Parceria da UMES-SP com Ponto de Cultura do
Minc
forma talentos e platéia das artes cênicas
Das escolas
públicas para o teatro da UMES
Projeto iniciado em 2005 já formou cerca de 300 jovens atores, além de levar pela
primeira vez ao teatro alunos, pais e professores da rede pública de ensino
Possibilitar
uma aproximação cada vez maior entre o teatro e alunos da rede pública de
ensino foi o que motivou a parceria do Grupo Forte Casa Teatro e do Centro
Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São
Paulo (CPC/UMES) com o Ministério da Cultura, na criação do Ponto de Cultura
da UMES.
O primeiro projeto, que teve início em 2005, envolveu cerca
de 300 alunos de escolas públicas. Por dois anos e meio, 24 turmas fizeram,
por um período de seis meses, cursos gratuitos de iniciação, oferecidos no
Teatro Denoy de Oliveira pelo Grupo Forte Casa Teatro, que integra a Rede de
Teatros de Grupo de São Paulo.
“O trabalho foi elaborado pensando em unir o teatro do
grupo e o trabalho da UMES com as escolas e com os grêmios, formar atores e
platéia, trazer estudantes”, explicou Rebeca Braia, membro do Grupo Forte, e
que atualmente dirige a peça Alembrar, em cartaz no Teatro Denoy de Oliveira
(ver matéria nesta página). “Trazer alunos para assistirem peças de teatro é
também um trabalho de formação de público, o que é muito importante porque
os jovens que têm esse contato irão freqüentar, entender a linguagem
teatral”, afirmou Rebeca em entrevista ao HP.
CIA
DEFENESTRA
Quem nos conta a experiência de participar pela primeira
vez de um curso de teatro são os alunos Ana Cristina da Silva, Caio Vilas
Boas, Damares Linhares e Thiago Prates que, junto com Luiza Freire, Karina
Vernizzi e Thátila Alves, concluíram o Ponto de Cultura, foram selecionados
para estagiar com os professores do Grupo Forte, e hoje formam o Grupo Cia
Defenestra.
Com a peça A Não Liberdade do Rabo ao Bico, o grupo,
formado por jovens com não mais de 17 anos, apresenta ao público seu
primeiro trabalho. Orientado por Magê Blanques, Erika Coracini e Rebeca
Braia, o projeto da peça foi aprovado no Programa para a Valorização de
Iniciativas Culturais (VAI) da prefeitura de São Paulo, e fica em cartaz até
o dia 30 de novembro no Teatro Denoy de Oliveira.
A produção da peça, com texto de criação coletiva e
auto-direção, é uma livre-inspiração da peça Liberdade, Liberdade, de Flávio
Rangel e Millôr Fernandes. Como conta Ana Cristina, “no primeiro momento,
queríamos fazer Brecht, mas mudamos de idéia”. A peça traz os diversos
significados da palavra liberdade, tratando de temas como democracia,
capitalismo, mídia, consumo e alienação. Durante a elaboração da peça,
“havia discussões muito tensas”, conta Ana. “Todo dia sentávamos nessa mesa,
e a gente debatia. E como são pessoas diferentes, com pensamentos
diferentes, tinha muita discussão”.
Para Damares Linhares, colaboradora do grupo, “diferente de
uma novela, no teatro pesquisa-se muito”. “É necessário o hábito, é
importante para entender, é preciso formação. Na novela não, já vêm tudo
mastigado. A peça Alembrar, por exemplo, tem isso, muitas metáforas, e quem
não tem o hábito pode não entender o fundamental, fica na superficialidade.
Tem que ter motivação”, destacou Damares.
Caio Vilas Boas falou da confiança no grupo adquirida
durante os cursos, e destacou “a importância de jovens terem contato com
teatro, o que é raro”. “Temos amigos que nunca foram ao teatro”, destacou.
“O legal é que é um público da nossa idade e isso é um
desafio, passar a nossa mensagem”, disse Ana. “Porque o nosso público não
têm costume com o teatro. Depois da euforia, a partir de um momento, eles
passam a responder. Riem muito. Diferente do público adulto”, contou.
Damares ressaltou ainda que “o teatro tem um clichê de que
é só para pessoas ‘cult’, e não é isso. Você não faz teatro para quem faz
teatro. Temos que fazer teatro para o povo, para quem nunca teve contato”.
Ao final de cada curso do Ponto de Cultura da UMES, que
está em processo de renovação, os alunos realizaram uma apresentação aos
pais e familiares, passando por adaptações que vão desde Capitães de Areia e
A Hora da Estrela até Shakespeare e a Mitologia Grega. Ao todo foram 20
trabalhos apresentados.
Ana Letícia Oliveira, diretora de Cultura da UMES, destacou
que “o teatro é muito importante, proporciona conhecimento para os jovens,
mas sabemos que poucos têm contato, principalmente por conta dos preços”.
“Na cidade de São Paulo existem muitos teatros, mas os preços não permitem
acesso à maioria das pessoas. O Teatro da UMES tem uma característica
contrária, porque não visa o lucro. Visa oferecer, não somente aos alunos,
mas aos professores, a toda a comunidade escolar, o acesso ao teatro”,
afirmou.
No próximo dia 26, a Cia Defenestra de Teatro e o Grupo
Casa Forte de Teatro irão realizar uma festa de confraternização que reunirá
os participantes do Ponto de Cultura. O encontro está marcado para ocorrer
na sede da UMES às 20h30.
JÚLIA CRUZ