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Brasil não troca Mercosul por Doha, adverte Itamaraty

“O Mercosul é prioridade absoluta para o Brasil, por isso a negociação tem de tornar compatível a liberalização multilateral com a integração regional. Não podemos forçar escolher entre participar amplamente da negociação de Doha e ao mesmo tempo provocar uma crise no Mercosul”, afirmou Clodoaldo Hugueney, embaixador do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty defendeu concessões aos países do Mercosul para que possam manter proteções ao setor industrial, contrariando as pretensões dos EUA e da União Européia.

Nas negociações em curso na Suíça, os países centrais argumentam que o Mercosul não é uma união aduaneira, na tentativa de impedir que as concessões sejam garantidas ao bloco. “Entre Doha e o Mercosul, o Brasil escolhe o Mercosul”, declarou o embaixador brasileiro.

Liderando um grupo de 90 países em desenvolvimento, o Brasil e a Índia apresentaram à OMC proposta restringindo a liberalização de tarifas no setor industrial, encaminhando pedido de prioridade à agricultura. O Brasil pediu ainda a inclusão do etanol nas negociações como um bem ambiental, ou seja, que a OMC inclua o etanol na lista de produtos que terão suas tarifas zeradas.

“GUERRA DE MÍDIA”

Em Genebra, o Itamaraty reagiu ao que classificou como “pura propaganda” a campanha feita pelos Estados Unidos de que o Brasil e outros países em desenvolvimento estariam inviabilizando a Rodada de Doha. O ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, denunciou “guerra de mídia” promovida pelos países centrais com a intenção de ganhar simpatia dos jornais financeiros internacionais. De acordo com o chanceler brasileiro, o esquema proposto pelos países desenvolvidos é “injusto e incorreto”. Na negociação agrícola, principalmente os EUA, querem aumentar, e não baixar, subsídios de produtos como algodão e soja, e cortar em até 66% as tarifas industriais dos países em desenvolvimento. Diante das pressões dos países centrais, Amorim declarou que “dessa maneira, não teremos rodada”.

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