Cuba denuncia na ONU a conivência dos EUA com o
terrorista Carriles
O diplomata cubano Luis Alberto Amo-rós Nuñez repudiou
durante debates da 3ª Comissão da Assembléia Geral das Nações Unidas, na
quinta-feira, 11, as falsificações do governo Bush ao recorrer a
“certificações unilaterais e hipócritas no combate ao narcotráfico, ao
terrorismo e ao contrabando de pessoas”.
“Como é possível que os Estados Unidos se declare paladino
da luta mundial contra o terrorismo e ponha em liberdade o mais
famigerado terrorista e assassino do hemisfério ocidental, Luis Posada
Carriles?”, questionou o representante de Cuba na ONU.
Posada Carriles é responsável pela explosão, em pleno vôo,
de um avião cubano em outubro de 1976 que tirou a vida de 73 pessoas,
além de ser o responsável por atentados com bombas no centro turístico
de Havana e de várias tentativas de assassinar o presidente cubano Fidel
Castro.
Mais adiante em seu discurso, Nuñez qualificou de
“inconcebível” que os EUA também pretendam erigir-se sobre a soberania
de outros países com o pretexto do narcotráfico. Ele destacou que o
negócio da droga nos Estados Unidos gera dezenas de bilhões de dólares
anuais para os traficantes e concentra mais de 30 milhões de
consumidores de cocaína.
O diplomata cubano insistiu na necessidade de fazer valer o
princípio responsabilidade compartilhada de todos os Estados no
enfrentamento do problema da criminalidade internacional. Ele disse que
Cuba tem participado ativamente dos fóruns e mecanismos multilaterais e
tem realizado acordos bilaterais de cooperação com dezenas de nações.
“Cuba expressou também em repetidas ocasiões sua vontade de
cooperar bilateralmente com os EUA no enfrentamento ao narcotráfico, ao
terrorismo e ao tráfico ilegal de pessoas, com propostas concretas que
Washington tem rechaçado”, acrescentou Nuñez.