Roteiristas norte-americanos fazem greve
contra desrespeito a seus direitos autorais
Com piquetes diante dos principais estúdios de Hollywood e
produções de talk-shows em Nova York, a “Writers Guild of America” (WGA,
Associação de Roteiristas da América”, iniciou a greve pelo pagamento de
direitos autorais na venda ou exibição de filmes e séries de TV na internet,
celular e vídeo iPods. A greve foi deflagrada após a recusa, depois de 12
horas de negociações, por parte dos grandes estúdios, de respeitar esses
direitos. A última vez que a WGA havia decidido por uma greve ocorreu há 20
anos, e a paralisação durou 22 semanas (cinco meses). O movimento inclui
roteiristas de séries como “Lost” e talk-shows como o “David Letterman”.
Mil roteiristas estão participando diretamente dos
piquetes, e conhecidos nomes de Hollywood e da TV, que dependem do trabalho
deles para se apresentarem, vêm respeitando a decisão da greve e se
solidarizando. Já começou a ser afetada a produção de diversos talk-shows e
seriados. Especialistas em programação de televisão acreditam que essas
séries comecem a ser afetadas apenas a partir de março. O prefeito de Los
Angeles, Antonio Villaraigosa, se disse, em uma entrevista, “muito
preocupado”, porque “se [custou aos estúdios] US$ 500 milhões em 1988, uma
paralisação daquela dimensão teria um impacto de US$ 1 bilhão hoje”. O mero
fato dos grandes stúdios e redes de TV se disporem a correr esse risco ajuda
a dimensionar o que está em jogo. Enquanto embolsam polpudas receitas
suplementares provenientes dos novos meios de difusão midiática, se recusam
a pagar os direitos autorais. Como afirmou um roteirista: “para nós, zero”.
Também tentam tornar isso “legal” por meio da imposição de uma concepção de
que o autor tem de abrir mão de seu direito nesses novos meios.