Promotoria acusa Scotland Yard:
“Morte de Jean Charles foi resultado de
incompetência e violação de norma policial”
A
morte do brasileiro Jean Charles de Menezes por agentes da Scotland Yard foi
resultado de erros da polícia, afirmou a promotora londrina, Clare
Montgomery, na segunda-feira, dia 1º, durante o primeiro dia do julgamento
da instituição policial pela Justiça britânica. “A morte foi resultado de
erros fundamentais da polícia, que não implementou a operação planejada de
maneira segura e razoável”, disse Montgomery.
Supostamente “caçando um terrorista”, a polícia inglesa executou em 22 de
julho de 2005 com sete tiros na nuca, à queima-roupa, o jovem brasileiro
Jean Charles de Menezes, natural de Minas Gerais e que vivia em Londres há
três anos, trabalhando como eletricista. O assassinato, diante dos chocados
passageiros, ocorreu dentro de um trem do metrô, na estação de Stockwell, no
sul da capital inglesa.
Segundo a acusação, o corpo policial violou durante a operação a norma 1974,
que obriga as forças de ordem a zelar pela integridade inclusive de quem não
é seu funcionário.
Os
familiares de Jean Charles de Menezes, que assistiram o primeiro dia de
julgamento, criticaram novamente a decisão da justiça britânica de não
processar individualmente os 15 policiais envolvidos na morte por falta de
provas, se limitando apenas a processar a Scotland Yard por deixar em risco
as normas de saúde e segurança. “Eles estão mentindo como já mentiram antes,
queriam deixar o tempo passar para depois dizer que meu irmão era inocente.
Agora eles estão admitindo o erro que fizeram, mas vão se proteger como
puder, vão dizer que são inocentes”, disse o irmão de Jean, Giovani da
Silva.