CUT, Força e CGTB defendem contrapartidas sociais
Construção civil faz
caravana a Brasília dia 23 em apoio ao PAC
Investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento na construção civil e
na infra-estrutura superam os R$ 110 bilhões. Trabalhadores propõem metas de
emprego e qualificação como contrapartidas sociais
“Acelerar o PAC com emprego formal, qualificação
profissional e fim das mortes na construção”. Esta é o lema da Caravana pela
Cidadania na Construção Civil, convocada de forma unificada pela CUT , Força
Sindical e CGTB para o próximo dia 23 de outubro, em Brasília.
O Programa de Aceleração do Crescimento contempla
investimentos superiores a R$ 110 bilhões até 2010 na construção civil e na
infra-estrutura, dinamizando este setor fundamental para a geração de
empregos e resgatando o papel do Estado como indutor do desenvolvimento.
Conforme estimativas do próprio empresariado, o PIB do setor deve crescer 6%
este ano, com a contratação de cerca de 180 mil trabalhadores.
De acordo com Waldemar Pires de Oliveira, presidente da
Conticom (Confederação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores nas
Indústrias da Construção e da Madeira da CUT), as marchas unitárias
realizadas pelas centrais sindicais em 2004, 2005 e 2006, demonstraram a
correção do princípio de somar forças para avançar nas conquistas. “O
momento é de colocar pressão sobre o Congresso Nacional pela aprovação de
uma pauta que contemple os interesses do setor”, defende.
Segundo o dirigente cutista, é preciso aproveitar ao máximo
o momento positivo, “energizado pelo PAC, que necessita de contrapartidas
sociais para garantir que os progressos obtidos no campo da economia se
traduzam em melhorias efetivas na qualidade de trabalho e de vida do
operariado do setor. Defendemos que os recursos públicos sejam liberados
para as obras mediante metas de emprego, qualificação profissional e
segurança nos locais de trabalho”.
Neste momento, acrescentou o presidente da Conticom/CUT,
“precisamos também pressionar o Congresso pela aprovação de três projetos
que dialogam diretamente com a nossa base, de autoria do deputado federal
Vicentinho (PT-SP): o da marmita, o que garante a alimentação gratuita nas
obras; o que reconhece a periculosidade do setor, que trará melhora
substancial para a nossa aposentadoria e o que põe fim à terceirização nos
canteiros”.
MELHORIAS
Para o vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira
(Bira), “a categoria da construção civil no Brasil é uma das que mais sofre
quando a situação econômica está para baixo, mas quando temos um governo que
investe no crescimento, no desenvolvimento, na melhoria das condições de
vida, ficam dadas as condições dela crescer, com mais e melhores empregos e
salários”. Com esta compreensão, destacou Bira, nossa caravana defende
“potencializar o Programa de Aceleração do Crescimento através de
contrapartidas sociais que significarão um empuxe, uma alavanca para
multiplicar as carteiras assinadas e a cidadania plena com o investimento na
qualificação da mão-de-obra”.
O presidente do Sindicato dos
Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo e dirigente da Força
Sindical, Antonio de Souza Ramalho, acredita que “a caravana unitária vai
sensibilizar os parlamentares, que passarão a avaliar com mais motivação os
projetos de interesse dos trabalhadores em tramitação na Câmara e no
Senado”. A mobilização, ponderou Ramalho, “naturalmente chamará a atenção,
cobrando uma maior reflexão de deputados e senadores sobre temas que dizem
respeito a milhões de trabalhadores”. O dirigente da Força lembra que a
alimentação nos canteiros de obras hoje é uma conquista de algumas
convenções coletivas, mas que precisa virar lei para garantir o mesmo
direito a todos. Outro ponto extremamente problemático, ressaltou, é a
insalubridade: “Precisamos que a periculosidade do setor seja reconhecida,
pois os canteiros são realmente insalubres, tanto como as minas de carvão e
amianto, pois são locais onde os trabalhadores estão sujeitos a todo tipo de
acidentes e doenças, em todos os níveis, seja pulmonar ou de pele, havendo
um contato direto com as mais diferentes e perigosas substâncias”, declarou.