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Basílio e tabu, história de 30 anos

Se o tabu de pouco mais de quatro anos que o Corinthians quebrou do São Paulo foi festejadíssimo neste 7 de outubro, imaginem como foi a comemoração do fim de jejum de títulos após de 22 anos, oito meses e sete dias? No dia 13 de outubro de 1977 a nação corintiana lavou a alma com a conquista do Paulistão sobre a Ponte Preta, no Estádio do Morumbi. Lá se vão, portanto, 30 anos da histórica conquista.

O grito de campeão estava entalado na garganta do corintiano, que invadiu o Morumbi nas três partidas da fase final. Na primeira deu Timão, por 1 a 0, gol de rosto de Palhinha. Aí, a fiel prestigiou maciçamente o time por ocasião da segunda partida, convicta que comemoraria o título naquele 9 de outubro. As bilheterias do estádio registraram público recorde de 136.032 pagantes, mas o valente time pontepretano “apagou” o rojão do torcedor adversário com a surpreendente vitória de virada por 2 a 1, gols de Dica e Rui Rei, com Vaguinho marcando para o alvi-negro paulistano.

Aí, no dia 13 de outubro, foi disputada a chamada “negra”, ou melhor de três como queiram. Ao Timão bastava o empate, mas a sua barulhenta torcida exigia comemoração em alto estilo, com vitória retumbante. E a missão foi simplificada pela discutida expulsão do atacante Rui Rei, da Ponte, com 15 minutos de jogo.

No segundo tempo, o Timão se mandou ao ataque, pressionou, e o gol da vitória saiu após uma seqüência de rebotes da defesa pontepretana. O meia Basílio deixou o campo como o herói da conquista pelo gol marcado aos 38 minutos, que sacudiu literalmente o Morumbi, pois o público de 86.677 pagantes era predominantemente de corintianos.

VELHA GUARDA

Evidente que os torcedores corintianos da velha guarda jamais vão esquecer o time formado por Tobias (Jairo); Zé Maria, Moisés, Ademir Gonçalves e Wladimir; Russo e Luciano; Vaguinho, Basílio, Geraldão (Palhinha) e Romeu Cambalhota. O comandante foi o técnico Oswaldo Brandão, já falecido. João Roberto Basílio, hoje com 58 anos de idade, ganhou o apelido de “Pé de anjo” e, embora não fosse craque, personificava em campo o estilo guerreiro do corintiano. Sua história no futebol começou na Portuguesa, clube que no passado abastecia as grandes equipes da capital paulista com negociações de passes de jogadores. O lateral-direito Zé Maria, o zagueiro central Ditão (já falecido) e o meia Nair também passaram pela Lusa antes do Timão. O lateral-direito Djalma Santos e os atacantes Servílio e Leivinha se destacaram no time luso antes de se transferirem para o Palmeiras. Tudo ia relativamente bem para Basílio no Corinthians até que fosse diagnosticado problema em um de seus meniscos. E com a natural queda de rendimento de seu futebol, trocou o Corinthians pelo Juventus, diga-se de passagem a contragosto. Era o começo da estrada da volta no futebol. Do time da Mooca foi para o Nacional - ainda na capital paulista - e Taubaté (SP), onde encerrou a carreira.

Com a proposta de ingressar na carreira de treinador de futebol, ganhou a primeira chance nos juvenis do Corinthians e, pela facilidade de comunicação e boa absorção dos ensinamentos de antigos mestres, logo mostrou que levava jeito pra coisa, tanto que de técnico tampão foi fixado na equipe principal, com direito de retorno em outras ocasiões.  

* Ariovaldo Izac é jornalista em Campinas e colaborador do HP
 

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