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Centrais denunciam alvo da “campanha de calúnias”

Globo quer atingir os 250 mil sindicalistas

 Objetivo do jornal é passar a idéia de que “todo sindicalista é ladrão”

“A cruzada desencadeada pelo jornal ‘O Globo’, com suas calúnias contra a honra e a dignidade de 250 mil lideranças sindicais que representam os 100 milhões de trabalhadores brasileiros, tem por alvo desestruturar a sua luta por melhores condições de vida e trabalho, asfixiando financeiramente os doze mil sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais”, denunciou Antonio Neto, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e vice-presidente da Federação Sindical Mundial (FSM).

Dando continuidade à sua longa e reconhecida trajetória contra o Brasil, os trabalhadores e a democracia, alertou Neto, “O Globo” ataca entidades que têm sido o sustentáculo da garantia de direitos da classe trabalhadora. Para o jornal da família Marinho - que se bate abertamente em defesa da Emenda 3, na ânsia de acabar com direitos constitucionais como o 13º, as férias e a licença-maternidade -, os Sindicatos representam um opositor a ser eliminado. Hipocritamente, no entanto, a publicação tenta se passar por vestal. “O imposto sindical obrigatório ajuda a manter mordomias de dirigentes sindicais enquanto trabalhadores mal remunerados são obrigados a pagar um dia de salário por ano aos Sindicatos”, afirma o jornal dos Marinho. Segundo “O Globo”, tais dirigentes se locupletariam no poder por “40 anos”, encastelando-se nas entidades e passando o mandato de pai para filho, servindo-se de “aviões, helicópteros, casas suntuosas, carros importados”. Um típico caso de projeção, pois salta aos olhos a similaridade com o tipo de “administração” da Vênus platinada, assim como o seu inconformismo com homens e mulheres  que não se submetem ao  tacão, protestam, fazem greves e marchas a Brasília, arrancando aumentos reais e reajustes na tabela do Imposto de Renda.

Neto lembrou que a Constituição de 88 legisla sobre a organização sindical por considerar que estas entidades cumprem papel fundamental para o avanço e aperfeiçoamento das relações de trabalho e da própria democracia. Sendo assim, frisou, “frente à Constituição, os sindicatos não são somente um direito dos trabalhadores, mas uma necessidade social”. Além disso, conforme expresso na Carta Magna, “o sindicato representa todos os trabalhadores de uma categoria, razão pela qual as melhorias salariais e os direitos conquistados nos acordos celebrados com o patronato valem para todos os integrantes dessa categoria. Mais do que justo, portanto, que a contribuição financeira, indispensável à manutenção dessas entidades, deva ser assumida pelo conjunto da categoria beneficiada pela sua ação sindical”.

 FRANÇA

 Ressaltando que a CGTB está aberta a debater sobre novas formas de contribuição financeira para a sustentação da estrutura sindical, Neto lembrou que, “na França, cerca de 40% das receitas dos sindicatos vêm diretamente do Estado. Ou seja, do imposto pago por todos os cidadãos, da mesma forma que o fundo partidário no Brasil”.

Ao condenar a matéria do “O Globo”, que tenta disseminar que todo sindicalista é ladrão, o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique, declarou que “a CUT vai manter o apoio ao acordo firmado pelas centrais com o governo Lula para que o financiamento dos sindicatos seja obra de toda categoria, já que os acordos salariais e conquistas são para todos”. Artur denunciou que “o fim súbito do imposto, sem alternativa de sustentação,  fere este acordo e todo o processo democrático que vem sendo elaborado. Manobra oportunista, que objetiva sufocar o movimento sindical de trabalhadores”.

Para o presidente da Força Sindical, deputado federal (PDT-SP) Paulo Pereira da Silva (Paulinho), “a imprensa pega meia dúzia de maus exemplos que, se for o caso devem ser investigados, levados à Justiça e punidos, para manchar e prejudicar a imagem dos mais de 11 mil sindicatos, passando a idéia de que esta é a situação do conjunto do movimento sindical”.  “Essa matéria do O Globo tem o objetivo de sufocar e inviabilizar financeiramente as entidades sindicais. O imposte sindical que eles são contra é a forma concreta de financiamento das entidades”. “Com essas matérias querem paralisar as entidades, inclusive todos os sindicatos rurais que dependem exclusivamente do imposto sindical”, alertou Paulinho.

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