Fidel: “Eleição em Cuba
é antítese da dos EUA com seus candidatos dos monopólios”
“O fato de que votem mais de 90% dos cidadãos e que os estudantes guardem as
urnas é algo inusitado, não pode ser acreditado tratando-se de um ‘obscuro
canto do mundo’, agredido e bloqueado, que se chama Cuba. Assim exercitamos
os músculos vigorosos da nossa consciência”, afirmou o líder Fidel Castro,
um dia antes de mais de oito milhões de cubanos compareceram às urnas para
eleger, mediante voto secreto e direto, mais de 15 mil vereadores das 169
Assembléias do Poder Popular Municipal em todo o país, no domingo, 21.
Para a eleição se apresentaram 37.328 pessoas cuja única condição para se
candidatarem foi terem sido indicadas por algum cidadão cubano. Não é
necessário pertencer a nenhuma organização nem partido.
A campanha eleitoral não é baseada no marketing publicitário, o que permite
igualdade de oportunidades para todos os candidatos.
“As nossas eleições são a antítese das que são feitas nos EUA: não em um
domingo, mas na primeira terça-feira de novembro. Lá, a primeira coisa é ser
bem rico, ou contar com o apoio de muito dinheiro. Depois, investir verbas
enormes em publicidade, que é experiente em lavagem de cérebros e reflexos
condicionados. Embora há honrosas exceções, ninguém pode aspirar a nenhum
cargo importante se não dispõe de milhões de dólares”, acrescentou.
“Para ser eleito presidente, precisa-se milhões, que saem dos cofres dos
grandes monopólios. Pode triunfar o candidato com uma minoria dos votos
nacionais. Às urnas acodem cada vez menos cidadãos, visto que muitos
preferem trabalhar ou dedicar o tempo a outra coisa. Há fraudes, truques,
discriminação étnica e até violência”, disse Fidel, que votou no local onde
se recupera de cirurgia.
Fidel votou “ante um dos membros da mesa eleitoral do colégio em que está
inscrito”. Segundo a lei eleitoral cubana, se um eleitor está impedido
fisicamente, pode auxiliar-se de outras pessoas para exercer seu direito ao
voto.