Justiça obriga Tecumseh
a recontratar 800 operários demitidos durante greve
Em São Carlos-SP,
a multinacional norte-americana terá de reverter as demissões ilegais que
provocou para tentar intimidar a luta dos metalúrgicos em defesa da PLR
(Participação nos Lucros e Resultados)

A Procuradoria Regional do Ministério Público do Trabalho
de Araraquara determinou no dia cinco que a multinacional norte-americana Tecumseh recontrate os 800 trabalhadores demitidos ilegalmente durante a
greve realizada pelos seis mil metalúrgicos da unidade. Os operários
cruzaram os braços por quatro dias em julho de 2006 pelo pagamento da PLR
(Participação nos Lucros e Resultados) na empresa, fabricante de
compressores, instalada na cidade de São Carlos, no interior paulista.
De acordo com a Justiça, as contratações deverão seguir
listagem elaborada pelo Sindicato dos Metalúrgicos. Toda vez que houver
contratações, 40% das vagas, obrigatoriamente, serão reservadas aos
trabalhadores cujo nome consta da lista. De acordo com a entidade, esse
processo de seleção será gradativo até que todos os demitidos que foram
perseguidos em retaliação ao movimento grevista sejam recontratados.
“Esta vitória inédita foi uma resposta à truculência da
Tecumseh, que usou de má conduta, perseguições, truculência e prática
anti-sindical contra seus funcionários. Eles se ampararam em um legítimo
direito e foram à greve pelo pagamento da PLR, que não estava sendo cumprida
pela direção da transnacional americana”, afirmou o presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Carlos e da executiva nacional da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), Rosalino de Jesus Barros, comemorando a
conquista.
Rosalino destacou que “este avanço só foi possível porque
os trabalhadores, unidos com o Sindicato, não baixaram a cabeça e deram
continuidade às mobilizações até conseguir romper com a intransigência da
Tecumseh, que daqui para frente está proibida de usar essa forma de
violência”. Com esta decisão judicial, frisou, “em qualquer contratação de
novos funcionários, a direção da empresa terá que comunicar o Sindicato e à
Justiça para que 40% dos trabalhadores pertençam à lista dos demitidos no
período da greve”.
CRIMINOSOS
Segundo o sindicalista, “ficou demonstrado que a Tecumseh
praticou crime contra a organização dos trabalhadores. Com o Ministério do
nosso lado, barramos um comportamento desleal da empresa e a perseguição de
direitos”.
Durante os dias de greve, lembrou Rosalino, “a
multinacional usou até de escolta policial para intimidar os metalúrgicos, a
fim de que não participassem do movimento. Instalou câmeras por todo o lado
para registrar os funcionários que paralisaram e anunciou o recrutamento de
1.200 pessoas para forçar seu retorno à produção”. Mas, o tiro saiu pela
culatra: “agora, os demitidos vão voltar aos seus postos de trabalho”.
ABUSOS
Conforme Eric Pereira da Silva, secretário-geral do
Sindicato, a empresa usou de todos os métodos para intimidar o movimento,
como o anúncio em rádios da região de que contrataria 1.200 trabalhadores e
pagaria todas as despesas para que os candidatos enviassem seus currículos.
O Ministério Público Federal do Trabalho concluiu que houve
retaliação aos trabalhadores grevistas, o que culminou na obrigação da
fábrica assinar o Termo de Ajustamento de Conduta.
ADEMAR COQUEIRO