Para Luiz Gonzaga Belluzzo,
“A liberdade de expressão não pode ser monopolizada”
“O financiamento é fundamental.
Uma TV Pública, dada a missão que tem que cumprir, tem que ter regularidade
na fluência dos recursos. Senão a qualidade do serviço cai. Sem falar na
autonomia”, afirmou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular da
Unicamp e consultor editorial da revista CartaCapital.
Belluzzo foi convidado pelo
presidente Lula para presidir o conselho curador da TV Pública, que entrará
em operação no final deste ano. “A TV pública não pode disputar publicidade.
Se for presidente do conselho, não vou admitir”, disse em entrevista ao
jornal Folha de S.Paulo.
Ele recusou o convite para o ser
o presidente executivo do órgão, mas disse “que aceitava ser presidente do
conselho, se eleito, que me comprometia com o projeto, desde que não
remunerado”. Em sua avaliação, “o conselho tem que ser muito amplo, plural.
Nenhum ponto de vista pode ser excluído. Uma TV pública tem que dar abrigo a
todos os pontos de vista”.
Perguntando se a democracia
estava ameaçada, Belluzzo declarou: “Acho que está permanentemente ameaçada
pelos poderes privados e pela idéia de que você pode ter um salvador da
pátria e que o Estado pode, na verdade, controlar a vida dos cidadãos. O
processo democrático envolve, necessariamente, o risco de você perder”. Para
ele, “Não tem coisa mais sagrada que a liberdade de expressão. Ela não pode
ser monopolizada por ninguém”.
O professor da Unicamp lembra
que “no livro ‘The Assault of Reason’ (O ataque à razão), o Al Gore, que não
é um perigoso esquerdista, faz uma análise de como o poder da mídia causou
problemas sérios na decisão do povo americano de apoiar ou não a guerra no
Iraque. A mídia insistiu na questão das armas de destruição em massa. Se há
movimentos unânimes, não é bom para a democracia”.