Empresários defendem Venezuela no Mercosul
Cerca de 50 empresários, representantes da Câmara Venezuelana-Brasileira
de Comércio e Indústria reuniram-se, nesta terça-feira, na Câmara dos
Deputados e no Senado, em defesa da aprovação do Protocolo de Adesão da
Venezuela ao Mercosul.
Liderados pelo presidente da entidade, José Francisco Marcondes Neto,
eles entregaram ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP),
e ao presidente interino do Senado, João Viana, um documento firmado por
representantes de várias empresas e indústrias das regiões Norte e
Nordeste, que afirma que a adesão da Venezuela ao bloco reduzirá uma
série de barreiras alfandegárias e facilitará pagamentos e negociações
entre os dois países, o que incentivará ainda mais a relação comercial
entre os dois países. Os presidentes da Câmara e do Senado declararam
apoio ao ingresso da Venezuela ao Mercosul.
O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), presente na reunião na Câmara,
frisou a importância da Venezuela no bloco. “A integração plena do
Brasil ao Mercosul, para os estados da região Norte e Nordeste, só terá
eficácia com a entrada da Venezuela”, afirmou. De acordo com Marcondes
Neto, o Amazonas é o país que mantém a relação comercial mais intensa
com a Venezuela, entre os estados do Norte e Nordeste do país, seguido
por Pará e Roraima. Ele destacou que o volume de comércio entre Brasil e
Venezuela é de US$ 4,5 bilhões e deve ultrapassar os US$ 4,8 bilhões em
2007, o que demonstra a importância para o Brasil da adesão do país.
O relator da mensagem do Protocolo de Adesão na Comissão de Relações
Exteriores e de Defesa Nacional, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), informou,
durante a reunião, que a votação do projeto de adesão da Venezuela na
Comissão está marcada para 24 de outubro. Após ser analisado por essa
Comissão, o texto que pede a entrada do país no Mercosul precisará
passar pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo plenário da Câmara
para seguir para o Senado. A adesão já aprovada pela Argentina e pelo
Uruguai, necessita da aprovação dos parlamentos brasileiro e paraguaio.
INTEGRAÇÃO
Segundo relatório divulgado pela Câmara Venezuelana-Brasileira de
Comércio e Indústria, 76,43% dos empresários brasileiros apóiam a adesão
do país ao Mercosul. Manifestam-se contra, apenas 0,64% das empresas
consultadas, conforme destacou na reunião na Câmara o deputado Dr.
Rosinha. Para elaboração do estudo, foram consultadas 688 empresas, das
quais 82,96% já exportaram algum produto à Venezuela, dentre as quais
estão as 250 principais empresas importadoras e as 250 maiores
exportadoras do país, que juntas representam 70% do comércio exterior
brasileiro.
Dr. Rosinha afirmou que, segundo o relatório, as exportações do Brasil
para a Venezuela cresceram 31% de janeiro a maio deste ano,
comparando-se com igual período no ano passado. Durante o ano de 2006,
as empresas nacionais venderam US$ 3,6 bilhões aos venezuelanos, que
representa um aumento de 60% em relação a 2005, e desse total, mais de
US$ 3,2 bilhões provém de produtos industrializados. No ano de 2006, o
superávit do Brasil com a Venezuela foi de US$ 2,97 bilhões. “Não há
meio-termo. Quem é contra a entrada da Venezuela é contra a integração
dos países sul-americanos”, completou o deputado.
Com a adesão da Venezuela, o Mercosul passará a constituir um bloco com
mais de 250 milhões de habitantes, área de 12,7 milhões de km², PIB
superior a um trilhão de dólares, o que representa 76% do PIB da América
do Sul, e comércio global superior a US$ 300 bilhões, o que, segundo o
texto do Protocolo de Adesão, impulsionará a consecução da meta de
promover o desenvolvimento e o combate à desigualdade social na região,
proporcionando melhores condições de vida para os habitantes do bloco.
Ainda de acordo com o texto do Protocolo, a entrada da Venezuela no
Mercosul facilitará a integração dela com o Brasil, o que trará
benefícios para ambos os países. Após a adesão, o Brasil terá suas
necessidades energéticas equacionadas, além de ser facilitado o
desenvolvimento na região amazônica, considerada estratégica para o país
e será criado ainda um corredor de exportação para o Caribe. Do ponto de
vista da Venezuela, a integração com o Brasil diminuirá a dependência do
país aos EUA, pois diversificará sua estrutura produtiva o que diminuirá
a sua dependência econômica das exportações de petróleo. Constam planos
para a integração da Petrobrás e da PDVSA, estatal de petróleo
Venezuelana, além da comunicação física de linhas de transmissão de
energia elétrica e construção de estradas e pontes para conectar ambas
as nações. “A adesão da Venezuela ao Mercosul não tem nada de
intempestiva e tampouco resulta de uma decisão política sem substrato
econômico, comercial e histórico”, afirma o documento.
A partir da entrada em vigor do Protocolo de Adesão, a Venezuela terá o
prazo máximo de quatro anos para adotar o acervo normativo do Mercosul a
adotar a Nomenclatura Comum do bloco (NCM) e a Tarifa Externa Comum (TEC).
Segundo o Protocolo, até o dia 1° de janeiro de 2014, a adesão da
Venezuela ao Mercosul deverá estar inteiramente concluída.
FERNANDA KALVI