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Fidel Castro ao prestar homenagem a Guevara, “excepcional combatente”:

“Che, semeador de consciências na nossa América e no mundo” 

Ato em memória do revolucionário reuniu dezenas de milhares em Santa Clara, cidade libertada pela coluna comandada por Che. A conquista abriu caminho para a vitória da Revolução Cubana 

“Faço uma pausa no combate diário para inclinar a minha fronte, com respeito e gratidão, diante do combatente excepcional que caiu em um 8 de outubro há 40 anos”, afirmou Fidel Castro em mensagem pública, lembrando o heróico revolucionário Ernesto Che Guevara, morto na selva da Bolívia. O Comandante ressaltou, em sua reflexão, “o exemplo que nos legou com sua Coluna, que atravessou os terrenos pantanosos ao sul das antigas províncias de Oriente e Camaguey perseguido por forças inimigas, libertador da cidade de Santa Clara, criador do trabalho voluntário, cumpridor de honrosas missões políticas no exterior, mensageiro do interna-cionalismo militante no leste do Congo e na Bolívia, semeador de consciências na nossa América e no mundo”.

No aniversário do assassinato do Che, ocorrido sob ordens da Agência Central de Inteligência, CIA, o presidente interino de Cuba, Raúl Castro, presidiu o ato central em sua homenagem realizado em Santa Clara, no Memorial onde se encontram seus restos desde 1997, quando foram trazidos da Bolívia. Estiveram presentes na cerimônia a viúva do Che, Aleida March, e três dos quatro filhos que teve com ela – Aleida, Ernesto e Célia.

Num ponto de destaque do ato foi colocado um cartaz alusivo ao histórico pronunciamento realizado por Fidel Castro quando este soube do assassinato do companheiro combatente: “se queremos expressar como queremos que sejam os homens das futuras gerações  devemos dizer: que sejam como o Che! 

GUERRILHEIRO 

O Comandante da Revolução, Ramiro Valdés, segundo no comando da coluna do Che, foi o principal orador do ato, mostrando “a atualidade e força da luta do guerrilheiro argentino-cubano contra a política hostil do imperialismo dos Estados Unidos em relação a Cuba. A vigência da estratégia econômica e política de Ernesto Guevara se manifesta em nosso país como motor impulsionador da sociedade em função do desenvolvimento nacional”.

 “A camarilha fascista de Washington não renuncia à sua política obstinada de esmagar a revolução. Neste momento, as novas gerações, todos os cubanos devemos continuar aprendendo com a vida do guerrilheiro heróico, e nos espelhar em seu exemplo e determinação em defesa do processo socialista. O legado do Che não é uma página na história que devemos lembrar e sim um exemplo vivo que devemos ter presente todos os dias”, frisou o também ministro da Informação e das Comunicações, acrescentando que “com a discussão dos problemas atuais da sociedade, atendendo ao chamado do comandante Fidel e de Raul Castro, o povo cubano desenvolve um combate para aprofundar a independência e manter o socialismo. Estamos vivendo uma época de combate que deve se tornar uma hora do Che”.

Durante o ato, com a presença de mais de 10 mil pessoas, ouviu-se a gravação da carta de despedida  que o Che dirigira em 1965 a Fidel Castro, se preparando para sua viagem para a Bolívia, escala para contribuir com a revolução de seu país, a Argentina. 

DESPERTAR 

A filha do Che, Aleida Guevara, divulgou também uma mensagem para os cubanos: “Lembremos o compromisso que todos temos para com uma sociedade mais forte, hoje que a América Latina começa a despertar e se fazem realidade os sonhos de todos juntos”. “Temos que estar presentes e mais unidos que nunca, essa é a melhor mensagem para nossos pais e a nossos heróis queridos”, declarou.

O Che “deixou-nos seu estilo inconfundível de escrever, com elegância, concisão e veracidade, cada detalhe do que passava pela sua mente. Era um predestinado, mas ele não o sabia. Combate conosco e por nós”, registrou Fidel com emoção em sua reflexão.

Na ocasião, 210 crianças receberam o lenço azul que caracteriza a organização infantil Pioneiros, em representação dos 138 mil pequenos que ingressaram nos Pioneiros José Marti.

Como parte da homenagem ao Che, na noite de domingo teve lugar na Universidade de Santa Clara o concerto “Homem e Amigo”, encabeçado pelo autor e cantor Silvio Rodríguez, inaugurando o “Ano Guevariano” que culminará na Argentina no próximo 14 de junho de 2008, dia em que o Che faria 80 anos.
 

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