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Presidente Putin a Condoleezza:
“Não vamos tolerar mísseis dos EUA em nossa fronteira”
O presidente russo, Vladimir Putin, advertiu na sexta-feira, dia 12, ao governo dos Estados Unidos que se este não desistir da
instalação de um sistema “antimíssil” na Polônia e na República Tcheca, “as
relações entre Washington e Moscou serão seriamente prejudicadas”.
“Não adianta fugir dessa questão. Sem dúvida que no futuro
poderemos decidir que deve ser instalado um sistema defensivo antimísseis em
alguma parte da Lua. Mas, antes de atingir acordos como esse, perderemos a
oportunidade de decidir algumas questões particulares importantes entre nós.
E isso coloca em risco um esforço de trabalho conjunto e civilizado entre
nossos países”, afirmou Putin dirigindo-se à secretária de Estado
norte-americana, Condoleezza Rice e ao secretário de Defesa, Robert Gates,
que se encontravam em Moscou para defender as intenções do Pentágono de
colocar radares e uma base de mísseis nos países limítrofes da Rússia.
“Além de que esse escudo está claramente direcionado para a
Rússia e não para se defender do Irã ou da República Popular Democrática da
Coréia, a instalação de mísseis norte-americanos na Europa representa uma
parte integrante dos armamentos nucleares dos EUA. Trata-se de elementos que
devem ser qualificados como modificação radical no sistema de segurança na
Europa”, sublinhou o presidente russo.
“A Rússia não pretende tolerar essa situação e recorrerá a
medidas de retaliação, como qualquer outro país faria”, assinalou Putin
durante o encontro com a secretária de Estado de Bush e com o chefe do
Pentágono, informou o jornal Pravda.ru.
Na reunião, o dirigente do Kremlin advertiu ainda que seu
país poderá abandonar o tratado sobre mísseis de curto e médio alcance se
não forem adotadas restrições similares por outros países. “Não é lógico, e
nós não fazemos parte de instituições de caridade com a indústria
armamentista de nenhum lugar do mundo, nos manter no âmbito desse acordo, o
Tratado das Forças Armadas Convencionais na Europa (FACE), enquanto outros
Estados, que se encontram muito próximos das nossas fronteiras, estão
desenvolvendo esses sistemas de armamento”, frisou.
O governo de Moscou propôs a alternativa de explorar em
conjunto os radares situados em Gabala, no Azerbaijão, já em funcionamento.
A iniciativa foi ignorada pela Casa Branca.
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