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Jobim refuta ingerência do IPCC: “Amazônia é uma questão nossa”

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, repeliu as declarações do indiano Rajendra Pachauri, presidente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU), que pregou ingerência estrangeira sobre a Amazônia com o pretexto de proteger a região. Jobim declarou que a soberania nacional sobre a Amazônia “é inegociável”, e que “é difícil receber recomendações” dos estrangeiros, destacando: “lembrem que eles destruíram tudo. Nós vamos cuidar da Amazônia porque é uma questão nossa; os brasileiros sabem cuidar do que é seu”.

Jobim deixou claro ainda que “a Amazônia tem de deixar de ser uma questão exclusivamente ambientalista e indigenista. É uma questão ambientalista e indigenista, mas também uma questão de ocupação do Estado brasileiro e de critério de desenvolvimento sustentável”. O presidente do IPCC, que ganhou o nobel da Paz, também havia dado o palpite de que é preciso ter “um acordo internacional para garantir que a proteção florestal aumente no mundo”.

O repúdio do ministro da Defesa foi feito durante a primeira etapa da visita à Amazônia, acompanhado de uma comitiva composta por diversas autoridades – entre elas a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; os comandantes do Exército, general Enzo Martins Peri; da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito; da Marinha, almirante Júlio Saboya de Araújo Jorge; pelo general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante Militar da Amazônia e representantes de vários ministérios. A viagem teve início no dia 12 e, em sua primeira etapa encerrada no dia 14, a comitiva conheceu as estruturas dos postos de fronteira das FFAA ao longo de 1.500 Km. A segunda etapa da viagem se encerra no próximo dia 18.

ALMA DA NAÇÃO

Um dos principais objetivos da comitiva, de acordo com o ministro da Defesa, é fazer um levantamento “in loco” das condições dos postos de fronteira. “Lembrem-se de que nós estamos elaborando um Plano Estratégico Nacional de Defesa em que a Amazônia é um item importante”, afirmou Jobim. “Vamos agora desenvolver, junto com o Exército, a definição das tarefas, e subseqüente a isso, a definição do aparelhamento necessário, de forma a ter um planejamento orçamentário que suporte essa definição”, disse o ministro destacando que “a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, teve esse sentido. O convite que o Ministério da Defesa fez a ela foi exatamente o de verificar a necessidade de termos um projeto de desenvolvimento sustentado na Amazônia com a presença mais eficaz do Estado”.

O comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, afirmou que o principal problema na região é o “vazio de poder”. De acordo com ele, ONGs estão ocupando um lugar que o Estado deveria atuar. O mesmo problema foi levantado pelo general José Benedito de Barros Moreira ao denunciar que algumas ONGs atuam na Amazônia para conspirar contra o desenvolvimento nacional. Segundo ele, o Brasil deve ter cuidado com “as ONGs que são pagas para retardar o desenvolvimento do país”.

A ministra Dilma considerou a “viagem muito importante. Dessa viagem, guardo a certeza de que qualquer brasileiro tem que a Amazônia integra uma parte fundamental da nossa constituição, da alma da nação”. Ela destacou que “as Forças Armadas aqui cumprem um papel que é ao mesmo tempo, como eles dizem, de vida, trabalho e combate, mas elas cumprem um papel que pode ser também traduzido como cidadania soberana. Um trabalho de construção da integração das populações que vivem na Amazônia e, ao mesmo tempo, de garantia da nossa soberania nesta região e neste território”.

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