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“Alembrar”, uma bela fábula sobre a importância
da memória cultural na construção do futuro

O grupo Forte Casa Teatro está encenando, no Teatro Denoy de Oliveira, a sua mais nova produção, “Alembrar”.

A peça, uma fábula, fruto de um trabalho de criação coletiva do grupo, com direção de Rebeca Braia e dramaturgia de Bruna Longo e Edi Longo, versa sobre a memória histórica e cultural, e as ameaças à vida, ao desenvolvimento e ao relacionamento entre as pessoas diante dos riscos de sua perda. Toda a simbologia e a poética proposta pelo tema, somadas ao universo fantástico de uma lenda, são mostradas em forma de fábula ao público, transitando entre o poético, o dramático e o cômico, tornando a peça dinâmica e envolvente.

O grupo de teatro afirma que a peça “nasceu do desejo de discutir a memória da história de cada um, das tradições de nossa terra, da nossa cultura como renovadoras da tradições”.

“É uma metáfora de uma sociedade que tende a abandonar o conhecimento acumulado pelas gerações passadas, seus mitos e lendas, supervalorizando uma visão imediatista e tecnicista. A peça pretende mostrar o tipo de organização social que leva uma sociedade a esquecer seus mitos e costumes, valorizando a massificação da cultura”, destacam os integrantes do Forte Casa Teatro.

Mia Couto é homenageado pelo grupo, que reproduz em seus materiais de divulgação um de seus textos: “Primeiro perdemos a lembrança de termos sido do rio. A seguir esquecemos a terra que nos pertencera. Depois da nossa memória ter perdido a geografia, acabou perdendo a sua própria história. Agora não há sequer a idéia de termos perdido alguma coisa”.

A peça é também a estréia de Rebeca Braia como diretora. Rebeca destaca que a peça “reflete os nossos esforços de sermos um coletivo, um pensar junto, um grupo, um abraço”.

Foram dois anos de exercícios, discussões e estudos de textos de diversos autores como Ana Maria Gonçalves (Um Defeito de Cor), João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina), poemas de Brecht e, principalmente, do moçambicano Mia Couto (O Outro Pé da Sereia), cuja abordagem da história de seu país teve papel decisivo na construção da fábula e da poética da peça que traz em seu elenco Erika Coracini, Magê Blanques, Natália Grisi e Wilson Mandri

O grupo Forte Casa Teatro foi criado em 2002 pelas atrizes Rebeca Braia, Erika Coracini   Magê Blanques, e tem como residência o Teatro Denoy de Oliveira, na sede central da UMES-SP (União Municipal de Estudantes Secundaristas), onde realiza também, em parceria com a entidade e o Ministério da Cultura, cursos de iniciação teatral para alunos da rede pública de ensino (ver matéria nesta página).  O grupo também trabalha com máscaras, técnicas de Commedia dell’Arte e teatro de rua, utilizando linguagens artísticas tradicionais e contemporâneas. Já encenou texto de Kafka (Metamorfose) e Shakespeare (Hamlet).

Teatro Denoy de Oliveira (Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista - tel.: 3289-7475). 100 lugares. Sábado às 21h e Domingo às 20h (últimas apresentações). R$ 20,00 e 10,00.

A partir do dia 16 de novembro, a peça estará em cartaz no Teatro Paulo Eiró. Sábados às 21h, e domingos às 19h. Até 16 de dezembro. Rua Adolfo Pinheiro, 765 - Sto. Amaro.

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