|
Para Tatto, CPI da TVA tem que ser instalada já por causa dos “indícios de
irregularidades”
Parlamentares do PT ouvidos pelo HP reafirmaram
o posicionamento favorável da bancada e refutaram as especulações de que a
instalação da CPI da Abril-TVA tenha qualquer relação com as acusações
lançadas pela revista “Veja”, pertencente ao grupo Abril, contra o senador
Renan Calheiros (PMDB).
O deputado federal Jilmar Tatto (PT/SP) foi
enfático. “Eu não assinei - e não acredito que os outros deputados do PT
quando assinaram – por ter alguma relação com o senador Renan Calheiros. Até
porque, se tivesse, hoje isso estaria resolvido com a licença do senador.
Não existe esta vinculação com a questão do Renan. Tem a ver com os indícios
de irregularidades na venda que o grupo Abril fez. As assinaturas foram
colocadas, a ampla maioria da bancada do PT assinou, o partido tirou uma
decisão clara sobre isso, teve uma resolução da direção nacional do PT, as
assinaturas são suficientes para a instalação da CPI e nós estamos
aguardando que a Câmara instale o mais rápido possível. O processo está com
a Câmara e vamos aguardar os próximos dias para ver se ela vai ser
instalada”, afirmou Tatto.
O deputado ressaltou ainda que “existe uma
pressão, que é natural, de determinados grupos econômicos que não querem ver
a CPI instalada, mas a Câmara é soberana. Não é a primeira vez que se
instala CPI que contraria determinados grupos. Então eu acho que nos
próximos dias teremos novidades nesta área”.
Para o deputado Dr. Rosinha (PT/PR), a venda de
30% das ações do grupo Abril para o conglomerado sul-africano Naspers,
principal responsável pelo regime do apartheid, também é outra questão que
deve ser apurada pela Câmara. “A Constituição brasileira diz que 30% das
ações de grupos de comunicação podem ser de estrangeiros. O restante das
ações não. A CPI também tem que investigar isso, porque pode ter 30% de
participação formal no grupo Abril, mas por fora pode existir um outro tipo
de compromisso com um percentual maior. A Constituição tem que ser
respeitada”, afirmou. Segundo denúncia da TV Bandeirantes, a transação com a
Naspers foi feita através de empresa de fachada, que utilizava CNPJ e
endereços falsos para esconder a origem dos verdadeiros acionistas.
De acordo com Jilmar Tatto, ninguém está
querendo fazer um pré-julgamento, mas existem indícios graves de
irregularidades e é uma das funções do Congresso investigar. “Existem
indícios de irregularidades que afrontam a legislação brasileira. A lei diz
que neste setor não pode ter participação estrangeira com mais de 50% das
ações com direito a voto e a operação que a Abril fez é uma operação que,
salvo melhor juízo, está burlando essa lei”, afirmou Tatto, lembrando também
que a CPI deve averiguar a compra de parte do grupo Abril pela Naspers.
“Além disso, há um fato grave que é compra de parte do capital total da
Abril por uma empresa sul-africana, a Naspers, que é uma empresa que
participou do apartheid e, no mínimo, não tem uma imagem muito boa, para não
dizer coisa pior. A CPI não serve para fazer um pré-julgamento, mas ela
existe justamente para apurar e verificar se existe alguma irregularidade
nestas operações do grupo Abril”, disse.
O deputado chamou a atenção para casos
semelhantes que podem estar ocorrendo em outros setores de comunicação.
“Essa entrega do capital nacional para os estrangeiros e a forma que essas
empresas brasileiras se aliam a esses estrangeiros é considerado um
escândalo e nós temos que fazer uma revisão geral neste setor”, completou.
ALESSANDRO
RODRIGUES
|