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Petrobrás põe Brasil na trilha dos exportadores de petróleo
Após a
sabotagem dos 8 anos de FHC, estatal descobre uma área gigante, batizada de
Tupi
A
Petrobrás, depois de intenso trabalho de pesquisa e investimentos descobriu
a maior província petrolífera do país e uma das maiores reservas de todo o
mundo. O volume de óleo e gás, somente na área batizada de Tupi, que
representa uma pequena parte da nova fronteira, aumentará em 8 bilhões de
barris as atuais reservas de petróleo e gás brasileiras, que somam hoje 14
bilhões de barris.
Depois de oito anos do governo Fernando Henrique
Cardoso, nos quais a Petrobrás amargou a sabotagem em seus investimentos e o
Brasil a conseqüente estagnação na evolução das reservas petrolíferas, a
empresa, recuperada, realiza a função que a tornou a mais popular das
empresas brasileiras.
RESERVAS
Com esta descoberta, o presidente Lula estará
elevando as reservas de petróleo do país dos 11 bilhões de barris do início
de seu governo para 22 bilhões de barris. Isso sem levar em conta que o
total de óleo e gás contidos no campo gigante anunciado poderá, segundo o
presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, elevar as reservas brasileiras
para até 120 bilhões de barris. A extração de petróleo e gás entre 5 mil e 7
mil metros de profundidade, sob uma lâmina d’água de até 3 mil metros, na
mesma camada onde foi descoberta a jazida no Campo de Tupi, pode, segundo
ele, acrescentar cerca de 107 bilhões de barris às reservas brasileiras.
A província petrolífera anunciada pelo governo
se estende pelas Bacias do Espírito Santo, Campos e Santos e tem uma área de
800 quilômetros de extensão e 200 quilômetros de largura. Ela está situada
numa nova fronteira de exploração, onde pela primeira vez foi atingida a
camada pré-sal. A maior parte do petróleo e gás natural explorados até
agora pela Petrobrás estava localizada em camadas geológicas denominadas
pós-sal, sendo 80% delas na Bacia de Campos, com predominância de óleo
pesado. O pré-sal é uma camada de rochas-reservatório que se encontram
abaixo de uma extensa camada de sal, que abrange o litoral do Estado do
Espírito Santo até Santa Catarina.
A Petrobrás é a única empresa no mundo, na
condição de operadora, que perfurou, testou e avaliou as rochas do pré-sal,
até hoje. Isso só foi possível à partir de 2003, quando a empresa retomou os
investimentos, expandiu suas atividades e buscou novas fronteiras de
atuação. Para atingir as camadas pré-sal, entre 5.000 e 7.000 metros de
profundidade, a Petrobras desenvolveu novos projetos e novas tecnologias de
perfuração.
A área denominada Tupi foi analisada e testada
pela empresa com sucesso. A análise dos testes de formação do segundo poço
no bloco BM-S-11, localizado na bacia de Santos, permite estimar o volume de
óleo leve (28º API) em 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural. O óleo
leve é aquele de melhor qualidade e maior valor comercial. Quanto maior o
grau API, mais leve é o petróleo. API são as iniciais de American Petroleum
Institute. O grau API é uma medida da densidade relativa do petróleo.
Segundo a Petrobrás, com esta província, o
Brasil passará a ter reservas equivalentes às da Nigéria e da Venezuela.
Em reunião do Conselho Nacional de Política
Energética, realizada na última sexta-feira, com a presença do presidente da
República, foi discutida a importância estratégica desta descoberta para o
Brasil e foi tomada a decisão unânime de suspender o leilão de todos os
blocos que estão dentro dessa área de 800 quilômetros (v. matéria na pág.
2). O presidente Lula anunciou, em seu programa semanal de rádio, nesta
segunda-feira, que a iniciativa de suspensão do leilão dos blocos da região
é do interesse do Brasil e que a descoberta da Petrobrás colocará o país
entre os maiores produtores de petróleo do mundo.
O feito histórico da Petrobrás representa, sem
dúvida, uma ducha de água fria nas insistentes previsões de crise energética
difundidas pelos plantonistas do apagão. É bom que se registre que essa
vitória só foi possível por conta do reinício dos investimentos suspensos
(com o aplauso dos mesmos catastrofistas) pelo governo anterior. Durante os
anos da sabotagem tucana, a Petrobrás investiu pouco em exploração de
petróleo. A prioridade não era investir mas sim esquartejar a empresa e
entregar as reservas de petróleo para as multinacionais. Da faixa de 4 a 5
bilhões de dólares anuais em média, entre os anos de 1994 a 2002, os
investimentos em exploração de petróleo saltaram, no governo Lula, para US$
7 bilhões em 2003, US$ 12 bilhões em 2005 e para 17 bilhões de dólares em
2006. Em 2007, até o final do ano, será investido um total de US$ 23
bilhões. Ou seja, foram multiplicados por seis os recursos que eram
destinados para investimento da Petrobrás.
Em seu pronunciamento na abertura do 5º Encontro
Nacional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás
Natural – Prominp, na semana passada, o presidente destacou a importância
desta mudança de política: “Se imaginarmos apenas o lucro entre a Petrobrás
e outra empresa de petróleo do porte da Petrobrás, que pode comprar uma
plataforma, em algum país, algumas centenas de dólares mais barata que a que
nós fazemos aqui, se pensar assim, estaremos matematicamente pensando certo
e politicamente pensando errado”. Também ressaltou outro aspecto: “O
importante são os empregos criados no país”.
De acordo com o diretor de Exploração e Produção
da Petrobrás, Guilherme Estrella, que foi um dos principais defensores dos
investimentos na região agora descoberta, o Campo de Tupi fará do Brasil um
dos maiores produtores do mundo. Segundo ele, a área poderá começar a operar
comercialmente em até seis anos. Mas, já em 2011, segundo o diretor, a
extração começará em caráter de teste, com a produção de 100 mil barris de
óleo e gás diários. Estrella informou que a maior parte do óleo de Tupi é
leve e, por isso, muito mais valioso. A Bacia de Campos, onde a Petrobrás
explora a maior parte do petróleo brasileiro, tem predominantemente petróleo
pesado, que exige a mistura com óleo leve no processo de refino.
GÁS
Com investimentos de US$ 1 bilhão, nos últimos 2
anos na região, foram perfurados 15 poços sendo que oito deles foram
devidamente testados e avaliados. No início do projeto, o primeiro poço a
ser perfurado demorou um ano e custou US$ 240 milhões. Hoje, a Petrobras
perfura um poço equivalente em 60 dias, a um custo de US$ 60 milhões.
O presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli,
também estimou que a jazida de petróleo e gás natural descoberta pela
estatal na Bacia de Santos é de alta produtividade e incluirá o Brasil entre
os dez maiores produtores mundiais.
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