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Governo do Paraná exige revisão dos preços abusivos dos pedágios no Estado

‘Só ganância das concessionárias justificava os pedágios extorsivos’

Líder do governo na Assembléia do Paraná, deputado Luiz Cláudio Romanelli, ressaltou que as baixas tarifas conseguidas na concessão federal provam que “tarifa de pedágio do Paraná que é abusiva, extorsiva e sangra a economia paranaense”

 “Temos agora um referencial de quanto são abusivas as tarifas praticadas pelas concessionárias que exploram os 2,4 mil quilômetros de rodovias pedagiadas no Paraná”, denunciou o deputado estadual e líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).

Em entrevista à TV Paraná e Bandeirantes, Romanelli afirmou que a concessão das rodovias federais, na semana passada, deixou “comprovado que, quando há uma licitação verdadeira - não uma fraude como foi no governo Jaime Lerner na implantação do pedágio - verificamos que o preço abaixa muito”. Os preços nas rodovias federais leiloadas para concessão no Paraná serão de R$ 1,02 a R$ 2,54, enquanto as concessionárias que controlam 27 pedágios no Estado cobram R$ 10,90.

Revisão

Na semana passada, o governo do Paraná apresentou, na Assembléia Legislativa, a revisão dos preços cobrados nos pedágios paranaenses e levou a questão ao Judiciário do Estado. De acordo com Romanelli, um juiz federal de Curitiba entrou com decisão judicial que questiona o excesso de lucro das empresas, mais especificamente da concessionária Rodonorte. “Eu não tenho dúvida de que os argumentos mentirosos, falaciosos utilizados pelas concessionárias estão caindo por terra”, disse o deputado.

Convocando a sociedade a se mobilizar contra os abusos, Romanelli destacou que “é muito oportuno aproveitar esse momento para que possamos reduzir a tarifa de pedágio do Paraná que é abusiva, extorsiva, que sangra a economia paranaense, prejudica o corredor de soja, cria todas as dificuldades na economia”.

Para o secretário dos Transportes do Paraná, Rogério W. Tizzot, “só há uma razão para que as tarifas continuem nesse patamar: a ganância das concessionárias, que penalizam os paranaenses há quase 10 anos”. Tizzot questionou o motivo de um cidadão “gastar R$ 10,90 para ir ao litoral paranaense, quando vai pagar R$ 5,15 pela viagem de Curitiba a Florianópolis, que tem quase 300 quilômetros a mais”.

Abuso

A discrepância das tarifas cobradas no Paraná é visível quando “apenas 22%, mas podendo chegar a 30%, da receita das concessionárias é investido de alguma forma (em manutenção) e cerca de 70% é lucro para as concessionárias”, relatou Romanelli.

“O que tem que ser reduzidos são os lucros. A revisão das TIR’s (Taxa Interna de Retorno – fator que reflete o lucro das empresas) para patamares semelhantes aos dos novos pedágios do Governo Federal é o ponto inicial de qualquer negociação”, ressaltou o secretário Tizzot.

O Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) também irá pedir a revisão das tarifas cobradas no Paraná. De acordo com o presidente do sindicato, Ulisses Kaniak, levantamentos da entidade, em conjunto com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apontam que o pedágio no Paraná apresentou aumento médio real de 30 % acima da inflação, desde junho de 98. “Enquanto a inflação acumulada até maio desse ano foi de 81,44%, as tarifas subiram 136,27 %, o que gerou um aumento real acima da inflação de 30,22%”, explicou o economista do Dieese, Sandro Silva. No ano passado, as empresas que controlam os pedágios no Paraná arrecadaram R$ 750 milhões para administrar 2,5 mil quilômetros de estradas.

“Eu tenho certeza absoluta que esse movimento não é só no Paraná, vai ser em São Paulo, vai ser no Rio Grande Sul, por que ficou muito claro que há de fato uma tarifa extorsiva sendo cobrada no Brasil inteiro, por conta daquele modelo dos anos do FHC. Aquele modelo de fazer um acerto entre as empreiteiras para beneficiar alguns poucos”, afirmou Cláudio Romanelli.

JÚLIA CRUZ

  

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