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Renan: “minha trincheira de luta é a minha inocência”

“Resistirei firme na minha defesa, honrando a confiança da minha família, do povo de Alagoas, dos meus amigos, dos meus colegas de Senado”

 Ao anunciar na quinta-feira que iria se licenciar do cargo de presidente do Senado pelo período de 45 dias, o senador Renan Calheiros (PMDB) afirmou que “agindo assim, afasto, de uma vez por todas, o mais recente e injusto pretexto usado para tentar dar corpo à inconsistência das representações enviadas, sem qualquer indício ou prova, ao Conselho de Ética”.

 Até a presente data, cinco representações contra ele já foram copiadas das páginas de “Veja” e apresentadas ao Conselho de Ética. A primeira delas, de que não teria dinheiro para pagar a pensão de filha e precisava recorrer a uma empreiteira, ruiu em votação no Plenário. A última, de que teria enviado um funcionário da Presidência, um tal de Chiquinho Escórcio, para filmar senadores da oposição cometendo ilegalidades num aeroporto de Goiânia, não foi sustentada, diante de Renan, nem pelos supostos alvos da armação, Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB). Apesar disso, apresentou-se a representação.

Em suma, criou-se um clima no Senado de que havia uma “crise”. O fato das denúncias serem inconsistentes, ou seja, de Renan ser inocente, pareceu pesar menos a alguns senadores do que esta “crise”. Obviamente, quando se quer fugir a enfrentar os problemas reais – nesse caso, o achaque de “Veja” e outros golpistas – passa-se a culpar a vítima pelos atos do criminoso. Tal não aconteceu com todos os senadores, mas com alguns que não resistiram ao assédio golpista.

A íntegra do pronunciamento de Renan é a seguinte:

“Na noite de hoje, decidi me licenciar da Presidência do Senado Federal, pelo prazo de 45 dias, a fim de demonstrar, de forma cabal e respeitosa, à Nação e a todos os ilustres senadores, que não precisaria do cargo para me defender.

“Agindo assim, afasto, de uma vez por todas, o mais recente e injusto pretexto usado para tentar dar corpo à inconsistência das representações enviadas, sem qualquer indício ou prova, ao Conselho de Ética.

“Com este meu gesto, que é unilateral, preservo a harmonia no Senado, deixo claro o meu respeito pelos interesses do País e homenageio as altas responsabilidades das funções que exerço, contribuindo decisivamente para evitar a repetição dos constrangimentos ocorridos na Sessão do dia 09 de outubro.

“Reafirmo que enfrentarei os processos, como fiz até agora, à luz do dia, com dignidade e sem subterfúgios.

“Não lancei mão das prerrogativas de Presidente do Senado em meu benefício ou contra quem quer que seja.

“A minha trincheira de luta sempre foi a inflexível certeza da inocência, a qual, estou convicto, prevalecerá com a verdade, como aconteceu na minha absolvição. O poder é transitório, enquanto a honra é um bem permanente, que não sacrifico em nome de nada.

“Resistirei firme na minha defesa, honrando a confiança da minha família, do povo de Alagoas, dos meus amigos, dos meus colegas do Senado Federal e daqueles que, mesmo sem me conhecer, com o seu apoio e suas mensagens e orações me deram forças.

“A estes certamente não decepcionarei!

“Aguardarei, serenamente, que a Justiça e a verdade prevaleçam”.

Desde o princípio da cruzada contra ele, o senador havia facilitado todos os instrumentos de investigação. Não houve, como não há, de nenhum senador da oposição, quanto mais da situação, queixas de que ele estivesse agindo, em algum momento, para impedir investigações. Pelo contrário, até mesmo forneceu documentos que não estava obrigado a fornecer – pois a prova cabe a quem acusa. Somente em um lugar apareceram histórias de que ele estava fazendo isto ou aquilo para obstruir o processo: nas páginas da “Veja”. Renan havia se referido à disputa das instituições democráticas com a mídia golpista sobre quem representa o país – quem foi eleito ou quem é proprietário ou controla um monopólio de mídia. Com efeito, pretendem substituir quem foi eleito pelo povo pela chantagem midiática. A única precisão possível a fazer, é que eles não pretendem representar o povo, nem o país, nem a nação: pretendem submetê-los.

O afastamento de Renan acaba com as intrigas de que estaria interferindo no processo. Ao mesmo tempo, acaba com o nervosismo em torno de uma “crise”, como se ele fosse culpado pelos ataques que sofreu. É hora, agora, do senso de justiça voltar a prevalecer.

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