Peláez adequou a acusação à resolução da Corte
Suprema chilena que aprovou a extradição de Fujimori no dia 21 de
setembro, por solicitação da Justiça peruana para julgá-lo por violação
dos direitos humanos e delitos de corrupção.
A acusação foi remetida à Segunda Sala Penal Especial da
Corte Suprema que processará Fujimori por delitos contra a humanidade a
partir do próximo dia 26.
A matança de Bairro Alto foi cometida em novembro de 1991
pelo esquadrão da morte denominado Grupo Colina que assassinou as 15
pessoas a sangue frio, inclusive um menino. Em julho de 1992, o mesmo
esquadrão matou 9 estudantes e um professor, depois de raptá-los do
campus universitário.
Fujimori renunciou à presidência depois de fugir para o
Japão em novembro de 2000. Atualmente enfrenta no Peru um total de 27
processos judiciais, 39 inquéritos e três processos pendentes sob
acusação de delitos de corrupção e violação aos direitos humanos.