Presidente da Venezuela fala
de Santa Clara, onde está o panteon do Comandante
Chávez homenageia Che com ‘Alô Presidente’ irradiado de Cuba
“O
Che nunca morreu e seu exemplo grandioso ficou neste continente, nestes
povos”, destacou Hugo Chávez no “Alô Presidente” que contou com a
participação do dirigente cubano Fidel
“O
Che foi um semeador de idéias. As idéias da revolução, de justiça e
liberdade que o Che tanto propagou estão semeadas em toda a América Latina,
e as circunstâncias de hoje são mais propícias que nunca para que brotem. A
consciência é a arma mais importante nessa batalha”, afirmou o Comandante
Fidel Castro durante a conversa ao vivo por via telefônica que manteve com o
líder venezuelano Hugo Chávez, no programa “Alô Presidente”, transmitido no
domingo da cidade cubana de Santa Clara, em homenagem a Ernesto Guevara.
“O Che nunca morreu e seu
exemplo grandioso ficou neste continente, nestes povos. Enfrentamos
problemas, aprendemos, nos superamos, não nos dobramos. A revolução do Che
está mais viva do que nunca”, afirmou o presidente venezuelano que chegou a
Santa Clara ao lado vice-presidente da Assembléia Popular, Carlos Lage e de
Ramiro Valdés, segundo na coluna comandada por Che.
FIDEL
A conversa representou a
primeira vez que os cubanos ouviram seu líder ao vivo desde o dia 26 de
julho de 2006, quando Fidel apareceu em público cinco dias antes de ser
operado e transferir o poder temporariamente para Raúl Castro. A voz do
dirigente cubano - que ecoou mais forte e clara que em gravações anteriores,
segundo ressaltaram todos os observadores – coincidiu com a transmissão de
um vídeo de 17 minutos gravado no sábado em Havana, durante reunião que teve
com Hugo Chávez.
“Hoje, 40 anos depois do
assassinato do Che, 30 anos depois daquele momento em que eu decidi fazer
parte do Exército, acho que, por outras vias, na América Latina há um
Vietnã, dois Vietnãs, três Vietnãs”, assinalou Chávez, referindo-se à frase
do Che em defesa do enfrentamento à política agressiva e intervencionista do
governo dos Estados Unidos tomando como exemplo a luta heróica do povo
vietnamita. “O mundo todo está cheio de Vietnãs, desse sentimento de
derrotar o imperialismo, dessa decisão de lutar contra o imperialismo”,
acrescentou Fidel.
“Se o vemos desde o ponto de
vista militar, aí temos uma realidade evidente, objetiva: o Iraque é o
grande Vietnã para o Império norte-americano no começo do século XXI, os
territórios do Afeganistão, a resistência dos povos derrotando o Império. Só
pelo socialismo poderá se salvar a Humanidade. Socialismo ou barbárie”,
destacou Chávez.
O programa dominical “Alô
Presidente” foi feito do mausoléu do revolucionário Ernesto Guevara em
homenagem aos 40 anos de sua morte, em Santa Clara, cidade a 270 quilômetros
de distância da capital cubana, libertada pela coluna que comandou durante a
Revolução Cubana.
Chávez lembrou que entre os
episódios que se contam do Che, um relata que Guevara, antes de ser
assassinado, pediu que dissessem a Fidel que ele veria uma revolução
triunfante na América Latina. Do outro lado da linha, o cubano ratificou que
as idéias revolucionárias se fortalecem cada dia no continente e se
adaptaram e aperfeiçoaram segundo a realidade de cada país, como nos casos
da Bolívia, Equador e da Venezuela.
IMPERIALISMO
Fidel denunciou as formas como
age o imperialismo. “Ontem falávamos que o dólar perdeu 22 vezes o seu
valor. Quando se computa o que os EUA roubaram na Venezuela, há que
multiplicar a cifra por 22”, disse o presidente cubano. “Eles tiraram da
Venezuela trilhões. Muitos países sofrem o fenômeno inflacionário com as
notas norte-americanas que lhes são empurradas pelos chamados ‘mercados
financeiros internacionais’”, asseverou.
No final do programa N° 298,
Hugo Chávez leu um trecho da carta que o Che deixou para seus filhos Aleida,
Célia, Camilo e Ernesto, que diz: “se algum dia tiverem de ler esta carta,
será porque não estarei mais entre vocês. Quase não se lembrarão mais de
mim, e os peque-ninos nada recordarão. O pai de vocês tem sido um homem que
atua como pensa e foi fiel a suas convicções. Cresçam como bons
revolucionários, estudem muito, para dominar a técnica que permite dominar a
natureza e, sobretudo, sejam sempre capazes de sentir da maneira mais
profunda qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer
parte do mundo. Essa é a mais bela qualidade de um revolucionário. Até
sempre, meus filhinhos, espero voltar a vê-los um dia”.
Aleida, presente em Santa
Clara, disse que essas eram palavras para todos os jovens. “Em nome de todos
os meus irmãos, agradeço o gesto do povo venezuelano e do presidente Chávez
de vir até a praça que leva o nome do Che para homenagear a um homem de
todos nós, o pai, talvez, de todos os que se chamam revolucionários na
América Latina. A um homem que por sobre todas as coisas sabia amar e nos
deixou esse exemplo. O verdadeiro revolucionário tem que seguir essas
qualidades. E isso, provavelmente é o mais bonito do Che, essa possibilidade
de amar e entregar sua vida ao ideal que considerava justo”.
“Construamos o socialismo,
façamos possível a sociedade nova, um novo homem, uma nova mulher e
estaremos ajudando a salvar a Humanidade do capitalismo, do imperialismo, da
destruição da espécie humana”, concluiu Chávez.
SUSANA SANTOS