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Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA)

Brasil vai nacionalizar financiamento do maior estudo sobre a Amazônia

O governo decidiu assumir inteiramente o financiamento do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), o maior programa de cooperação científica do mundo na área ambiental, que completa 10 anos em 2008.

A decisão foi tomada em reunião liderada pelo presidente Lula. No encontro, ficou acertado que o novo projeto - informalmente chamado de Programa Amazônia - vai abranger todas as áreas de pesquisa científica, e não apenas a ambiental.

De acordo com o coordenador do programa, Antonio Manzi, “muitos dos dados que embasaram os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) levaram em consideração as conclusões de algumas pesquisas feitas pelo LBA”.

O programa é hoje financiado em parte pela agência espacial norte-americana (NASA) e por organismos europeus, além dos recursos do governo brasileiro, e possui 15 torres de observação espalhadas pelas regiões Norte e Centro-Oeste. O plano é garantir maior autonomia ao Brasil no que diz respeito à informações e pesquisas que estão sendo realizadas na região amazônica.

Entre as descobertas feitas pelos pesquisadores vinculados ao LBA, está o fato de a capacidade de resistência da floresta amazônica à seca ser bem maior do que previu o último relatório do IPCC. A pesquisa “Seca Floresta” simulou durante quatro anos uma diminuição de 50% das chuvas em Santarém no Pará e descobriu que as árvores têm mecanismos que lhes permitem sobreviver à secas extremas, o que contradiz os modelos climáticos computadorizados que fundamentam a “savanização” da Amazônia por aquecimento do planeta.

Para nacionalizar o financiamento das pesquisas, o governo brasileiro terá que aumentar dos atuais R$ 3,6 milhões direcionados ao estudo, para cerca de R$ 10 milhões por ano. Para isso, deve recorrer a recursos do Plano Plurianual (PPA) e de fundos setoriais, como Fundo Setorial do Agronegócio, que foi o primeiro a ser abordado, e o Fundo Setorial de Biotecnologia.

A proposta é criar uma convergência entre todos os projetos científicos desenvolvidos na região amazônica, o que inclui o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Hoje o projeto está sob a responsabilidade do MCT e do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e cabe ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) gerir seu banco de dados.

“Gostaríamos que ele ficasse no MCT.  Mas admito que, pela abrangência e importância do programa, será necessário negociar com todas as pastas, inclusive com a Casa Civil e o Ministério da Defesa”, informou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, Luiz Antônio de Castro.

 

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