No Senado, centrais e Lupi somam apoios para a contribuição sindical
Em
audiência com o presidente interino do Senado, Tião Viana, CUT, CGTB, Força,
NCST, UGT e CTB, acompanhadas do ministro do Trabalho, defenderam o acordo
firmado com o governo federal pelo reconhecimento das centrais e a
manutenção do imposto sindical
Com a presença do ministro do Trabalho e Emprego Carlos
Lupi, do senador Paulo Paim (PT-RS), e de parlamentares, as seis centrais
sindicais (CUT, CGTB, Força Sindical, NCST, UGT e CTB) participaram nesta
quarta-feira (24) de audiência com o presidente interino do Senado, Tião
Viana (PT-AC), onde defenderam o acordo firmado com o governo pelo
reconhecimento das centrais e a manutenção da contribuição sindical. As
centrais denunciaram as emendas ao Projeto de Lei 1990/07, que surrupiaram o
imposto sindical, como um atentado às entidades representativas dos
trabalhadores.
Os sindicalistas alertaram que a votação na Câmara
representa um golpe, pois acaba com a contribuiçãoo sindical apenas para as
entidades de trabalhadores, sem prever outra forma de sustentação
financeira. Além do assalto, a emenda coloca o Tribunal de Contas da União
(TCU) com o papel de fiscalizador das entidades sindicais, extrapolando as
suas funções.
COMPROMISSO
Tião Viana assumiu o compromisso de se empenhar na
agilidade da tramitação do PL, declarando que se há acordo entre as
centrais, a matéria deverá ser votada até o dia 15 de novembro.
O ministro Carlos Lupi pediu ao presidente em exercício do
Senado a restauração da obrigatoriedade da contribuição sindical, derrubada
pela Câmara na semana passada. “Só tiraram a contribuição obrigatória dos
trabalhadores, não a dos patrões”, alertou o ministro.
De acordo com Lupi, o objetivo é de acelerar, no Senado, a
votação do projeto que, na Câmara, recebeu duas emendas que não eram parte
do acordo entre as centrais. “Nós estamos solicitando aos senadores que
suprimam essas emendas, até porque não é justo a gente ter uma só parte da
arrecadação sendo punida. Só da parte dos sindicatos de trabalhadores é que
se retiraram os impostos. Da parte patronal, não”, sublinhou.
O secretário-geral da Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil (CGTB), Carlos Alberto Pereira, afirmou que “durante a audiência,
reivindicamos ao presidente Tião Viana que o Senado respeite o acordo das
centrais com o presidente Lula – rejeitando as duas emendas ao PL que foram
aprovadas na Câmara, golpeando e transfigurando o projeto”. “Defender a
origem do projeto, é uma posição conjunta e unânime de todas as centrais
sindicais”, destacou Pereira. “Tião Viana diz que considera muito importante
este acordo das centrais com o governo. E vai fazer todos os esforços junto
aos senadores para respeitá-lo. Então, encaminhamos estas duas questões:
rapidez na votação e a rejeição das duas emendas que golpearam o projeto”.
CONQUISTAS
O secretário-geral da CGTB destacou que “todas as centrais
ratificaram a defesa e o respeito ao acordo no Senado, por unanimidade. E
para assegurar o imposto sindical que mantém a luta pela manutenção das
conquistas dos trabalhadores foi marcada uma mobilização permanente em
Brasília, onde todas as centrais vão estar presentes”.
“A contribuição sindical representa uma conquista histórica
e antiga. Na verdade, é o cimento da unidade do movimento sindical. É ela
que garante a capacidade de organização das entidades nas suas ações
concretas do dia-a-dia, de defesa intransigente dos direitos de suas
categorias. O fato de todas as centrais estarem defendendo esta contribuição
tem um significado muito grande”, sublinhou Pereira, apontando que, “assim,
ficou acertado que possivelmente no dia 1º de novembro o projeto já esteja
encaminhado e votado nas comissões”.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da
Silva (PDT-SP), afirmou que as centrais sindicais estão trabalhando
intensamente, dialogando com os senadores pela mudança do projeto. “O que
houve na Câmara foi um golpe dado no meio do jogo do Brasil. As pessoas nem
sabiam o que estavam votando. Nós pretendemos, no Senado, explicar a cada
líder partidário e a cada um dos senadores o que aconteceu. É preciso que
todos entendam os problemas que virão se esse projeto for mantido como veio
da Câmara. Porque ao acabar com o imposto sindical, você destrói toda a
estrutura sindical do país”, alertou o presidente da Força Sindical.
“A reunião foi muito boa, pois reforçou o entendimento de
que precisamos de uma ação unificada neste momento”, afirmou Denise Motta
Dau, secretária nacional de Organização da CUT.
AMPLITUDE
Também participaram do encontro no Senado o relator do
projeto na Câmara, deputado Vicentinho (PT-SP), e os parlamentares Roberto
Santiago (PV-SP), Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), e
o secretário de Relações do Trabalho do MTE, Luiz Antônio Medeiros.
ADEMAR COQUEIRO