Paraná faz
mobilização pela redução de
tarifa nos 2,4 mil Km de rodovias pedagiadas
Uma ampla mobilização pela redução nos preços das tarifas
cobrados nas rodovias pedagiadas do Paraná foi desencadeada nesta
segunda-feira, durante reunião pública promovida pela Frente Ampla pelos
Avanços Sociais na Assembléia Legislativa do Estado.
“Os leilões de outubro que licitaram a exploração de sete
lotes de rodovias federais, três dos quais cortam o litoral do nosso
Estado, provaram, de forma cabal, o quanto são extorsivas as tarifas
cobradas nos 2,4 mil quilômetros de rodovias pedagiadas no Paraná. Enquanto
a tarifa para carros pela BR-277 até Paranaguá custa R$ 10,90, os três
trechos de vias federais concessionados no litoral do Estado vão cobrar R$
1,02. Essas diferenças provam que os atuais valores cobrados se tornaram um
verdadeiro crime contra a economia do Estado”, diz o manifesto, divulgado
pelo líder do governo na Assembléia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli
(PMDB).
O movimento, que inclui entidades e partidos políticos, vai
realizar reuniões na maioria das cidades paranaenses. O segundo encontro
acontece já nesta sexta-feira (26), a partir das 14h, na Câmara de
Vereadores de Londrina, informa o coordenador da Frente, Doático Santos.
Nas sessões da Câmara dos Deputados e do Senado de
segunda-feira, o manifesto também ganhou o apoio de diversas lideranças,
após ser lido pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e pelo deputado federal
Ângelo Vanhoni (PT-PR). Leia abaixo a íntegra do manifesto.
Manifesto:
"Abaixar o Pedágio Já!”
A Frente Ampla pelos Avanços Sociais convoca à todos os
paranaenses para dar um basta nesta sangria perpetrada pela selvageria
excludente de seis concessionárias que em menos de uma década solaparam mais
de R$ 5 bilhões - valores atualizados - da economia e do setor produtivo do
Paraná.
Não podemos mais ficar de braços cruzados. Os leilões de
outubro que licitaram a exploração de sete lotes de rodovias federais, três
dos quais cortam o litoral do nosso Estado, provaram, de forma cabal, o
quanto são extorsivas as tarifas cobradas nos 2,4 mil quilômetros de
rodovias pedagiadas no Paraná.
Só para ter um exemplo: enquanto a tarifa para carros pela
BR-277 até Paranaguá custa R$ 10,90, os três trechos de vias federais
concessionados no litoral do Estado vão cobrar R$ 1,02. Essas diferenças
provam que os atuais valores cobrados se tornaram um verdadeiro crime contra
a economia do Estado.
O Paraná, no entanto, foi o único Estado a travar uma
guerra contra o pedágio desde que foi implantado em 1997. A luta continua e
dessa forma, respaldamos a posição firme do governador Roberto Requião que
se colocou frontalmente contra os pedágios no Estado.
Nesse exato momento há mais de 40 ações judiciais movidas
pelo Governo do Estado contra os aumentos das tarifas, contra o modelo das
concessões, contra os lucros exorbitantes, entre outras demandas, e algumas
das quais já estão sendo acatadas pela Justiça Estadual.
Nesse sentindo, conclamamos ao judiciário brasileiro que se
engaje nessa luta e agilize as decisões que ainda perduram sobre as demandas
existentes. E mais: que remetam à Justiça do Paraná qualquer julgamento que
envolva a questão do pedágio nas rodovias do Estado.
Nos últimos quatro anos, o Governo do Paraná também provou,
quando recuperou cinco mil quilômetros de rodovias estaduais, o quanto custa
manter uma estrada em boas condições de tráfego. De tudo que é cobrado pelas
concessionárias entre 20% e 30% são usados na manutenção das rodovias. O
restante, cerca de 70%, faz parte do lucro das concessionárias.
Para se ter idéia do que significa este assalto a mão
armada aos paranaenses, no ano passado, as concessionárias arrecadaram cerca
de R$ 750 milhões e investiram em obras e conservação cerca de R$ 140
milhões nas rodovias. Os R$ 610 milhões restantes fazem parte do lucro que
oneram sobremaneira os custos da produção de alimentos e bens do Estado.
Todos esses exemplos justificam a nossa posição
radicalmente contrária ao atual modelo de concessão das rodovias no Paraná.
As disparidades vão dos custos elevados das tarifas, à bi-tributação, à
carga fiscal embutida, às elevadas taxas de remuneração do capital, à
cobrança do pedágio antecipada ao investimento, à desvinculação da tarifa, à
falta de vias alternativas, à estrutura tarifária que penaliza os usuários,
às condições e a forma de licitação, que não estimulam a competição.
Por todas essas razões expostas conclamamos a todos os
setores da sociedade a se mobilizar na campanha “Abaixar o Pedágio Já” que
deve ganhar todas as cidades do Paraná através de comitês, audiências
públicas, reuniões, abaixo-assinados, manifestos que podem ser convocados
nas câmaras de vereadores, sindicatos de trabalhadores, assentamentos,
escolas, associações comerciais, clubes lojistas, ocupações, clubes de mães,
bairros, locais de trabalho.
O pedágio é uma verdadeira arma, uma ameaça ao cidadão e à
economia do Estado criada por políticos e empresários inescrupulosos. Vamos
lutar pela economia do nosso estado. O Paraná não suporta mais esta carga.
Curitiba, 22 de outubro de 2007
FRENTE AMPLA PELOS AVANÇOS SOCIAIS