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“Quem precisa da CPMF não é o governo é o país”, afirma Lula
Da África,
presidente cobrou dos senadores da oposição que pensem no país “em vez de
pensarem em si próprios ou em seus partidos”
Em entrevista coletiva concedida na terça-feira,
durante sua visita à República do Congo, o presidente Lula abordou a
prorrogação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF),
ora em discussão no Senado.
Lula apontou uma contradição da oposição, que
diz querer acabar com a CPMF, e, ao mesmo tempo, quer barganhar seu voto
pelo retalhamento dela: “Eu não acho que sejam compatíveis o discurso de
quem quer mudar a CPMF e o de quem sonha acabar com ela. Se repartirmos a
CPMF com Estados e municípios, ela nunca mais acaba”.
BASE
Da mesma forma, o presidente apontou a
contradição dos senadores que hoje resistem a aprová-la, mas que, não há
muito tempo, garantiram sua continuação: “Todos os senadores, com raríssimas
exceções, já votaram a CPMF pelo menos uma vez. Acho importante que todo
mundo releia os discursos de quatro ou oito anos atrás e mantenha a posição
que justificou para votar favorável da outra vez”.
No entanto, segundo o presidente, a proposta do
governo contará com votos suficientes para ser aprovada: “A questão estava
muito difícil na Câmara – e foi aprovada”. Agora, afirmou Lula, o que
importa é tornar efetiva a maioria que existe. Daí ele considerar que “nosso
trabalho não é ficar discutindo se vai ser difícil ou não, nosso trabalho é
construir a maioria numérica que nós temos dentro do Senado e fazê-la
funcionar para votar favoravelmente às coisas que o governo precisa votar. A
base aliada tem um programa, que foi assinado por todos os partidos que a
compõem. Agora é a hora de mostrarmos que temos os votos necessários”.
Quanto a barganhas com a oposição, declarou o
presidente que “na hora de votação não tem negociação. Espero que algum
senador, ao votar contra, diga onde nós vamos arrumar R$ 40 bilhões para
fazer o que precisa ser feito. É só isso o que eu quero: seriedade. Nada
mais do que isso”.
A CPMF é a origem dos recursos do Fundo de
Combate à Pobreza e do Fundo Nacional de Saúde. São os programas sociais e o
atendimento à população que ela sustenta. Porém, Lula ressaltou que sua
importância, que já seria mais do que justificada por isso, é ainda maior:
“hoje eu diria para vocês que quem precisa da CPMF não é o governo. Quem
precisa da CPMF é o país. Quando anunciamos R$ 540 bilhões para o Plano de
Aceleração do Crescimento (PAC), obviamente que estávamos contando com a
CPMF”.
Sobre as conseqüências da atitude da oposição,
Lula apontou que a não aprovação “sairia caro. Eu quero ver quem no planeta
Terra governa um país que pode prescindir de R$ 40 bilhões. Só queria que os
senadores, em vez de pensar em si próprios ou nos seus partidos, pensassem
um pouco no momento auspicioso que vive o Brasil e que tentassem contribuir
para que continue a sua trajetória de desenvolvimento”.
Na terça-feira, o vice-presidente José Alencar
esteve no Senado para defender a prorrogação da CPMF. Na ocasião, foi
homenageado por diversos senadores e realizou um debate sobre a importância
da CPMF. O senador Jefferson Peres (PDT-AM), apesar de crítico sistemático
do governo, anunciou que vai votar a favor da proposta. “Vou votar a favor
da CPMF, sim. Meu partido sabe que o governo não pode abrir mão dessa
arrecadação”, disse o senador amazonense.
DECISÃO
No dia 9, a prorrogação da CPMF foi aprovada em
segundo turno de votação pela Câmara dos Deputados, com 333 votos a favor,
113 contra e duas abstenções. Encerrada a votação na Câmara dos Deputados,
ela foi encaminhada ao Senado.
Em sua entrevista no Congo, Lula frisou que “o
Senado é soberano para tomar a sua decisão. Em algum momento os senadores
vão se reunir e vão decidir. O que for decidido, estará decidido”.
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