Putin responde a operário russo acerca da cobiça ianque sobre a Sibéria:
“Rússia tem armas modernas para defesa de seus recursos naturais”
Presidente falou em entrevista anual ao povo russo transmitida por rádio e
TV. Durante quatro horas Vladimir Putin respondeu a questões formuladas ao
vivo pelos cidadãos de seu país
O
presidente russo Vladimir Putin condenou as “inaceitáveis e descabidas
tentativas de se apoderar dos recursos naturais e riquezas de outras nações
que governos de alguns países e certos cidadãos realizam”, em resposta à
pergunta de um operário mecânico da cidade siberiana de Novosibirsk sobre
recentes declarações da ex-secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albrigth,
que considerou que a Sibéria tem demasiados recursos naturais para serem
propriedade de um só país.
As declarações fizeram parte da entrevista anual que Putin oferece aos
russos desde que assumiu o poder, em 2000. Durante mais de três horas, o
presidente respondeu a perguntas da população, em evento transmitido ao vivo
em cadeia nacional de rádio e televisão, na quinta-feira, dia 19.
“Sei que determinados políticos jogam com essas idéias em suas cabeças. O
melhor exemplo disso são os eventos no Iraque, um pequeno país, que apenas
pode se defender e que possui imensas reservas de petróleo. E vemos o que é
que está acontecendo lá. Os norte-americanos sabem disparar, mas não
conseguem impor a sua ordem. E há poucas possibilidades de que tenham
sucesso, porque combater contra um povo é um objetivo absolutamente sem
futuro”, assinalou, ressaltando que “é inadmissível manter eternamente no
Iraque um regime de ocupação. É necessário fixar uma data para a retirada
das tropas desse país”.
PROTEÇÃO
Deixando claro que a Rússia não assistirá passivamente a política de
agressão imperialista, Putin afirmou no programa “Linha em contato direto
com o presidente”, que “comentários e ações como essas só confirmam que o
trabalho para fortalecer e investir na defesa da nação é correto”. Em
resposta a uma pergunta de um soldado do centro espacial militar de Plesetsk,
detalhou que “estamos desenvolvendo armamento estratégico e convencional com
o objetivo de fortalecer a defesa do país. Não só daremos importância à
tríade nuclear, ou seja, foguetes estratégicos, aviação estratégica e frota
de submarinos nucleares, mas também a outro tipo de armas”.
“A Rússia tem suficientes meios e recursos para proteger seus interesses no
país” , assegurou.
O presidente reiterou que Moscou responderá de forma adequada se os Estados
Unidos instalam bases de defesa antimísseis na Europa. “Se Washington não
toma em conta a opinião da Rússia, responderemos com medidas que, sem dúvida
alguma, poderão garantir a segurança de nossos cidadãos. E não adianta nos
pressionar com o argumento de que incentivamos a corrida armamentista. Essa
é a melhor forma de garantir a paz”, frisou.
DESENVOLVIMENTO
“Em 2007 os resultados de desenvolvimento econômico resultaram ser melhores
do que supúnhamos”, disse Putin na conferencia interativa, informando que um
dos maiores aumentos se registrou na indústria e no setor de construção, que
registrou uma taxa de crescimento anual de 15% nos últimos cinco anos. “Em
2007 a construção de moradias experimentou um aumento de 34,4% em relação
com o ano anterior”, destacou, avaliando que “é um demonstrativo da melhoria
das condições de vida de nossa sofrida população”. O crescimento industrial
de setembro em relação ao mesmo mês do ano anterior foi de 10,9%, e o
aumento do PIB no primeiro semestre do ano atingiu 7,8%.
Vladimir Putin qualificou de perigosa a deterioração da situação
demo-gráfica em regiões do leste da Rússia. “O que está acontecendo na
Trans-baikalia e na região oriental mais distante é uma questão dolorosa
para todo o país e que deve ser tratada urgentemente. O processo de
despovoamento é um risco”, alertou. Referiu-se ao fortalecimento de um
programa federal que tem como centro o desenvolvimento dessas regiões e à
formação de uma comissão presidida pelo chefe de Governo que trata do tema.
Esse programa prevê gastar aproximadamente 20 bilhões de dólares nos
próximos 4 anos, anunciou. “Entre outras coisas, se planeja desenvolver o
setor energético e a infra-estrutura no oriente do país, promover a criação
de empregos e fomentar a indústria aeronáutica e de construções navais que é
tradicional nessa região”.