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Jagunços da Syngenta atacam acampamento e executam agricultor

 Acampamento dos Sem-Terra no campo de experimentos transgênicos da multinacional foi invadido por 40 pistoleiros fortemente armados, que chegaram atirando. Valmir Mota de Oliveira foi morto à queima roupa com dois tiros no peito

O acampamento  da Via Campesina no campo de experimentos transgênicos da Syngenta, no cinturão de proteção ecológica do Parque Nacional do Iguaçu, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná, foi atacado no domingo por 40 jagunços da multinacional, que chegaram atirando. Na ação, os bandidos mataram com dois tiros no peito, disparados à queima roupa, o militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira (Keno), de 42 anos. Vítimas das balas, os agricultores Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos e Hudson Cardin ficaram gravemente feridos. Violentamente espancada, Izabel Nascimento de Souza entrou em coma e sua vida está em risco. Na ação, um dos pistoleiros também morreu.

Segundo denúncia da Via Campesina, “a multinacional Syngenta utilizava serviços de uma milícia armada, que agia através da empresa de fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), ligado ao agronegócio”. Inúmeras denúncias sobre a atuação da NF já haviam sido feitas, reforçadas recentemente durante uma audiência pública, no último dia 18, para a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal (CDHM), em Curitiba (PR). “Os dirigentes do MST, inclusive Keno, já vinham sendo ameaçados há mais de seis meses pelas milícias, que estavam a serviço do consórcio SRO/MPR/Syngenta. Um inquérito havia sido aberto para apurar as denúncias contra a Syngenta e a NF Segurança”, lembra a Via Campesina.

Uma das diretoras da empresa de segurança NF, envolvida no massacre deste final de semana, foi presa e o proprietário fugiu durante uma operação da Polícia Federal ainda neste mês de outubro, quando foram apreendidas munições e armas ilegais.

 FACHADA

 “Nós já temos fortes indícios de quem fez esta contratação, apesar dos responsáveis tentarem se esconder atrás de um movimento de fachada. Nós não vamos admitir no Paraná a ação de um bando como esse, que promove a violência. Serão todos enquadrados e colocados atrás das grades como todo e qualquer bandido”, afirmou o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari.

Sete “seguranças” foram presos e autuados por formação de quadrilha, homicídio e exercício arbitrário das próprias razões, na delegacia de Cascavel. Eles se recusaram a prestar depoimento, mas a polícia já identificou o dono da empresa de segurança NF: Nerci de Freitas.

O campo de experimentos havia sido ocupado pela primeira vez pelos agricultores em março de 2006 para denunciar o cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja e milho, o que deu ampla divulgação dos crimes ali praticados. Após 16 meses, no dia 18 de julho, as 70 famílias desocuparam a área. Conforme comunicado da Via Campesina, a área foi reocupada recentemente por cerca de 150 trabalhadores rurais. “No momento havia quatro seguranças na área. Uma das armas dos seguranças foi disparada e feriu um trabalhador, que foi hospitalizado. Os agricultores desarmaram os seguranças, que em seguida abandonaram o local. As armas foram apreendidas para serem entregues à polícia. Por volta da 13h30, um ônibus parou em frente ao portão de entrada e uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no peito, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que continua hospitalizada em estado grave”. 

ASSASSINOS

 A denúncia dos agricultores é que “a milícia atacou o acampamento para assassinar as lideranças e recuperar as armas ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos trabalhadores”. Os dirigentes do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida Lourenço chegaram a ser perseguidos pelos pistoleiros, mas conseguiram escapar durante o ataque.

Os trabalhadores rurais denunciam que a Rede Globo vem mentindo em suas reportagens, inventando que teriam sido mantidos reféns durante a reocupação: “a versão da Rede Globo e de outros veículos da grande imprensa têm como objetivo criminalizar os movimentos sociais e retirar de foco o ataque realizado pela milícia da Syngenta, que executou um trabalhador e deixou outros feridos”.

 PUNIÇÃO

 Além de exigir punição dos responsáveis pelos crimes – principalmente os mandantes –, a desarticulação da milícia armada e o fechamento imediato da NF, os agricultores querem “a garantia de segurança e proteção das vidas dos dirigentes Celso e Célia, e de todos os trabalhadores da Via Campesina, na região”. “Os camponeses seguem na luta para que a área de experimentos ilegais de transgênicos da Syngenta seja transformada em Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e a Reforma Agrária”, conclui o manifesto.

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