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CCJ ratifica entrada da Venezuela no Mercosul

Decisão dos deputados da CCJ aumenta e fortalece a integração da América do Sul

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) aprovou na quarta-feira, por 44 votos a 17, o ingresso da Venezuela no Mercosul. A matéria agora vai para votação no plenário da Casa em regime de urgência, seguindo para o Senado após a sua aprovação por maioria simples. O assunto será levado também pela representação do Brasil ao Parlamento do Mercosul. O projeto ratifica o texto do protocolo assinado em Caracas, em julho de 2006, pelos países que fazem parte do bloco econômico. Os votos contrários à ampliação da integração regional foram capitaneados pelo PSDB e PFL/DEM.

ADESÃO

O projeto de decreto legislativo ratificando a adesão da Venezuela ao Mercosul já tinha recebido, na semana passada, parecer favorável do relator, deputado Paulo Maluf (PP-SP). Em seu relatório, o deputado argumentou que a adesão da Venezuela ao bloco está de acordo com o Artigo 4º da Constituição, que orienta o país a buscar a integração econômica, política, social e cultural com a América Latina. A decisão favorável à Venezuela no Mercosul é vista também pela maioria dos parlamentares da CCJ como um vigoroso impulso ao comércio do Brasil com aquele país, que já apresenta hoje um superávit comercial de US$ 3,6 bilhões. 

Em debate na terça-feira, na Câmara dos Deputados, antecedendo a votação, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a aprovação da proposta será boa tanto para o Mercosul quanto para a Venezuela. “Estamos confiantes de que a entrada da Venezuela no Mercosul será boa econômica e politicamente, pela estabilidade que produzirá na região. Será boa para o Mercosul, porque teremos uma vértebra maior para a integração de toda América do Sul. Será boa para a Venezuela, porque o convívio com as democracias do Mercosul ajudará consolidar ainda mais o esforço democrático da Venezuela”, disse Amorim.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, também presente à sessão, foi na mesma direção de Amorim e acrescentou que “o papel das autoridades brasileiras é promover a integração da América Latina”. Ele considerou que a entrada da Venezuela ao Mercosul “é um objetivo do Brasil e não cabe ao país criar obstáculos para a integração com nenhum país e muito menos com um vizinho”.

A Venezuela vive hoje um processo para aprofundar e consolidar a sua democracia e aprovou no parlamento uma reforma em sua Constituição. O país realizará no próximo dia 2 de dezembro um plebiscito envolvendo toda a população para decidir, pelo voto, sobre as mudanças aprovadas pelos parlamentares. Com Hugo Chávez na presidência da Venezuela foram realizadas 7 consultas populares - entre eleições e referendos. O próximo plebiscito será a 8ª consulta popular realizada.

Celso Amorim também rebateu as críticas da oposição sobre uma suposta falta de democracia na Venezuela. Segundo ele, não se sustenta o pretexto de que a Venezuela não cumpre o Protocolo de Ushuaia, de 1998, que  institui, em seu art. 1º, como condição para integrar o Mercosul, ‘a plena vigência das instituições democráticas’. “Há muitos outros países que são tidos como democráticos, mas que tiveram governos que ficaram muito tempo no poder e adotaram outras práticas com as quais não concordamos”, disse.

O presidente Hugo Chávez, em entrevista no início da semana, afirmou que a reforma constitucional em curso em seu país “tem como essência a transferência maior do poder para o povo”. O presidente Lula também disse, no início da semana, ao comentar sobre o quadro político na Venezuela, que “o processo interno que vive a Venezuela é um assunto da Venezuela”. Ele acrescentou que “podem dizer o que quiserem do Chávez, menos que ele não é um democrata”.

INTEGRAÇÃO

Em defesa da proposta, o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE), disse que “nós políticos somos passageiros, as sociedades ficam”. Múcio também argumentou que a Venezuela é um dos maiores compradores brasileiros. Segundo ele, o Brasil tem com o país vizinho “seu segundo maior superávit comercial, com exportações de US$ 3,6 bilhões por ano”.

Já o deputado José Genoino (PT-SP), em seu discurso, também criticou a oposição na questão da democracia na Venezuela. “O que está em jogo não é o processo político pelo qual passa a Venezuela, mas a integração do país ao bloco”. “Rejeitar a entrada da Venezuela no Mercosul seria andar na contramão de princípios como o multilateralismo nas relações internacionais e a solução de conflitos sem a ideologização das diferenças”. “Interesses divergentes devem ser resolvidos dentro da convivência democrática”, afirmou.

Os deputados do PFL/DEM, do PSDB e do PPS passaram mais de cinco horas argumentando contra a ampliação da integração regional e foram orientados pelos líderes partidários a votar contra a entrada da Venezuela no Mercosul. Ao final, o voto “não” à adesão da Venezuela ao Mercosul acabou recebendo apenas 17 votos.
 

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